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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

137.000 NOVOS OLHARES - Em 23 de junho de 1985 o vôo 182 da Air Índia explodiu sobre a costa da Irlanda vítima de um ato terrorista. O biólogo indiano Chandrasekhar Sankurathri deveria estar na lista dos mortos, mas o excesso de trabalho separou-lhe de sua mulher e dois filhos, que faleceram na catástrofe. O tormento e a solidão de Chandra duraram quase três anos. Em 1988 abandonou sua casa e seu trabalho no Canadá para voltar à Índia e dar um novo sentido a sua vida: devolver gratuitamente a visão a mais de 130 mil indianos.

Em 23 de junho de 1985 o vôo 182 da Air Índia explodiu sobre a costa da Irlanda vítima de um ato terrorista. O biólogo indiano Chandrasekhar Sankurathri deveria estar na lista dos mortos, mas o excesso de trabalho separou-lhe de sua mulher e dois filhos, que faleceram na catástrofe. O tormento e a solidão de Chandra duraram quase três anos. Em 1988 abandonou sua casa e seu trabalho no Canadá para voltar à Índia e dar um novo sentido a sua vida: devolver gratuitamente a visão a mais de 130 mil indianos.

137 mil novos olhares
Homem hindu aguardando para fazer cirurgia de catarata
Depois de perder tudo aquilo que amava, Chandra perambulou de casa ao trabalho tropeçando dia a dia com uma rotina que a cada vez mais diminuía sua auto-estima. À beira da loucura e da depressão conjurou-se para sair do poço fazendo o que mais gostava: curar pessoas doentes. A magnitude da nova empreitada deveria encher o buraco deixado pelas carências de afeto. Não se tratava simplesmente de abrir um consultório num bairro pobre, senão de se mobilizar radicalmente por uma tarefa digna da memória de seus filhos.

Chandrasekhar Sankurathri era considerado no Canadá o típico e desejado imigrante com expediente impoluto e de sucesso. Nascido em uma aldeia pobre da Índia meridional, depois de estudar em seu país, emigrou para o Canadá onde trabalhou como biólogo para o Ministério de Previdência. Viveu em Ottawa com a mulher e seus dois filhos canadenses, até o fatídico 23 de junho de 1985.

- "Nunca cheguei a ver seus corpos, de modo que costumava pensar que estavam aí fora, em algum lugar. Este pensamento perseguiu-me durante muito, muito tempo. Após três anos, perguntei-me, que estou fazendo aqui?"

Buscando suas raízes e velando pela lembrança de sua mulher voltou a Kakinada em Andhra Pradesh (Índia) sua cidade natal. Deixou para trás uma vida de conforto e rompeu com o futuro de riqueza para ajudar os menos afortunados. Com as economias de 15 anos de trabalho criou uma fundação cujo nome é o mesmo da sua mulher, "Manjari Sankurathri Memorial Foundation" (MSMF), destinada a limitar em suas inquietudes altruístas. De seus antigos contatos do Ministério da Previdência canadense conseguiu suas primeiras doações para fundar em Kakinada uma escola com o nome de sua filha perdida. "Sarada School". Escola totalmente gratuita, mantida por doações que chegam do mundo todo graças à loquacidade do Dr. Chandra. Mas ele não estava satisfeito.

Todos os dias acompanhava a rota do único e velho ônibus que recolhia os alunos da escola e de um grupo de cegos que levava ao povoado. Na Índia há mais de 15 milhões de cegos vítimas de catarata e pequenas doenças insuperáveis para um sistema de saúde quase inexistente nas pequenas zonas rurais. O desconhecimento e a ignorância convertem simples doenças em cegueiras prematuras. O Dr. Chandra tinha a resposta: educação e cirurgia básica.

Em 1993 com o apoio de várias associações hindus e canadenses (Help the Aged e Orbis International) conseguiu abrir um pequeno consultório que atendia pessoalmente e que pouco a pouco se foi se convertendo em um humilde hospital. Seu nome, logicamente inspirado pelo último dos filhos perdidos, "Instituto de Oftalmologia Srikiran".

Desde a abertura do hospital, já foram realizadas mais de 137 mil cirurgias de catarata, 90% delas gratuitamente. Quatro cirurgiões realizam hoje 150 intervenções ao dia para mudar a visão de outros tantos pacientes agradecidos. Mas para o Dr. Chandra ainda não é suficiente.

- "A cirurgia de cataratas é uma experiência que muda a vida seja qual seja o país e o paciente, mas que segue inspirando medo às pessoas que não podem pagar por ela e que de outro modo estão condenadas à escuridão para o resto de suas vidas. Só algumas poucas horas depois da operação, torna a vida de qualquer um totalmente diferente, tudo muda ( a forma de caminhar, de agir, de sorrir...) É realmente gratificante ver a satisfação, o sentimento de seus rostos, sobretudo nas crianças e nas pessoas de mais idade. Aqueles que pensavam que iriam chegar ao final de sua vida, sem ver a luz..."

Em nosso país, o Projeto Catarata já atendeu cinco milhões de pessoas e operou 1 milhão, mas como infelizmente o nosso sistema de saúde permanece em coma em todas as UTIs do país, muitas pessoas aguardam na fila para fazer a cirurgia, já que os malditos politiqueiros cooptaram a cirurgia e tratamento como massa de manobra de seus currais.

Na seqüência os novos olhares que agradecem ao Dr. Chandra:
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
137 mil novos olhares
O Dr. Chandrasekhar Sankurathri.

 http://www.mdig.com.br/

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