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domingo, 6 de maio de 2012
VIDA, LUTA E MORTE DE ERNESTO GUEVARA - 2ª PARTE
Apelo de Che Guevara
Apelo de Che Guevara em maio de 1967 "Em quase todo continente americano os capitais dos Estados Unidos mantêm uma primazia absoluta. Os governos fantoches, ou fracos e medrosos, não podem se opor ao mestre Yankee. Não há outro caminho: ou Revolução socialista ou caricatura de Revolução. Isto quer dizer uma guerra longa. Toda nossa ação é um grito de guerra contra imperialismo e um apelo veemente à unidade dos povos contra o inimigo da humanidade: os Estados Unidos... Pouco se importa onde a morte nos surpreenderá: que ela seja bem vinda, contanto que nosso grito de guerra seja ouvido, que outras mãos peguem em armas e que outros homens se levantem para entoar cantos fúnebres em meio do barulho das metralhadoras e de novos gritos de guerra e vitória."
Cartas
Aos filhos Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Célia e Ernesto:
Se alguma vez tiverem que ler esta carta, será porque eu não estarei mais entre voçês. Quase não se lembraram de mim e os mais pequenos não recordarão nada.O pai de voçês tem sido um homem que atua, e certamente, leal a suas convicções. Cresçam como bons revolucionários. Estudem bastante para poder dominar as técnicas que permitem dominar a natureza. Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário. Até sempre, meus filhos. Espero vê-los, ainda. Um beijão e um abraço do Papai.
Ao Fidel Castro:
Até a vitória, sempre!
Lembro-me nesta hora de muitas coisas, de quando te conheci na casa de Maria Antonia, de quando tu me propuseste vir , de toda a tensão dos preparativos.
Um dia vieram perguntar a quem devia avisar em caso de morte e a possibilidade real do fato nos golpeou a todos. Depois, soubemos que era certo, que numa revolução (verdadeira) ou se triunfa ou se morre. Muitos companheiros ficaram pelo caminho em direção à vitória.
Hoje, tudo tem um tom menos dramático, porque somos mais maduros, mas o fato se repete. Sinto que cumpri a parte do meu dever que me ligava à revolução cubana em seu território, e me despeço de ti, dos meus companheiros, do teu povo, que já é meu.
Faço uma renúncia formal a meus cargos na direção do partido, da minha função ministro, do meu grau de Comandante, da minha condição de cubano. Nada legal me liga a Cuba, a não ser laços de outra natureza que não se cortam com as nomeações.
Rememorando minha vida passada, penso ter trabalhado com suficiente honradez e dedicação para consolidar o triunfo revoluvionário. Minha única falha de certa gravidade foi a de não ter confiado em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra e de não haver compreendido com suficiente rapidez tuas qualidades de condutor e de revolucionário. Vivi.
A sua filha mais nova:
"Minha querida filhinha, minha pequena Mão, você não sabe como é difícil o mundo em que você vai ter que viver. Quando você crescer, esse continente inteiro, e talvez o mundo inteiro, estará lutando contra o grande inimigo, o imperialismo ianque. Você também vai ter que lutar. Eu posso não estar mais aqui, mas a luta incendiará o continente"
A seus pais:
Queridos viejos:
Uma vez mais sinto sob os calcanhares as costelas de Rocinante. Retorno para a estrada com o escudo no braço. Nada de especial mudou, exceto que estou mais cônscio, meu marxismo está mais arraigado e mais cristalizado. Creio na luta armada como única solução para os povos que lutam para se libertarem e sou coerente com minhas crenças. Muitos me chamarão de aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles que colocam a vida em jogo para demonstrar as suas verdades.
É possível que esta seja definitiva. Não estou buscando por ela, mas está dentro dos cálculos lógicos das probabilidades. Se tiver que ser, então este é o meu último abraço.
Amei-os muito, só que não soube mostrar o meu amor. Sou extremamente rígido em meus atos e creio que houve ocasiões em que vocês não me entenderam. Por outro lado, não era fácil entender-me (...).Agora, a força de vontade que aprimorei com o deleite de um artista levará para diante minhas pernas fracas e meus pulmões cansados. Vou conseguir
Lembrem-se de vez em quando deste pequeno condottiere do século XX (...).Para vocês, um abraço grande e apertado de um recalcitrante filho pródigo.
VÍDEO SOVIÉTICO SOBRE CHE GUEVARA
de Fidel para Che
Um Modelo de Revolucionário
Não apenas reunia essa dupla característica de ser homem de idéias, e de idéias profundas, e homem de ação, mas Che possuía, como revolucionário, as virtudes que podem ser definidas como a mais cabal expressão das virtudes de um revolucionário: homem íntegro, homem de honradez suprema, de sinceridade absoluta, homem de vida estóica e espartana, homem em quem praticamente, em sua conduta, não se encontra uma só mancha. Constituiu, por suas virtudes, o que se pode chamar de verdadeiro modelo de revolucionário. Na hora da morte dos homens, costuma-se fazer discursos, destacar as virtudes, mas poucas vezes como nesta ocasião pode-se dizer com mais justiça, com mais exatidão, de um homem o que dizemos de Che: que constituiu um verdadeiro exemplo de virtudes revolucionárias!
Mas, além disso, tinha outra qualidade, que não é uma qualidade do intelecto, que não é uma qualidade da vontade, que não é uma qualidade derivada da experiência, da luta, mas uma qualidade do coração, porque era um homem extraordinariamente humano, extraordinariamente sensível!
