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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Casebre sem água nem luz era sede de empresa que faturou 16 milhões






www.jn.pt


Rede com 23 arguidos acusada de lesar o Estado em cerca de 10 milhões de euros em negócios de compra e venda de ouro.


Um pequeno casebre, sem água nem eletricidade, situado num terreno junto a um bairro, no concelho de Mira, era a sede de uma empresa de comércio de ouro que, em apenas um ano, faturou 16 milhões de euros a uma outra firma, recentemente acusada pelo Ministério Público numa gigantesca fraude fiscal. O caso envolve uma rede de 23 arguidos suspeita de ter lesado o Estado em cerca de dez milhões de euros.


Chama-se "Pérolas em Movimento", foi criada em 2010 e nunca entregou qualquer declaração de IVA ou de IRC à Autoridade Tributária (AT). Mas só no ano de 2012 passou a uma grande empresa exportadora de ouro faturas de vendas no valor total de 16 330 260 euros. 

Essa firma, a Goldropa, com sede no Porto e instalações em Gondomar, foi investigada pela Direção de Finanças do Porto e estava no centro da fraude ao Fisco.
De acordo com a acusação da responsabilidade do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, o esquema passava pela emissão de faturas falsas destinadas a reduzir os impostos a pagar ao Estado ou a conseguir reembolsos indevidos de IVA. Algumas das "faturas de favor" também serviriam para encobrir, nas contabilidades oficiais das empresas, compras de ouro feitas sem recibos.


34 milhões de euros

Segundo o Ministério Público, a investigação das Finanças apurou que a Goldropa recorreu a um ourives de Lisboa, Pedro Oliveira, para obter faturas falsas. Este terá criado três empresas de fachada através das quais emitiu, entre entre 2011 e 2012, perto de 34 milhões de euros de faturas que não correspondiam a transações reais. Uma dessas empresas era a Pérolas em Movimento, com sede no casebre de Mira e que tinha como gerente José Oliveira, natural de Gondomar, um testa de ferro que aceitou o "cargo".


Dono recebeu 150 euros

O dono do casebre, entretanto falecido e descrito por um vizinho como alcoólico, terá concordado, a troco de 150 euros, em servir de "caixa de correio" da Pérolas em Movimento, que viria a faturar mais de 16 milhões de euros.


"Esta casa não tem água, nem luz há pelo menos 20 anos. Viviam lá duas pessoas, mãe e filho, que já faleceram. Ela há bastante tempo e ele há cerca de dois anos. Nunca tiveram uma empresa de ouro", disse ao JN Rafael Silva, de 30 anos, morador no Bairro do Areeiro, estupefacto com a notícia de que o casebre era sede de uma empresa milionária.
Para além desta "firma-fantasma", o ourives de Lisboa é acusado de ter criado outras duas. Numa delas, a Oxipartículas, usou a documentação de uma cidadã brasileira que conheceu num bar para obter o registo e sediar a firma em Braga.


Esta mulher não apresentava declaração de rendimentos de IRS desde 2009, nem tem património em Portugal. Também neste caso, a empresa nunca exerceu atividade, nem entregou ao Fisco qualquer declaração de IVA ou IRC. Existia apenas para emitir as "faturas de favor", o que fez, no montante de perto de 17 milhões de euros.
Exportadora
A principal empresa visada no processo exportava ouro usado para Espanha, Itália e Bélgica. Foram largas dezenas de milhões de euros de vendas ao longo dos anos. A empresa foi investigada pelo Fisco entre 2009 e 2012.

Penas acessórias


O Ministério Público pede que os arguidos sejam condenados a penas acessórias de proibição do exercício de profissões ligadas ao setor do ouro e que as firmas sejam sujeitas a dissolução, no caso de se provar que foram constituídas para cometer crimes fiscais.


Caução milionária


Pedro Oliveira, o ourives, residente em Lisboa, acusado de ter criado as empresas-fantasma para iludir o Fisco, foi obrigado a prestar uma caução de 400 mil euros para sair em liberdade quando foi detido, em novembro de 2014. Ficou proibido de se ausentar para o estrangeiro e de exercer qualquer atividade ligada ao setor do ouro, como gerir empresas retalhistas, de penhor ou de fundição do metal precioso.

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