A CDU/Porto acusou hoje o PS de se “fazer de vítima” na Comissão de Inquérito da Arrábida, após divulgar uma “proposta de relatório” para “impor as conclusões” dos socialistas, nomeadamente numa “tentativa de salvaguardar Rui Rio”, líder do PSD.
“O problema é que o PS, entregando a proposta de relatório à comunicação social (antes de a mesma ter chegado ao conhecimento de todos os membros da comissão, e violando grosseiramente a decisão de confidencialidade,) quis, antidemocraticamente, impor as suas conclusões àquelas que a comissão viesse a tirar”, afirma a CDU do Porto num comunicado sobre a demissão do PS da Comissão Eventual de Inquérito da Arrábida criada pela Assembleia Municipal (AM) do Porto para averiguar as construção junto à escarpa.
Para os comunistas, “é este comportamento que é reprovável, e não o relatório do relator, que é legítimo, independentemente de a CDU discordar de partes significativas”, nomeadamente considerando “precipitada a conclusão de que Rui Rio [ex-presidente da Câmara do Porto] não conhecia o processo” da Arrábida.
“Não pode o PS fazer-se de vítima, quando foi o seu desqualificado comportamento que procurou impor conclusões, manipular a comunicação social, enganar a opinião pública e sacudir a água do capote das responsabilidades que, como partido, tem em todo este vergonhoso processo”, afirmam os comunistas.
De acordo com a CDU, “face aos elementos já conhecidos, a ‘conclusão’ [incluída no relatório do relator escolhido unanimemente pela comissão, Braga de Carvalho, do PS] de que Rui Rio não conhecia o processo é precipitada, não deixando de ser curiosa esta sintonia do Bloco Central de interesses na tentativa de salvaguardar Rui Rio”.
A CDU “reafirma o seu empenhamento na prossecução dos trabalhos da comissão até ao integral cumprimento do mandato que lhe foi conferido pela AM”, recusando condicionar-se “por manobras” para “impedir o cabal esclarecimento da verdade”.
Os comunistas dizem que a participação na comissão “foi feita sem o objetivo de provar teses previamente assumidas”, mas de “recolher elementos que explicassem o que verdadeiramente se passou no complexo processo” da escarpa da Arrábida.
Em relação ao caso, “sabe-se hoje”, segundo a CDU, “que esteve, por alturas da aprovação do seu PIP [Pedido de Informação Prévia] de 2009, umbilicalmente ligado ao processo do Parque da Cidade”.
Para a CDU, era “evidente” que, “mais tarde ou mais cedo”, PSD e PS “iriam tentar boicotar os trabalhos da comissão”, “inventando pretextos para o fazerem sem assumirem as verdadeiras causas”.
Segundo os comunistas, “foi assim com o PSD, que a pretexto de um convite” a Rui Rio “para prestar esclarecimentos”, abandonou a comissão.
“Foi, agora, assim com o PS, a pretexto da ‘destituição’ do Relator da comissão”, acrescentam.
A CDU esclarece que, “de acordo com o planeamento dos trabalhos […], o relator apresenta uma proposta de relatório que, depois, será apreciada, alterada, aprovada ou rejeitada pelos membros da comissão”.
“A partir do instante em que a proposta de relatório é apresentada à comissão torna-se esta própria, através da sua apreciação da mesma, relatora da redação final”, observam.
Assim, para a CDU, “as propostas elaboradas pelo Relator, sendo legítimas, apenas responsabilizam o seu autor e não a Comissão”.
O PS divulgou hoje ter abandonado a comissão de inquérito às construções na Arrábida, após o grupo municipal de Rui Moreira “recusar discutir o relatório” do relator, Braga de Carvalho, apresentando ainda uma “proposta ultrajante” para o demitir, “com aprovação garantida graças à maioria absoluta” do independente.
A Comissão Eventual de Inquérito foi criada em outubro “para apurar da legalidade dos procedimentos da [empresa] Arcada [na Arrábida] e sua relação com os Acordos do Parque da Cidade”, assinados durante os mandatos do social-democrata Rui Rio, antecessor do independente Rui Moreira na presidência da Câmara do Porto.
A obra em curso, situada na escarpa a jusante da Ponte da Arrábida, está pelo menos desde abril a ser investigada pelo Ministério Público, segundo informações dadas à Lusa pela Procuradoria-Geral da República.
A Comissão Eventual ficou inicialmente constituída por seis membros da AM, um de cada grupo municipal (movimento de Rui Moreira, PS, PSD, CDU, BE e PAN), com poder de voto “proporcional” à respetiva representação naquele órgão autárquico.
A Lusa divulgou no domingo que, segundo o “relatório final” do relator da Comissão, que ainda não tinha sido votado, “a comissão conclui dever a Câmara ponderar seriamente declarar a nulidade do deferimento do PIP de 13 de fevereiro de 2009 e consequente processo administrativo”.
No documento, escreve-se que “a Comissão Eventual da Arrábida, conclui mandatar o presidente da AM para que remeta o presente relatório final para os serviços do Ministério Público”.
No mesmo documento, “a comissão conclui reconhecer a existência de uma relação entre o procedimento administrativo […] do projeto da Arrábida e a celebração de Acordos […]no âmbito do Parque da Cidade”, sem “intervenção” de Rui Rio.
24.sapo.pt
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