Editorial do Avante! intitulado "Podem contar com o PCP" reafirma legitimidade do PS para formar Governo.
Se tem havido parcas declarações de Jerónimo de Sousa ou de outros responsáveis do PCP sobre as actuais negociações entre comunistas e socialistas, o editorial do jornal Avante! vem esta quinta-feira admitir a existência de “significativas diferenças” entre os dois partidos que têm estado presentes nas reuniões, e fala num “esforço de exame das possibilidades de soluções políticas”.Mesmo que, depois de tal esforço, não seja possível os dois partidos chegarem a um compromisso, nem tudo terá sido em vão. “O que dizemos é que, não sendo possível a convergência para uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, nada obsta a que o PS tome a iniciativa de formar governo e entrar em funções”, lê-se no texto do jornal dirigido por Manuel Rodrigues, membro da Comissão Política do PCP.
A ideia tem sido repetida à exaustão pelos comunistas desde que, na noite das eleições, Jerónimo de Sousa defendeu publicamente que era António Costa quem tinha todas as condições para formar Governo e não Pedro Passos Coelho.
“O PCP reafirma que há uma maioria de deputados que constituem condição bastante para a formação de um governo de iniciativa do PS, que permite a apresentação do programa, a sua entrada em funções e a adopção de uma política que assegure uma solução duradoura”, vinca ainda o Avante! no editorial intitulado “Podem contar com o PCP”. E cita o discurso de Jerónimo de Sousa num comício, no Porto, há dias, para avisar que o PCP “não abdicou nem abdica de lutar por uma política que responda de facto aos direitos dos trabalhadores e do povo”.
O editorial do Avante! considera também “inaceitável” o que designa como “operação em curso que visa marginalizar o PCP enquanto força de alternativa”, ao mesmo tempo que condena que possa ser questionada a legitimidade do partido de poder integrar uma solução de Governo – ou pelo menos um compromisso parlamentar. No texto, criticam-se também os que fazem ressurgir o “anticomunismo” só porque se sentem “incomodados com o crescente prestígio, influência social e reforço” do partido.
Num artigo de opinião publicado na mesma edição do Avante!, Albano Nunes, membro do secretariado do Comité Central, refere-se a esta atitude como “ódio de classe” em relação ao PCP e afirma que há até quem “reclame a ilegalização dos comunistas”. Uma atitude exagerada, já que actualmente se está apenas perante um “simples diálogo para examinar possibilidades de entendimentos com objectivos ainda limitados”, descreve o dirigente comunista.
O que o leva a questionar o que fariam os críticos do partido se se estivesse perante a “eminência da alternativa patriótica e de esquerda” de o PCP conduzir – ou determinar – os destinos do país.
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