Por isso dizemos, quando pensamos em sua vida, quando pensamos em sua conduta, que constituiu um caso singular de um homem rarissimo, porque foi capaz de conjugar em sua personalidade não apenas as características de homem de ação, mas também de homem de pensamento, de homem de imaculadas virtudes revolucionárias e de extraordinária sensibilidade humana, unidas a um caráter de ferro, a uma vontade de aço, a uma tenacidade indomável.
Por isso, legou as gerações futuras não apenas sua experiência, seus conhecimentos como soldado destacado, mas também obras de sua inteligência Escrevia com a virtuose de um clássico da língua Suas narrações da guerra são insuperáveis. A profundidade de seu pensamento é impressionante. Nunca escreveu absolutamente nada sem que o fizesse com extraordinária seriedade, com extraordinária profundidade, e alguns de seus escritos, não duvidamos, passarão á posteridade como documentos clássicos do pensamento revolucionário.
Assim, como fruto dessa inteligência vigorosa e profunda, nos deixou uma infinidade de recordações, uma infinidade de relatos que, sem seu trabalho, sem seu esforço, talvez pudessem ter sido esquecidos para sempre.
Trabalhador infatigável, nos anos que esteve a serviço de nossa pátria não conheceu um só dia de descanso. Foram muitas as responsabilidades que lhe destinamos: como presidente do Banco Nacional, como diretor da Junta de Planejamento, como ministro da Indústria, como comandante de regiões militares, como chefe de delegações de caráter político, ou econômico ou fraterno.
Sua inteligência multifacetada era capaz de empreender, com o máximo de segurança, qualquer tarefa em qualquer ordem, em qualquer sentido. Assim, representou de maneira brilhante nossa pátria em inúmeras conferências internacionais, do mesmo modo como dirigiu brilhantemente os soldados em combate, do mesmo modo como foi um modelo de trabalhador à frente de qualquer das instituições que lhe destinaram; e para ele não houve dias de descanso, para ele não houve horas de descanso! Se olhássemos pelas janelas de seu escritório, as luzes permaneciam acesas até altas horas da noite, estudando, ou melhor dizendo, trabalhando ou estudando. Porque era um estudioso de todos os problemas, era um leitor infatigável. Sua sede de abarcar conhecimentos humanos era praticamente insaciável e as horas que roubava de seu sono dedicava-as ao estudo.
Nos dias regulamentares de descanso, empenhava-se no trabalho voluntário. Foi o inspirador e o máximo impulsor desse trabalho que hoje é atividade de centenas de milhares de pessoas em todo o pais, o impulsor dessa atividade que cada dia ganha mais força nas massas de nosso povo.
E como revolucionário, como revolucionário comunista, verdadeiramente comunista, tinha uma infinita fé nos valores morais, tinha uma infinita fé na consciência aos homens. E devemos dizer que, em sua concepção, viu com absoluta clareza nos recursos morais a alavanca fundamental da construção do comunismo na sociedade humana.
Muitas coisas pensou, desenvolveu e escreveu. Há algo que se deve dizer em um dia como hoje; é que os escritos de Che, o pensamento político e revolucionário de Che, terão um valor permanente no processo revolucionário cubano e no processo revolucionário da América Latina. Não duvidamos de que suas idéias, suas idéias como homem de ação, como homem de pensamento, como homem de tantas virtudes morais, como homem de insuperável sensibilidade humana, como homem de conduta irrepreensível. têm e terão um valor universal.
Deixou-nos seu pensamento revolucionário, deixou-nos suas virtudes revolucionárias, deixou-nos seu caráter; sua vontade, sua tenacidade, seu espírito de trabalho. Em uma palavra, deixou-nos seu exemplo! E o exemplo de Che deve ser um modelo para nosso povo, o exemplo de Che deve ser o modelo ideal para nosso povo!
Se queremos expressar como aspiramos que sejam nossos combatentes revolucionários, nossos militantes, nossos homens, devemos dizer sem vacilação de nenhuma índole: que sejam como Che! Se queremos expressar como aspiramos que sejam os homens das futuras gerações, devemos dizer: que sejam como Che! Se queremos dizer como desejamos que nossos filhos sejam educados, devemos dizer sem vacilação: queremos que se eduquem no espírito de Che! Se queremos um modelo de homem, um modelo de homem que não pertence a este tempo, um modelo de homem que pertence ao futuro, de coração digo que esse modelo, sem uma só mancha em sua conduta, sem uma só mancha em suas atitudes, sem uma só mancha em sua atuação, esse modelo é Che! Se queremos expressar como desejamos que sejam nossos filhos, devemos dizer com todo o coração de veementes revolucionários: queremos que sejam como
Che!
LETRA DO HASTA SIEMPRE COMANDANTE
Aprendimos a quererte desde la histórica altura donde el sol de tu bravura le puso un cerco a la muerte. Aquí se queda la clara la entrañable transparencia de tu querida presencia Comandante Che Guevara. Tu mano gloriosa y fuerte sobre la historia dispara cuando todo Santa Clara se despierta para verte. Aquí se queda la clara la entrañable transparencia de tu querida presencia Comandante Che Guevara. Vienes quemando la brisa con soles de primavera para plantar tu bandera con la luz de tu sonrisa. Aquí se queda la clara la entrañable transparencia de tu querida presencia Comandante Che Guevara. Tu amor revolucionario que conduce nueva empresa donde espera la firmeza de tu brazo libertario. Aquí se queda la clara la entrañable transparencia de tu querida presencia Comandante Che Guevara. Sequiremos adelante como junto a ti seguimos y con Fidel te decimos "Hasta siempre Comandante!"
