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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Em pleno Algarve faz-se uma viagem às profundezas da terra para visitar o Mar de Tethys com 230 milhões de anos transformado em sal gema....






VIAGEM ÀS PROFUNDEZAS DA TERRA

Em pleno Algarve, próximo de Loulé, existe um sítio que é – simultaneamente – uma maravilha da Natureza e da Técnica Humana. Trata-se de uma mina de sal gema.



 

A aventura inicia-se à superfície. E exige cuidados e equipamentos de segurança próprios.



A viagem até ao interior da mina começa na jaula - um elevador montado na torre que foi construída no topo de um dos poços de acesso à mina. Daí até às profundezas da Terra demoram-se quatro minutos. Quatro minutos de obscuridade, apenas rompida pelos feixes das lanternas mineiras. Quando o elevador finalmente pára, estamos a 230 metros de profundidade.

Esta é uma descida feita, quase diariamente, por Alexandre Andrade, director técnico da mina. Que é perentório em garantir que não existe local mais seguro e ameno. É que, no interior desta mina de sal, as condições são muito estáveis: a temperatura mantém-se nos 23 graus e a humidade escasseia.
 
 

Mas esta não é uma mina qualquer, é um monumento geológico único, que nos conta a história deste local da Terra nos últimos 230 milhões de anos. É um local onde se trabalha com dureza e intensidade, com a paixão própria de mineiros abnegados. Mas é, também, um sítio único no País – onde a história do planeta está gravada nas rochas. É, por isso, um local de visita obrigatória para todos aqueles que se interessam pela Ciência.




Quando se inicia a caminhada, as surpresas espreitam a cada esquina. Ou melhor, em cada galeria. É que, por aqui, tudo é sal-gema: o chão, as paredes, o tecto. Sal de cor rosada, compacto e duro.

A outra surpresa é a dimensão dos corredores abertos na rocha – com mais de quatro metros de altura e cerca de dez metros de largura. E, desde que aqui se começou a minerar o sal-gema, já se abriram quase 40 quilómetros de galerias.





Na frente de mina, onde tudo acontece, a segurança dos mineiros e da instalação está em primeiro lugar. A utilização dos explosivos civis foi banida e, na frente de exploração, o desmonte do sal é feito por uma roçadora – o que torna o trabalho mineiro muito seguro.


Até há algumas décadas, todo este sal seguia para a indústria química - que o usava como matéria-prima na produção de cloro. Actualmente, a sua utilização é bem diferente. O sal extraído desta mina é usado na segurança rodoviária, promovendo o degelo das estradas, e na alimentação animal, como aditivo das rações.




Mas, nesta imensidão de galerias, existe espaço para outras actividades. A CUF sabe que uma mina como esta não tem apenas interesse para a Indústria. Pode – e deve – abrir-se à Comunidade. Motivo pelo qual, todos os anos, a mina de sal gema de Loulé integra o programa nacional de Geologia de Verão – promovido pela Ciência Viva.



Os visitantes são sempre recebidos pelo director técnico da mina, que faz questão de partilhar o seu saber - satisfazendo a ânsia de conhecimento dos mais curiosos.



É num longo percurso de três horas que os visitantes ficam a saber que este domo salino se formou ao longo de um período de 230 a 150 milhões de anos. E que, antes disso, toda esta área era mar. O continente estava bastante mais recuado e existiu, neste local, um cordão de lagunas litorais inseridas num mar embrionário pouco profundo – o Mar de Tethys.




Com os movimentos naturais da Terra, toda a paisagem se modificou e esse mar deu origem ao Mar Mediterrânico e ao Oceano Atlântico. E o sal ficou preso debaixo de camadas de rochas mais recentes, constituídas por calcários e arenitos.


Explicações à parte, o quotidiano destes mineiros é preenchido pela extração de sal. Essa é a sua missão. A sua vida.





O sal, depois de desmontado e recolhido pela roçadora, segue por camião para a crivagem e moagem. É a única transformação que esta matéria-prima aqui sofre. A granulação final irá depender da finalidade a que se destina. Só depois é carregado e enviado para a superfície.

Por ano, nesta mina existe a capacidade de extrair até cem mil toneladas de sal. Presentemente não é este o valor atingido. Mas, a este ritmo, este domo salino situado debaixo da cidade de Loulé ainda tem sal para os próximos três mil anos de exploração industrial.

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