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quinta-feira, 17 de maio de 2012

odeio - poema de António Garrochinho


odeio os muros
os labirintos escuros
os dias já antecipadamente desenhados
os discursos 
para os ursos domesticados
odeio a mentira
a da Joana
com os seus conselhos e recados
os choros
os namoros
sempre com os mesmos namorados
odeio a trapaça
a fumaça
as bocas, os olhos de espanto
dos esfomeados
os sem abrigo
que como castigo
estão a cada esquina
em todos os lados
odeio os servis
com aquele ar feliz
de resignados
odeio os que não odeiam
os chefes, os cristos, os iluminados
odeio os carrascos
odeio os crucificados


António Garrochinho

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