Carlos Puebla
CARLOS PUEBLA - HASTA SIEMPTE COMANDANTE - VÍDEO
Poemas
Eu sei! Eu sei! Se sair daqui, o rio me engolirá... É o meu destino: hoje devo morrer! Mas não, a força de vontade pode superar tudo Há obstáculos, eu reconheço Não quero sair. Se tenho que morrer, será nesta caverna.
As balas, o que podem as balas fazer comigo se meu destino é morrer afogado? Mas vou vencer o destino. O destino pode ser conseguido pela força de vontade.
Morrer, sim, mas crivado de balas, destroçado pelas baionetas, se não, não. Afogado não... Uma recordação mais duradoura do que meu nome É lutar, morrer lutando.
(Ernesto Guevara – 17 de janeiro de 1947)
Canto a Fidel
Vamos, ardoso profeta da alvorada, por caminhos longínquos e desconhecidos, liberar o grande caimão verde* que você tanto ama... Quando soar o primeiro tiro e na virginal surpresa toda selva despertar, lá, ao seu lado, seremos combatentes você nos terá. Quando sua voz proclamar para os quatro ventos reforma agrária, justiça, pão e liberdade, lá, ao seu lado, com sotaque idêntico, você nos terá. E quando o final da batalha para a operação de limpeza contra o tirano chegar, lá, ao seu lado, prontos para a última batalha, você nos terá... E se o nosso caminho for bloqueado pelo ferro, pedimos uma mortalha de lágrimas cubanas para cobrir nossos ossos guerrilheiros no trânsito para a história da América. Nada mais .
* Caimão verde era o nome alegórico atribuído à ilha de Cuba.
(Ernesto "Che" Guevara - poema escrito pouco tempo antes de embarcarem no iate Granma rumo à Cuba)
Contra o Vento e as Marés
Este poema (contra o vento e as marés) levará minha assinatura. Deixo-lhes seis sílabas sonoras, um olhar que sempre traz (como um passarinho ferido) ternura,
Um anseio de profundas águas mornas, um gabinete escuro em que a única luz são esses versos meus, um dedal muito usado para suas noites de enfado, um retrato de nossos filhos.
A mais linda bala desta pistola que sempre me acompanha, a memória indelével (sempre latente e profunda) das crianças que, um dia, você e eu concebemos, e o pedaço de vida que resta em mim.
Isso eu dou (convicto e feliz) à revolução Nada que nos pode unir terá força maior.
(Ernesto "Che" Guevara - Poema dedicado à Aleida, sua esposa
Pobre velha María... não reze para o deus inclemente que frustrou suas esperanças, sua vida inteira, não peça clemência desde a sua morte, sua vida foi horrivelmente coberta de fome e termina coberta pela asma. Mas eu lhe quero anunciar, numa voz baixa viril de esperanças, a mais vermelha e viril das vinganças. Quero jurá-la na exata dimensão de meus ideais. Pegue esta mão de homem que parece a de um menino entre as suas, polidas pelo sabão amarelo, esfregue os calos duros e os nós puros na suave vingança de minhas mãos de médico. Descanse em paz, María, descanse em paz, velha lutadora, seus netos viverão todos para ver a alvorada.
(Ernesto Guevara - Homenagem à sua paciente, ainda na época de médico, que morre vítima da asfixia da asma e do descaso social)
FOTOS DA VIAGEM PELA AMERICA LATINA COM GRANADOS
CARTEIRA DE FOTÓGRAFO
GRANADOS
Harry Villegas (Pombo)
Pombo era o nome de guerra e foi escolhido por Guevara . Foi o único que esteve com ele em todos os fronts, de Sierra Maestra à Bolívia. Um belo dia Fidel Castro chamou a ele e Carlos Coelho (Tumas) e disse que eles iriam encontrar Che na floresta congolesa. - "Ele nos disse que nossa missão principal era a segurança de Che ". Fidel deu a eles, como presente, dois relógios Rolex. A chegada na África foi decepcionante. Os 120 cubanos do grupo guerrilheiro estavam a pique do desespero . As forças congolesas não podiam ser mais desorganizadas.- "Che nos dava aulas de paciência. Ele insistia em lembrar que os hábitos e a cultura eram muito diferentes dos nossos. Ele nos pedia esforços para tentar compreendê-los." Depois do fracasso no Congo, Pombo e Tuma foram a Praga, encontrar Che, que viajava na clandestinidade . Meses depois outra vez reunidos na Bolívia, onde Tumas acabaria sendo morto. Antes de morrer, Tuma entregou a Guevara o Rolex que havia ganho de Fidel e pediu a ele que entregasse a seu filho que nascera em quanto ele estava longe de Cuba . Quando Che foi assassinado na vila de L Higuera, um dos dois relógios capturados com ele era de Tuma . Pombo, com Tamayo e Benigno (que posteriormente exilou-se em Paris) , é um dos três sobreviventes da guerrilha na Bolívia. Foi também um dos poucos soldados profissionais a merecer a Ordem de Heróis da República de Cuba . Ele esteve em missões em Angola, Moçambique e Nicarágua. Tem 56 anos e ocupa o posto de Brigadeiro - General. Enrique Oltusky Era chamado "O Pequeno Polaco". Estudou arquitetura em Mimai e se graduou em 1954. No seu primeiro encontro com Che, manteve uma séria discussão sobre a questão "a revolução deve ficar escondida ou não". Che defendeu ardorosamente a posição de que devia se fazer a maior publicidade possível sobre