Vila de Ameijoas
Põe-se uma pedra no centro de uma chapa ou de uma lage.
As amêijoas dispõem-se com a boca para baixo, em cima da chapa e à volta da pedra, à qual se vão encostando as amêijoas, uma a uma, fazendo circunferências concêntricas de dentro para fora. Em cima coloca-se caruma dos pinheiros ou outras vides bem secas e dá-se fogo.
A boca da amêijoa é sempre voltada para baixo (para a chapa), exactamente para não sujar a amêijoa quando esta abre com o calor.
Repare-se que este é um dos poucos pratos em que o calor vem de cima e não de baixo.
O fogo deve ser tirado com cuidado, com um abano de empreita feita com a palma dos que se usam nas cozinhas. Nesta operação de retirar o fogo todo o cuidado é pouco, para não desmanchar a Vila ou desviar as pedras que se lhe puseram em torno para segurar as amêijoas. Com o capacho ou abano de empreita abana-se até tirar todo o lume, devendo a Vila ficar tão limpa que não fique nela a mais pequena brasinha.
Conhece-se que as amêijoas estão assadas quando delas escorre a água que contém, ao se abrirem com o calor do fogo.
Regam-se com limão o que lhes dá um sabor especial.
Assim surgiu a famosa "vila de amêijoas", prato típico da semana da Páscoa em Olhão mas também muito habitual em piqueniques que os olhanenses em tempos faziam nos Pinheiros de Marim.
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| Charrinhos alimados
Ingredientes:
carapaus médios ou pequenos
salsa alhos azeite vinagre sal pimenta e malagueta q.b.
Amanham-se os carapaus ou charrinhos (pequenos carapaus), tiram-se-lhes as cabeças e os rabinhos e salgam-se, dispondo-os dentro de um prato de esmalte, em camadas alternadas com muitíssimo sal grosso, sendo a primeira e a última camada de sal. Tapam-se com outro prato de esmalte, em cima do qual se põe um objecto muito pesado, como por exemplo um vaso com uma planta. O objectivo é endurecer o peixe por compressão, deixando-se assim o peixe até ao dia seguinte, num local onde possa escorrer o líquido que deitam. Lava-se então e mergulham-se rapidamente num tacho que esteja ao lume com água a ferver. Mal torna à fervura, escorrem-se, passam-se por água fria e, cuidadosamente, limam-se, isto é, limpam-se de pele, serrilhas, barbatanas e quaisquer outras espinhas que possam retirar-se sem os desfazer. Devem ficar branquinhos e rijos. Dispõem-se numa travessa, cobrem-se com um pouco de água a ferver, regam-se com um fio de azeite e outro de vinagre, salpicam-se com salsa, pimenta, pedacinhos de malagueta e alhos picados e rodeiam-se com batatinhas cozidas. Há quem tempere a água a ferver com um raminho de orégãos, o que contribui bastante para enriquecer o aroma.
Fonte: Berta Rosa-Limpo, Jorge Brum do Canto, Maria Manuela Limpo Caetano. O livro de Pantagruel, Temas e Debates, 49ª Ed., ISBN 972-759-096-9, 1997 |
Ingredientes:
1 kg de lulas médias 100 g de presunto 150 g de chouriço de carne ou linguiça 2 dl de azeite 2 cebolas 2 dentes de alho 1 folha de louro 1 ramo de salsa 500 g de tomate sal e pimenta q.b. Limpam-se as lulas deixando-lhes os sacos intactos. Picam-se os tentáculos das lulas juntamente com o presunto e o chouriço. Num tacho, leva-se a alourar uma cebola e os dentes de alho, finamente picados, com 1 dl de azeite, meia folha de louro e o ramo, quase inteiro, de salsa. Quando a cebola estiver macia, adiciona-se metade do tomate, limpo de peles e grainhas, cortado em bocados. Deixa-se cozer e, quando este preparado estiver apurado, acrescenta-se o picado de lulas, chouriço e presunto. Deixa-se cozer cerca de 10 a 15 minutos. Com cuidado, enchem-se os sacos das lulas sem ser em demasia e fecham-se com palitos de madeira. Num tacho de barro colocam-se a cebola, o tomate e a salsa restantes picados, o louro, sal e pimenta e 1 dl de azeite. Dispõem-se as lulas por cima deste preparado e cobre com o recheio que sobrar. Tapa-se o tacho e levam-se as lulas a cozer em lume muito brando.
Acompanhamentos: acompanham-se com batatas fritas em palitos.
