Bandalho: Pedaço de nada. Repelente gelatina. O bandalho não é parido, é cagado. Sem esqueleto. Nunca se sabe se é um verme ou um cagalhão. O bandalho é o sargento do canalha. Vende a alma ao diabo e negoceia delações com o padre da freguesia. O bandalho é um traidor por vocação. Tem o sangue envenenado. É impotente. O bandalho é um provinciano, feições de matarruano, linguajar grosseiro, ambição desmedida. Antes de ser canalha, já tem delineado o projecto de vingança na rua, no bairro, na aldeia ou na cidade. Digamos que é o seu exame final quando lhe oferecem um lugarzinho subalterno onde possa exercer um pequeno poder. Começa por humilhar os parentes, trai os amigos, denuncia os vizinhos a troco de falsas promessas e palmadinhas nas costas. É investido de um poder que nunca terá. Chega a ser arrogante no vestuário por mimetismo extravagante do canalha superior. Invade desde cedo as juventudes partidárias da direita e da extrema-direita. Não se lhe conhece profissão. Salpica os parlamentos para fazer o trabalho sujo. É assumidamente porco. Quando recebe o prémio pelos bons serviços ao canalha, o bandalho consegue, por vezes e temporariamente, um lugarzinho nas televisões como comentador. É a voz do dono. É um cão tinhoso. Contrata, em nome do canalha, os sacanas. E vai construindo a sua teia de filhos de puta que um dia serão canalhas, pulhas, patifes. À mesa da corrupção comem bifes.
Luis Filipe Sarmento

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