o que se passava em Cuba. Em 1959, vencia essa questão, foi escolhido ministro das Comunicações do novo governo. Oltusky acabaria acompanhando Che nas suas várias funções administrativas e foi , durante 20 anos , representante oficial da indústria de pesca cubana. Ele trouxe essa experiência gerencial dos tempos em que era executivo da empresa Shell, pouco antes de decidir pela clandestinidade. Rogerio Acevedo Aos 56 anos, o Major General Rogelio Acevedo tem uma carreira militar extensa e bem - sucedida, tendo sido inclusive ministro de Armas e Tecnologia. Começou sob o comando de Che no verão de 1957, no vale de El Hombrito, no coração de Sierra Maestra.Rogelio tinha 16 anos e caiu para a clandestinidade junto com o irmão mais moço, Enrique. Ele considera o exemplo de Che vital na sua existência e na sua carreira. "Ele poderia ter conseguido a vitória e voltar para a Argentina, mas não, ele preferiu continuar trabalhando brutalmente, noite e dia, dormindo quatro ou cinco horas, para tentar organizar esta revolução de uma maneira dedicada e desinteressada". Há sete anos, Rogélio foi colocado de maior autoridade da aviação civil em Cuba. "Eu não entendia nada de aviões, mas essa era uma tarefa e eu tinha que assumi-la, exatamente como o ´Argentino´ me ensinou ". Jorge Serguera Rivieri Mais conhecido como "Papito Serguera" era advogado e doutor em filosofia e artes quando se juntou a guerrilha. Durante a campanha foi uma parceria assídua para Che nos jogos de xadrez. Depois da vitória costumava visitar Che no ministério e manteve o hábito: "Costumávamos jogar entre oito e dez partidas ". Em 1963 foi indicado embaixador na Argélia. De lá ajudou a preparar os focos de guerrilha para Guevara no Congo e na Bolívia. Papito esteve com Che na sua segunda viagem à África, em fins de 1964 e começo de 1965. " Ele era humanista e um filósofo da História, com uma excepcional disposição para a ação". Serguera ocupou vários postos, desde diretor da Rádio e TV de Cuba até responsável por uma fábrica de lâmpadas. José Manuel Manresa Nunca chamou Guevara pelo nome. Era sempre "o comandante". Servia na fortaleza de La Cabaña, quando Guevara instalou-se lá, durante a marcha para Havana. Esteve com ele no Instituto de Reforma Agrária, depois no Banco Nacional de Cuba e no Ministério de Indústria. Se lembra que Che só permitia que os funcionários se alimentassem com a comida da cantina e fazia escândalo enorme caso flagrasse alguém se alimentando com "bugigangas" compradas na rua. "Era extremamente rigoroso com ele mesmo". Com a morte de Che, foi trabalhar no Ministério de Comércio Exterior. Hoje está aposentado, com 70 anos. Leonardo Tamoyo Núnez (Urbano) Ele chegou a Sierra Maestra com 15 anos. No primeiro dia que viu Che, o Comandante perguntou: "O que você está fazendo aqui?" "O mesmo que você", respondeu Tamayo.Esteve praticamente ao lado de Che durante 10 anos e sete meses . Aos 55 anos, Tamoyo ainda é um homem enérgico. É coronel e carrega no cinto a pistola russa CTDKNH 509, presente de Fidel. Foi um dos que escaparam atravessando o Andes: "Caminhamos 6 meses ". Segundo conta , ao ser capturado, Guevara carregava US$ 20 mil. "Era o financiamento da revolução. Os militares bolivianos nunca declararam esse dinheiro". Hoje Tamayo trabalha com Ramiro Valdés. José Ramon Silva Serviu durante toda a campanha contra Batista nas colunas 4 e depois na 8, ambas com Che. Foi ferido três vezes. "Um dia, durante um combate, um camarada tentou lhe oferecer uma lata extra de leite. Ele estava muito mal porque estava com um de seus habituais ataques de asma. Ele recusou, e só tomou uma colher". Silva esteve ao lado de Che na invasão da Baía de Porcos. Aposentou-se como coronel. Manuel Pineiro Losada (Barbaroja) Quando encontrou Che em Sierra Maestra já tinha seu "boletim" uma série de atos de sabotagem em sua cidade natal e em Havana. Mais tarde, em 1961, criou, com Ramiro Valdés, os primeiros núcleos de segurança que dariam origem ao Ministério do Interior. Ainda naquele ano colaborou com Che na escolha e preparação de focos de guerrilha na Argentina, Congo e Bolívia. "Che sempre sonhou com a revolução na Argentina, Bolívia e Congo seriam apenas degraus preparatórios", diz Piñeiro. Ele conta com um surpreendeu Che no se gabinete se equilibrando sobre uma linha imaginária: "Esta é a fronteira da Argentina e eu tenho que atravessá-la antes de ficar muito velho". Piñeiro conta que a excessiva audácia de Che era uma das suas preocupações constantes. Ele teve, por ordem de Fidel, a missão de acompanhar e monitorar Che na Bolívia: "Era minha principal função naquela época Nós informávamos Fidel quase diariamente sobre o que estava acontecendo na Bolívia, sempre que as condições de comunicação permitiam". Piñeiro diz que freqüentemente sonha com Che no seus últimos momentos. Ele está com 64 anos, e é casado com a escritora chilena Marta Harneker. Salvador Vilaseca Forné .Ele tinha 50 anos e Guevara 31. Era professor de matemática e deu aulas para Che. Uma vez, viajando juntos pela Europa, Guevara pediu-lhe para comprar alguns livros em sebos. Vilesca perdeu um vôo marcado para Madri para atender o pedido. Depois de alguns dias, Che foi indicado presidente do Banco Nacional de Cuba. Che ligou, convidando-o a trabalhar com ele como diretor. eu", respondeu Che. "Eu não entendo nada de bancos", objetou Vilaseca. "Nem Vilaseca passou enato a dar aulas de matemáticas para Che, duas vezes por semana, às terças, das 8 às 9, e aos sábados, das 8 até o horário em que Che se cansava. Às vezes as aulas chegavam até a noite. Primeiro ensinou-lhe matemática elementar, depois álgebra, geometria analítica, cálculo diferencial, cálculo integral e equações. Em 1964, Vilaseca disse-lhe: "Não tenho mais nada a ensinar a você".juntos Enato, por sugestão de Che, eles passaram a estudar matemática avançada até Che partir para a guerrilha no Congo. Vilaseca está com 88 anos. Aposentou-se como reitor da Escola Diplomática está escrevendo um livro: " O Che que eu conheci".Joel Iglesias Foi um dos mais jovens capitães de Che. Ele foi para a clandestinidade em maio de 1957, mas Fidel não aceitou sua inscrição. Serviu na tropa de Che. "Eu não sabia ler ou escrever e Che me disse que eu só poderia usar as insígnias depois que eu aprendesse. Quando eu aprendi ele me deu uma biografia de Lennin e disse que iria me fazer perguntas sobre o livro". Iglesias é hoje, aos 55 anos, coronel reformado. Ramiro Valdés Ramiro tinha 23 anos quando participou do ataque do quartel de Moncada, em 1956, e passou dois anos preso, junto com Fidel e outros sobreviventes daquela ação. Foi duas vezes ministro do Interior, a última entre 1979 e 1984 e atualmente comanda o grupo de informática e eletrônica, um consórcio compreendendo 10 mil funcionários, uma divisão do Ministério da Indústria. Segundo Ramiro , aprender com Guevara a ter respeito pelos outros e auto-respeito. Enrique Acevedo Enrique Acedo estava com hepatite, em casa, quando foi informado de que dois jornalistas estrangeiros tinham procurado por ele para falar sobre o Che. O Brigadeiro Enrique Acevedo não hesitou. Minutos depois ele aparecia no Hotel Nacional de Havana usando jeans e camiseta T-Shirt. Trazia com ele o livro publicado há três anos, com suas lembranças do tempo em que serviu na guerrilha sob as ordens de Che. "O Descamisado" , uma homenagem ao Argentino. Enrique subiu a Sierra Maestra aos 14 anos com seu irmão Rogelio, que tinha 16 na época. Ele tinha 17 quando Che soube que ele comprara dinamite de um revendedor norte americano. Como "punição", Guevara mandou-o para um curso universitário. Anos depois, Orlando Borrego, na época ministro da Indústria Açucareira, convenceu Fidel Castro a mandar Enrique juntar-se à força guerrilheira de Che, na Bolívia. "Quando soube, Enrique deu pulos de alegria", lembra Borrego. A viagem acabou não se realizando. Guevara morreu antes. Victor Bordón Foi pessoalmente o responsável pelo Movimento 26 de Julho na Sierra de Escambrey, onde Guevara chegou em outubro de 1958, comandando a coluna de 146 homens . Depois de uma invasão de mais de 550 quilômetros, que tomara 47 dias de lutas, Bordón, que já tinha o titulo de "comandante", encontrou Che e colocou sob seu comando suas tropas, com mais de 300 homens. "Ele imediatamente me rebaixou, chamando-me de capitão". Mais tarde, depois de um duro combate, Che congratulou-se com ele. "Belo serviço, comandante". Ao que Bordón retrucou: "Capitão, não comandante". Guevara confirmou Bordón como Comandante e Bordón pediu-lhe que, sendo assim, aproveitasse a primeira reunião da tropa para comunicar essa decisão. "Um homem pode ser rebaixado em público e promovido em silêncio", respondeu Che. Desde 1983, Bordón esta no comando da Comental, um consórcio de empresas com 840 trabalhadores. Aleida March Foi a última mulher de Che e mãe de quatro dos seus cinco filhos. Aleida conheceu Che quando tinha 24 anos e era ativista clandestina do movimento 26 de julho na província de Las Villas. "Meu relacionamento com ele era apenas o de companheiros da mesma causa" lembra ela . Depois da vitória da revolução ela casou-se com Che. "Eram tempos duros. Ele chegava em casa todas as noites às três, às vezes às quatro, ou mesmo as seis da manha. Não podia - mos ter o luxo de pensar numa casa para nós . Estávamos construindo uma nova sociedade!" - Aleida fala sem reprovações ou críticas. Quando Che partiu para o Congo e depois para a Bolívia, eles continuaram a se corresponder sempre que possível. Antes de partir Guevara deixou-lhes varias cartas, uma para Fidel, outra para seus pais , e uma outra para os filhos do casal .Para Aleida , deixou uma fita gravada de 60 minutos com seus poemas preferidos de Pablo Neruda, César Vallejo, Nicolás Guilen e outros. "Nosso plano era encontrarmo - nos novamente na Bolívia, e depois, quando