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Coelho com feijão-vermelho à Moda de Olhão
Limpa-se o coelho e corta-se aos bocados. Coze-se o feijão depois de demolhado. Faz-se um refogado com a cebola e os dentes de alho picados, o azeite, a folha de louro, a salsa e o sal. Quando a cebola estiver loura, junta-se o coelho, que refoga um pouco. Em seguida adiciona-se um pouco de água e deixa-se cozer o coelho com o tacho tapado. Quando cozido, acrescenta-se o feijão e uma porção de água da cozedura do mesmo. Ferve um pouco, para apurar, e por fim junta-se ao molho a farinha torrada desfeita numa chávena de café de água da cozedura do feijão. Logo que esteja cozida, está pronto.
Ingredientes:
1 coelho 0,5 l de feijão-vermelho 1 cebola grande 3 dentes de alho 1 dl de azeite 1 folha de louro Água 1 ramo de salsa 15 g de farinha torrada sal q.b. |
Polvo grelhado à Moda de Olhão
Lava-se o polvo, para tirar toda a viscosidade, e bate-se bem. Congela-se um ou dois dias, para ficar mais tenro. Depois de descongelado, tempera-se com sal e grelha-se aberto ao meio, em brasas. Depois de grelhado, corta-se aos bocados. Coloca-se numa travessa e rega-se com molho de azeite e vinagre, batido com cebola picada e temperado com sal, pimenta e pimentão-colorau.
Ingredientes:
1 polvo médio 1 colher de chá de pimentão-colorau 1 cebola pequena Azeite e vinagre sal e pimenta q.b. |
Salada de ovas à Moda de Olhão
Cozem-se as ovas em água temperada com sal. Cozem-se também as batatas com casca, as cenouras e as ervilhas. Tiram-se da água, cortam-se as ovas, as batatas, os ovos, e as cenouras às rodelas e juntam-se as ervilhas. Temperam-se com azeite e vinagre batido com cebola picada. Envolve-se bem e serve-se fresca.
Ingredientes:
400 g de ovas de pescada 400 g de batatas 200 g de cenouras 200 g de ervilhas 1 cebola média 2 ovos cozidos Azeite e vinagre sal q.b. |
Açorda de petinga à Moda de Olhão
Amanham-se as sardinhas (recomenda-se escamar, retirar as cabeças e tripas).
Num tacho, leva-se ao lume o azeite com a cebola e os dentes de alho picados, o pimento cortado aos quadrados e a folha de louro.
Refoga um pouco e misturam-se os tomates sem peles nem sementes, que fervem até desfazer.
Adiciona-se a água. Quando levantar fervura, juntam-se as sardinhas, temperam-se com sal e pimenta, tapa-se o tacho e deixam-se cozer, o que é rápido.
Numa terrina, sobre o pão cortado às fatias finas, deita-se o caldo e as sardinhas.
Ingredientes:
600 g de sardinhas pequenas 1 cebola 2 dentes de alho 1 pimento verde 1 folha de louro 2 tomates maduros 0,5 dl de azeite cerca de 1 l de água 200 g de pão duro tipo caseiro sal e pimenta qb. |
O litão é um peixe seco muito consumido em Olhão para a ceia do Natal.
Lava-se o litão e deixa-se demolhar durante 1 dia com algum sal. Num tacho, dispõe-se em várias camadas sequenciais: 1º- um pouco de azeite, cebola, dentes de alho picados, salsa, pimento cortado aos quadrados, tomates sem peles nem sementes, um pouco de folha de louro; 2º - batatas cortadas às rodelas; 3º - litão. Repete-se esta sequência 2-3 vezes. Tempera-se com sal e pimenta, acrescenta-se muito pouca água, tapa-se o tacho e deixa-se cozer. Ingredientes para 8 pessoas: meia dúzia de litão seco (cerca de 250gr) 3-4 cebolas 4 dentes de alho 2 pimentos verdes 1 folha de louro salsa 4 tomates maduros 0,5 dl de azeite 500 g de batatas sal e pimenta qb. |
Bacalhau à Lucinda
Ingredientes para 4 - 5 pessoas:
500 gr de bacalhau 700 gr de batatas fritas 1 cebola grande 1 dl de azeite 3 ovos cozidos molho de tomate: 1 cebola grande, 2 dentes de alho, 1 folha de louro, 1 dl de azeite, 9 tomates maduros, sal. molho branco: 60 gr de manteiga, 30 gr de farinha, 4,5 dl de leite, 1 dl de natas, noz-moscada, sal.
