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Hoje é dia de reflexão, não podemos publicar nada sobre eleições. É um dia que, pela natureza da vontade de quem detém o poder legislativo, nos manda, por exemplo, discutir futebóis, debater as tendências da moda Outono/Inverno, partilhar vídeos de gatinhos. Aceito. Partilho convosco um clássico, Mouseland, um filme cheio de gatinhos e ratinos, que já havia aqui partilhado na reflexão dehá quatro anos. É um conto mais ou menos infantil, dependendo da leitura que dele se faça, sobre ratos que votavam em gatos. Quando ganhavam os gatos brancos, nas eleições seguintes festejavam a estrondosa "vitória da democracia" dos gatos pretos, aliviados por terem corrido com os brancos. Quando ganhavam os gatos pretos, nas eleições seguintes festejavam a estrondosa "vitória da democracia" dos gatos brancos, aliviados por terem corrido com os gatos pretos. Acho que é qualquer coisa assim. Vi o filme pela última vez faz tempo, já não me lembro se também havia gatos alaranjados e cor-de-rosa, nem sequer se o filme explicava por que diabo os ratos que diziam que os gatos eram todos iguais não tentavam contrariar a inconsciência imbecil dos ratos que votavam sempre em gatos, ora brancos, ora pretos, ao sabor das memórias traumáticas mais recentes. Tenho uma vaga ideia que nunca lhesocorreu que poderiam aumentar a sua esperança de vida votando em ratos como eles. Enfim, a natureza é muito sábia, quando fez os ratos sabia bem que os queria carne para os seus predadores. Coitadinhos, os ratos nunca têm a culpa. Lá vou eu ter que ver o filme outra vez.
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