envelhecêssemos, iríamos lembrar de passagens da nossa própria história" Trinta anos se passaram , Aleida está com 66 anos. Ela agora é encarregada do Arquivo Pessoal de Che em Havana. Todos os filhos fizeram carreiras universitárias. - Aleida é especializada em alergia, como o pai; Célia é veterinária ; Camilo e Ernesto são advogados. Juan Alberto Castellanos Elo perdido de Guevara com a Argentina. Em 1963 infiltrou-se na Argentina com Jorge Masseti para estabelecer um foco, que seria mais tarde operado por Guevara . Castellanos foi treinado e começou uma odisséia: Roma, Dakar, Rio, São Paulo, Santa Cruz de La Sierra, cochabamba, La Paz, de novo Cochabamba e de lá até a fronteira. Durante um combate, Masseti desapareceu. Um outro assistente pessoal de Che, Hermes, foi assassinado, e Castellanos detido em 4 de março de 1964. Ele passou vários anos numa prisão argentina, onde soube da morte de seu chefe Guevara. De volta a Cuba ele se reintegrou ao Exército cubano, tomou parte na guerra de Angola e, mais tarde, juntou-se à guerrilha sandinista na Nicarágua. Hoje, é coronel reformado. Oscar Fernandes Mell Formou-se em medicina em 1956 e um ano depois caiu na clandestinidade, indo lutar na coluna do Che. Foi ele quem cuidou do braço ferido do Comandante que entrou na capital, Havana, com uma tipóia em 1959. Foi um dos mais íntimos amigos, sendo médico da sua família. Esteve com o Che na guerrilha do Congo. Hoje está com 65 anos, tendo sido embaixador na Grã-Bretanha e na Finlândia.
Enrique Oltusky
Era chamado "O Pequeno Polaco". Estudou arquitetura em Mimai e se graduou em 1954. No seu primeiro encontro com Che, manteve uma séria discussão sobre a questão "a revolução deve ficar escondida ou não". Che defendeu ardorosamente a posição de que devia se fazer a maior publicidade possível sobre o que se passava em Cuba. Em 1959, vencia essa questão, foi escolhido ministro das Comunicações do novo governo.
Oltusky acabaria acompanhando Che nas suas várias funções administrativas e foi , durante 20 anos , representante oficial da indústria de pesca cubana. Ele trouxe essa experiência gerencial dos tempos em que era executivo da empresa Shell, pouco antes de decidir pela clandestinidade.
Rogerio Acevedo Aos 56 anos, o Major General Rogelio Acevedo tem uma carreira militar extensa e bem - sucedida, tendo sido inclusive ministro de Armas e Tecnologia. Começou sob o comando de Che no verão de 1957, no vale de El Hombrito, no coração de Sierra Maestra.Rogelio tinha 16 anos e caiu para a clandestinidade junto com o irmão mais moço, Enrique. Ele considera o exemplo de Che vital na sua existência e na sua carreira. "Ele poderia ter conseguido a vitória e voltar para a Argentina, mas não, ele preferiu continuar trabalhando brutalmente, noite e dia, dormindo quatro ou cinco horas, para tentar organizar esta revolução de uma maneira dedicada e desinteressada".
Há sete anos, Rogélio foi colocado de maior autoridade da aviação civil em Cuba. "Eu não entendia nada de aviões, mas essa era uma tarefa e eu tinha que assumi-la, exatamente como o ´Argentino´ me ensinou ".
Jorge Serguera Rivieri Mais conhecido como "Papito Serguera" era advogado e doutor em filosofia e artes quando se juntou a guerrilha. Durante a campanha foi uma parceria assídua para Che nos jogos de xadrez. Depois da vitória costumava visitar Che no ministério e manteve o hábito: "Costumávamos jogar entre oito e dez partidas ".
Em 1963 foi indicado embaixador na Argélia. De lá ajudou a preparar os focos de guerrilha para Guevara no Congo e na Bolívia. Papito esteve com Che na sua segunda viagem à África, em fins de 1964 e começo de 1965. " Ele era humanista e um filósofo da História, com uma excepcional disposição para a ação". Serguera ocupou vários postos, desde diretor da Rádio e TV de Cuba até responsável por uma fábrica de lâmpadas.
José Manuel Manresa Nunca chamou Guevara pelo nome. Era sempre "o comandante". Servia na fortaleza de La Cabaña, quando Guevara instalou-se lá, durante a marcha para Havana.
Esteve com ele no Instituto de Reforma Agrária, depois no Banco Nacional de Cuba e no Ministério de Indústria. Se lembra que Che só permitia que os funcionários se alimentassem com a comida da cantina e fazia escândalo enorme caso flagrasse alguém se alimentando com "bugigangas" compradas na rua. "Era extremamente rigoroso com ele mesmo". Com a morte de Che, foi trabalhar no Ministério de Comércio Exterior.
Hoje está aposentado, com 70 anos.
Leonardo Tamoyo Núnez (Urbano) Ele chegou a Sierra Maestra com 15 anos. No primeiro dia que viu Che, o Comandante perguntou: "O que você está fazendo aqui?" "O mesmo que você", respondeu Tamayo.Esteve praticamente ao lado de Che durante 10 anos e sete meses . Aos 55 anos, Tamoyo ainda é um homem enérgico. É coronel e carrega no cinto a pistola russa CTDKNH 509, presente de Fidel. Foi um dos que escaparam atravessando o Andes: "Caminhamos 6 meses ".