A Lucinda Sara, falecida em 2007, fazia nos anos de 1950-90, para festas de casamentos e baptizados , um bacalhau que se assemelha ao bacalhau com natas, mas que tem adicionalmente um molho de tomate. Aliás, segundo alguns, o bacalhau com natas é um mero sucedâneo simplificado, só criado posteriormente a este prato.
Para fazer este bacalhau, é necessário preparar previamente e em separado dois molhos - o molho de tomate e o molho branco -, cozer o bacalhau e três ovos e, finalmente, fritar batatas às rodelas.
O molho de tomate prepara-se do seguinte modo: corta-se 1 cebola grande e 2 dentes de alho às rodelas finas, e mistura-se com 1 folha de louro e 1 dl de azeite. Põe-se ao lume e, logo que a cebola esteja loura, junta-se 9 tomates maduros, cortados e sem peles nem sementes. Deixa-se cozer e tempera-se com sal.
O molho branco prepara-se do seguinte modo: põe-se ao lume e mexe-se bem para misturar 60 gr de manteiga com 30 gr de farinha. Quando a manteiga estiver derretida adiciona-se 4,5 dl de leite, tempera-se com sal, noz-moscada e vai-se mexendo até engrossar, após o que se junta 1 dl natas.
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Agora que temos os 2 molhos já preparados poderemos iniciar a confecção do prato propriamente dito: leva-se ao lume até amolecer num dl de azeite, 1 cebola grande cortada às rodelas finas. Junta-se o bacalhau previamente cozido, às lascas e sem peles nem espinhas, e adiciona-se o molho de tomate, batatas fritas às rodelas (grossas) e ovos cozidos picados.
Põe-se esta mistura num recipiente que possa ir à mesa e ao forno, cobre-se com o molho branco e vai ao forno até o bacalhau tostar um pouco.
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Raia alhada
Ingredientes para 4 pessoas:
1 bom ramo de coentros 4 postas de raia 1 colher de sopa de farinha de trigo 1 colher de chá de colorau 1 folha de louro 5 dentes de alho sumo de limão q.b. 2 dl de azeite 2 chávenas e 1/2 de água quente (almoçadeira) fatias de pão caseiro ou batatas e couves
Limpar bem a pele, amanhar e partir as postas e lavar bem.Tempere o peixe com sal e sumo de limão.
Leve um tacho ao lume com o azeite e os dentes de alho pisados, deixe fritar levemente em lume médio, quando estiverem louros mas não queimados, junte a farinha e mexa bem, adicione o colorau e de seguida a água quente em fio mexendo continuamente. Junte depois a folha de louro os coentros picados. Tempere de sal e junte as postas de peixe, deixe cozer em lume moderado sacudindo o tacho uma vez por outra. Quando estiver cozido o que leva + ou - 20 minutos, rectifique os temperos e sirva acompanhado de fatias de pão caseiro e se gostar batatas e couves cozidas | Uma proposta em vídeo: |
Leite-creme à Moda de Olhão
Ingredientes:
300 gr de açúcar 1 litro de leite 6 gemas 20 gr de farinha maisena 100 gr de açúcar para queimar
Aloura-se primeiro 100 gr de açúcar num tacho ao lume e, no final, adiciona-se um pouco de água e ferve-se até desfazer (uma alternativa mais cómoda é comprar caramelo já feito). Enquanto o caramelo amorna pode-se iniciar a preparação do leite-creme propriamente dito: bate-se 1 litro de leite com 6 gemas de ovo, mistura-se tudo com cerca de 300 gr de açúcar e 20 g de farinha maisena. A seguir mistura-se com o caramelo já frio, mexendo-se bem.
Leva-se tudo a lume brando, mexendo sempre até engrossar.
Deita-se em taça e, quando frio, põe-se por cima uns montinhos de açúcar, que se queimam com um ferro em brasa.
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Folhados à Moda de Olhão
.Ingredientes:
1Kg de farinha60 g de fermento de padeiro Sumo de 2 laranjas Cerca de 1,5 dl de água Sal 125g de banha Manteiga para barrar (250gr) 1 cálice de aguardente Açúcar e canela para polvilhar.
