Por vezes, o silêncio impõe-se-nos (será isso que nos vai acontecer com o filme de Scorcese?). É a reacção aos excessos de mundo às avessas em que comunicação vai sendo pródiga… e barulhenta. Avassaladora (avacalhadora?). Por morte adiada e cerimónias exéquias de uma figura pública, por crises futebolísticas até à iseria, por tomadas de posse de poses e falas espúrias provocando espectaculares manifestações de malmequeres (muito, pouco ou nada), algumas quiçá solertes.
Tudo parece de pernas para o ar, e a exigir silêncio inhabitual e pausa de escola, como a que calorosa amizade nos colocou nas mãos, a lembrar Galeano (e outros) na colecção nosso mundo da editora caminho.
Bem oportuna lembrança para este domingo, em que mal acordámos com a leitura (ou mal adormecemos num fim de sábado) de que “o mundo está hoje muito mais perigoso”… porque a Casa Branca de Washington tem um novo (e desastrado) morador em resultado da aplicação estrita das regras de cidadania dos Estados Unidos da América.
E temos dificuldade em começar o dia, e outros trabalhos e tarefas, sem uma paragem no (relativo) silêncio que nos impusemos sem uma afirmação peremptória:
Não foi o mundo que ficou mais perigoso por os cidadãos estado-unidense terem aquele presidente, foi por o mundo estar cada vez mais perigoso que os Estados Unidos têm um presidente como aquele.
Não se valorize tanto o homem, demonizando-o, tome-se consciência do que está antes e por detrás dele, e como ele é um mero reflexo de insanáveis e contraditórias contradições (redundância voluntária…) de um sistema de relações sociais, que está nas nossas mãos superar. E que assim será, com custos humanitários agravados pelo tempo de sobrevivência.
Via: anónimo séc. xxi http://bit.ly/2jMUKBs
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