Segundo conta , ao ser capturado, Guevara carregava US$ 20 mil. "Era o financiamento da revolução. Os militares bolivianos nunca declararam esse dinheiro". Hoje Tamayo trabalha com Ramiro Valdés.
Salvador Vilaseca Forné Ele tinha 50 anos e Guevara 31. Era professor de matemática e deu aulas para Che. Uma vez, viajando juntos pela Europa, Guevara pediu-lhe para comprar alguns livros em sebos. Vilesca perdeu um vôo marcado para Madri para atender o pedido. Depois de alguns dias, Che foi indicado presidente do Banco Nacional de Cuba. Che ligou, convidando-o a trabalhar com ele como diretor. "Eu não entendo nada de bancos", objetou Vilaseca. "Nem eu", respondeu Che. Vilaseca passou enato a dar aulas de matemáticas para Che, duas vezes por semana, às terças, das 8 às 9, e aos sábados, das 8 até o horário em que Che se cansava. Às vezes as aulas chegavam até a noite. Primeiro ensinou-lhe matemática elementar, depois álgebra, geometria analítica, cálculo diferencial, cálculo integral e equações. Em 1964, Vilaseca disse-lhe: "Não tenho mais nada a ensinar a você". Enato, por sugestão de Che, eles passaram a estudar juntos matemática avançada até Che partir para a guerrilha no Congo.
Vilaseca está com 88 anos. Aposentou-se como reitor da Escola Diplomática está escrevendo um livro: " O Che que eu conheci".
Enrique Acevedo Enrique Acedo estava com hepatite, em casa, quando foi informado de que dois jornalistas estrangeiros tinham procurado por ele para falar sobre o Che. O Brigadeiro Enrique Acevedo não hesitou. Minutos depois ele aparecia no Hotel Nacional de Havana usando jeans e camiseta T-Shirt. Trazia com ele o livro publicado há três anos, com suas lembranças do tempo em que serviu na guerrilha sob as ordens de Che. "O Descamisado" , uma homenagem ao Argentino.
Enrique subiu a Sierra Maestra aos 14 anos com seu irmão Rogelio, que tinha 16 na época. Ele tinha 17 quando Che soube que ele comprara dinamite de um revendedor norte americano. Como "punição", Guevara mandou-o para um curso universitário.
Anos depois, Orlando Borrego, na época ministro da Indústria Açucareira, convenceu Fidel Castro a mandar Enrique juntar-se à força guerrilheira de Che, na Bolívia. "Quando soube, Enrique deu pulos de alegria", lembra Borrego. A viagem acabou não se realizando. Guevara morreu antes.
Victor Bordón Foi pessoalmente o responsável pelo Movimento 26 de Julho na Sierra de Escambrey, onde Guevara chegou em outubro de 1958, comandando a coluna de 146 homens .
Depois de uma invasão de mais de 550 quilômetros, que tomara 47 dias de lutas, Bordón, que já tinha o titulo de "comandante", encontrou Che e colocou sob seu comando suas tropas, com mais de 300 homens. "Ele imediatamente me rebaixou, chamando-me de capitão". Mais tarde, depois de um duro combate, Che congratulou-se com ele. "Belo serviço, comandante". Ao que Bordón retrucou: "Capitão, não comandante". Guevara confirmou Bordón como Comandante e Bordón pediu-lhe que, sendo assim, aproveitasse a primeira reunião da tropa para comunicar essa decisão. "Um homem pode ser rebaixado em público e promovido em silêncio", respondeu Che.
Desde 1983, Bordón esta no comando da Comental, um consórcio de empresas com 840 trabalhadores.
Aleida March Foi a última mulher de Che e mãe de quatro dos seus cinco filhos. Aleida conheceu Che quando tinha 24 anos e era ativista clandestina do movimento 26 de julho na província de Las Villas. "Meu relacionamento com ele era apenas o de companheiros da mesma causa" lembra ela .
Depois da vitória da revolução ela casou-se com Che. "Eram tempos duros. Ele chegava em casa todas as noites às três, às vezes às quatro, ou mesmo as seis da manha. Não podia - mos ter o luxo de pensar numa casa para nós . Estávamos construindo uma nova sociedade!" - Aleida fala sem reprovações ou críticas.
