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domingo, 17 de novembro de 2019

Ainda sou do tempo....




Eu ainda sou do tempo em que o que havia era as Testemunhas de Jeová: duas senhoras pálidas, feias como os trovões, a quem a gente fechava educadamente a porta na cara duas vezes por ano. E metiam dó, pobres infelizes. A malta ria-se um bocadinho e depois pronto, siga.
Não sabíamos que se preparavam para assumir a natureza que agora sabemos ser a sua: uma horda intratável de sociopatas milenaristas, delirantes, cretinos, vociferantes, violentos e letais. E maus.
Agora é tarde.
Mais de metade do continente americano já sucumbiu à peste. A África vai a caminho.
Detalhe curioso: o novo proselitismo já não tem origem na Velha Europa cristã, ao contrário das Cruzadas medievais. Nasce no seio das comunidades de colonos europeus no Novo Mundo, no momento histórico em que a demografia, o conhecimento e a política ameaçam o seu secular estatuto de casta minoritária privilegiada, com jurisdição natural & inquestionável sobre as comunidades conquistadas, submetidas, racializadas, humilhadas e (julgavam eles) resignadas com o lúgubre destino que lhes coube em sorte. Pelo caminho, recordemos, tinham inventado a imaginosa ficção das pátrias independentes, "anti-coloniais", crioulas e mestiçadas, que esconderam por algum tempo o regime geral de "apartheid", mais notório nuns países que noutros. Erguido o diáfano véu da fantasia, restou-lhes este regresso tardio & grotesco ao obscurantismo, um instrumento com pergaminhos inegáveis no que toca a sancionar barbaridades com a autoridade de vetustos textos atribuídos a velhos profetas de umas tribos levantinas do tempo da maria caxuxa.
O que nos vale é que nada fica como está. Nada. Isto passa.


Vasco Pimentel

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