Médicos de família precisam-se, reivindica PCP/Porto
O número de utentes sem médico no Distrito do Porto, e que no
final do ano já ultrapassava os 100 mil pacientes, "não para
de crescer e
a tendência é para piorar", afirma ao Expresso
Diana Ferreira, que avança que o Grupo Parlamentar do PCP
vai confrontar, "por escrito",
o Ministério da Saúde sobre "o caos vivido" na saúde.
Em conferência de imprensa esta segunda-feira, no Porto, a
Direção Regional do PCP sustentou que a situação dramática
vivida nas
urgências hospitalares "é consequência da falta de
investimento do SNS e, pior do que isso, dos brutais cortes na saúde
e em todas as
áreas da vida económica e social".
As mortes, as longas horas de espera de atendimento nas
urgências, a acumulação de doentes em macas nos
corredores, a sobrecarga
de horária de médicos e enfermeiros foram alguns dos
exemplos apontados PCP como "resultado das opções
políticas do Governo
PSD/CDS".
O encerramento de hospitais, centros de saúde ou unidades
de saúde familiar e "a opção deliberada pela transferência de
serviços para o setor privado" são outros problemas para os
quais os comunistas querem respostas do Governo, propondo,
entre outras medidas, "a reversão do processo de encerramento
de serviços, a eliminação de taxas moderadoras, o fim do emprego precário".
Um reforço do investimento nos cuidados de saúde primários é uma das
principais reivindicações apresentadas por Diana Ferreira,
deputada que alerta para graves situações de défice de médicos
nos centros de saúde de Amarante (13.468 utentes sem médico de
família), Felgueiras (mais de 13 mil pacientes sem assistência)
e Marco de Canaveses (mais de 10 mil).
Na cidade do Porto, entre os casos mais alarmantes foram apontados
os centros da Foz do Douro e de Aldoar, defendendo a
deputada do PCP que se está "a criar uma saúde para ricos e uma saúde para pobres".
No decurso da conferência de imprensa foi deixado ainda o alerta para o
recrudescimento da tuberculose na região do Vale de Sousa e Baixo Tâmega,
uma das regiões mais pobres e com "os mais altos índices da doença" da União Europeia.
"Numa região com tantas carências
sociais, é lamentável que sejam também os mais desprotegidos no acesso aos cuidados
de saúde primários", acrescenta
Diana Ferreira.
http://expresso.sapo.pt
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