Quando Che partiu para o Congo e depois para a Bolívia, eles continuaram a se corresponder sempre que possível. Antes de partir Guevara deixou-lhes varias cartas, uma para Fidel, outra para seus pais , e uma outra para os filhos do casal .Para Aleida , deixou uma fita gravada de 60 minutos com seus poemas preferidos de Pablo Neruda, César Vallejo, Nicolás Guilen e outros. "Nosso plano era encontrarmo - nos novamente na Bolívia, e depois, quando envelhecêssemos, iríamos lembrar de passagens da nossa própria história"
Trinta anos se passaram , Aleida está com 66 anos. Ela agora é encarregada do Arquivo Pessoal de Che em Havana. Todos os filhos fizeram carreiras universitárias. - Aleida é especializada em alergia, como o pai; Célia é veterinária ; Camilo e Ernesto são advogados
DISCURSOS
Che fala ao povo cubano na "Rádio Rebelde" durante a revolução TEXTO ORIGINAL: "Durante todos los meses... ya son dieciséis los meses que llevamos en la Sierra Maestra, han venido periodistas de muchas partes del mundo y se han preocupado de...digamos, la parte anecdótica de esta guerra de guerrillas. Hoy aprovecho la oportunidad de la visita de un periodista cubano para dar al pueblo de Cuba el primer saludo que tengo oportunidad de dar. Un pueblo que he decidido defender conociéndolo solamente a través de la acción y el pensamiento de nuestro jefe, Fidel Castro." TRADUÇÃO: Por todos os meses... nós havíamos ficado aqui em Sierra Maestra por dezesseis meses... muitos jornalistas de todas as partes do mundo vinham aqui e eles se preocupavam com... digamos, a parte anedotal dessa guerra de guerrilhas. Hoje, eu aproveito a oportunidade da visita de um jornalista cubano pra enviar a primeira saudação que eu tive chance de mandar ao povo cubano. Pessoas que eu decidi defender conhecendo apenas através dos pensamentos e ações de nosso comandante, Fidel Castro." Che em entrevista com a US-Television [1964]TEXTO ORIGINAL: "Lisa Howard: Así pues, Comandante Guevara, tenemos la impresión de que dos de sus problemas más importantes son esa dificultad a la hora de disciplinar al pueblo a un estado comunista y una especie de asfixiante burocracia... Che: Nuestros problemas ¿no? (asegurándose de que entendió bien) Lisa Howard: Sí Che: Nuestros dos problemas principales son: el imperialismo y el imperialismo. Entonces, después, pueden venir los demás. Pero ahora le puedo contestar a la pregunta que usted me hace." TRADUÇÃO: "Lisa Howard: Então, Major Guevara, tem se apresentado para nós que dois dos seus problemas essenciais são esta dificuldade de disciplinar as pessoas ao estado comunista e um tipo de burocracia sufocadora... Che: Nossos problemas, certo? (tendo certeza de que havia entendido a pergunta devidamente). Lisa Howard: Sim. Che: Nossos dois mais importantes problemas são o imperialismo e o imperialismo. Por isto, o resto pode vir mais tarde. Mas, agora, eu posso lhe dar uma resposta à pergunta que você faz."
O último combate.
Em novembro de 1966, Che chegou a La Paz, com documentos falsos, com o nome de Adolfo Mena, Enviado Especial da OEA, para realizar um estudo sobre as Relações Econômicas e Sociais vigentes no Campo Boliviano. A credencial foi fornecida pela Direção Nacional de Informações da Presidência da República. Nessa oportunidade, Che se apresentava bastante calvo e sem barba. Seu roteiro de viagem até La Paz incluiu Praga, Frankfurt, São Paulo e Mato Grosso.
O movimento guerrilheiro da Bolívia recebeu ajuda financeira, entre outros, de Cuba, Sartre e Bertrand Russel, que recolheram dinheiro nos meios intelectuais. Após onze meses de luta e uma série de peripécies, as guerrilhas foram dizimadas pelos "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim.
Che foi ferido na tarde do dia 7 de outubro de 1967, à 13:30, aproximadamente. Atingido em várias partes do corpo, orientou seus captores na colocação de torniquetes para estancar as hemorragias. Em seguida, foi levado para Higueras, lugarejo a 12 km do estreito do Rio Yuro, onde aconteceu sua última batalha. Deixaram-no abandonado, sem nenhuma assistência, numa sala vazia da escola local. Após 24 horas e numerosas consultas chega a ordem: Che Guevara deve morrer.
O capitão Gary Salgado, chefe da companhia de rangers do 2º regimento que o capturou, dispara-lhe nas costas um rajada de metralhadora, de cima para baixo. O Coronel Andrés Selnich, comandante do 3º Grupo Tático, dá-lhe o tiro de misericórdia, com sua pistola 9 mm. A bala atravessa-lhe o coração e o pulmão.
Está morto o símbolo da guerrilha na América Latina, que se achou mais útil ao seu povo servindo à causa da Revolução Internacional que à da Medicina.
A extinta TV Tupi foi a única emissora de televisão no mundo a filmar o corpo de Che. A equipe estava em Valegrande, em virtude de problemas com o carro que a transportava, a caminho de Camiri, onde haveria o julgamento de Régis Debray, companheiro de Che que havia sido preso quando chegou a notícia da morte de Che. Filmaram a chegada de helicóptero, que trazia o corpo do guerrilheiro amarrado na sua parte exterior, o povo que o esperava e em seguida sua autópsia realizada num casebre que servia de necrotério ao Hospital Senhor de Malta, em Valegrande.
"Um Ernesto Che Guevara magro, de barba rala, olhos muito abertos e um sorriso estranho nos lábios mortos", lia-se no Jornal da Tarde de 11 de outubro de 1967.
Logo após mostrarem o corpo aos poucos jornalistas que conseguiram chegar a tempo ao local, arrancaram-lhe o dedo indicador, não se sabe pra quê, e incineraram seu corpo, pois temiam um peregrinação ao seu túmulo.
Em 1971, Fidel Castro tentou trocá-lo por prisioneiros cubanos, mas a Bolívia se recusou a negociar.
"De Che nunca se poderá falar no passado." Fidel Castro.
VIDEOS RAROS
O Che e o "mate"
A palavra deriva de "matis". É uma infusão de uso comun na América Latina, principalmente na Argentina, Paraguai e Uruguai. A erva mate (Ilex paraguariensis) é uma planta perennifolia que cresce em forma espontânea no sul do Brasil, no Paraguai e no norte da Argentina.
As folhas de "yerba mate" secam-se e processam-se como o chá. Serve-se tradicionalmente num recipiente que se obtém de uma parte da casca da aboborinha e se chupa através de uma palhinha chamada "bombilla".
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