Mistura-se a farinha com 125 gr de manteiga, a banha, o sumo das laranjas, 1 cálice de aguardente e água com algum sal. Desfaz-se o fermento numa pequena porção de água morna e amassa-se com a farinha. Para isto será melhor espalhar a farinha, fazendo uma cova no centro e colocar aí o fermento. Para amassar o fermento retire a farinha da periferia para o centro. Amassa-se muito bem. Tiram-se bocados de massa do mesmo tamanho e fazem-se bolas, que se estendem com o rolo até formarem tiras muito fininhas, compridas e com cerca de 10-15 centímetros de largura (deverá ter uma largura um pouco menor que o pau que referiremos em seguida). Barra-se muito bem cada tira com manteiga e polvilha-se abundantemente com açúcar e um pouco de canela. Enrolam-se num pau fininho como um lápis, sobrepondo a massa e apertando (o açúcar fica para dentro). Puxa-se o pau com cuidado e corta-se o cilindro de massa com uma faca molhada em rodelas com cerca de 1 centímetro de altura. Deixa-se levedar estas rodelas durante 3 horas cobertas com um pano de lã. Colocam-se ao alto em tabuleiros untados com manteiga e vão a forno quente a cozer. Tiram-se quentes do tabuleiro, com a ajuda de uma faca, despegando com cuidado, para não se partirem.
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Folar à Moda de Olhão
Ingredientes:
1Kg de farinha 60 g de fermento de padeiro Sumo de 2 laranjas Cerca de 1,5 dl de água Sal 125g de banha Manteiga para barrar (250gr) 1 cálice de aguardente Açúcar e canela para polvilhar.
É semelhante à receita anterior dos folhados.
Mistura-se a farinha com 125 gr de manteiga, a banha, o sumo das laranjas, 1 cálice de aguardente e água com algum sal.
Desfaz-se o fermento numa pequena porção de água morna e amassa-se com a farinha. Para isto será melhor espalhar a farinha, fazendo uma cova no centro e colocar aí o fermento. Para amassar o fermento retire a farinha da periferia para o centro. Amassa-se muito bem.
Tiram-se bocados de massa do mesmo tamanho e fazem-se bolas, que se estendem com o rolo até ficarem circulares e planas, com cerca de 10 cm de diâmetro.
Barra-se muito bem cada círculo com manteiga e polvilha-se abundantemente com açúcar e um pouco de canela. Sobrepõem-se vários círculos uns por cima dos outros. Deixa-se levedar durante 3 horas coberto por um pano de lã. Coloca-se num tacho untado com manteiga e novamente polvilha-se abundantemente com açúcar e um pouco de canela.
Vai a forno quente a cozer. Tira-se quente do tabuleiro, com a ajuda de uma faca.
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| Pudim de mel
Ingredientes para 5 pessoas:
5 ovos inteiros 200 gr açúcar 1 colher sopa de mel 1 colher de sopa de azeite
Mistura-se os ingredientes e bate-se bem.
Põe-se a mistura bem batida numa forma anti-aderente, previamente untada com manteiga.
Coloca-se ao forno a cozer.
Depois de cozido deve-se retirar do forno apenas quando já tiver esfriado completamente.
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| Doce do Convento
Ingredientes:
100 gr de farinha 50 g de amêndoa 1 l de leite açúcar q.b. água de flor de laranjeira q.b.
Muito tradicional em Olhão e Tavira. Uma reminiscência conventual de séculos passados.
Toma-se uma tigela grande e deita-se lá dentro 100 gr de farinha. Junta-se a pouco e pouco um litro de leite (menos uma chávena). Desfaz-se a farinha muito bem com uma colher.
Passam-se 50 gr de amêndoa moída que se põem a amolecer na chávena de leite que se retirou no início. Junta-se a amêndoa amolecida à farinha desfeita no leite, açúcar a gosto e uma colher de água de flor de laranjeira.
Vai ao lume numa caçarola, sempre a mexer-se com a colher. No fim retira-se do fogo e continua-se a mexer até arrefecer.
Fonte: Duarte, José da Cunha - Natal no Algarve: raízes medievais - Edições Colibri, Lisboa, Maio de 2002, ISBN 972-772-300-4, p.494-5 |
Bibliografia consultada:
| Impala Editores, S.A. Gastronomia regional portuguesa, sabores que o tempo não apaga. ISBN 972-766-460-1, 2ª Ed., 2000. | |
| Maria Odette Cortes Valente. Cozinha de Portugal, Algarve. Círculo de Leitores, ISBN 972-42-1064-2, 1995. | |
| Duarte, José da Cunha - Natal no Algarve: raízes medievais - Edições Colibri, Lisboa, Maio de 2002, ISBN 972-772-300-4, p.494-5) www.olhao.web.pt |
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