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segunda-feira, 13 de agosto de 2012



Os Bancos são o espelho do país


Uma das exigências que alguns bancos fazem quando concedem um crédito, é a domiciliação do salário . Funciona como uma espécie de garantia de pagamento.
Tenho um casal amigo que em 2002 se abalançou a pedir um crédito à habitação para comprar ao senhorio a casa arrendada onde vivia.  O preço pareceu-lhes simpático e a situação profissional de ambos permitia esse esforço financeiro.
Em 2008, já em plena crise,  a mulher foi despedida. Em 2010, como continuava sem trabalho, decidiram tirar os filhos do ensino  privado e inscrevê-los na escola pública. Foi uma decisão que lhes custou, mas era a única que lhes permitia continuar a honrar os seus compromissos.
Em Fevereiro ele também se viu no desemprego mas, em Abril, conseguiu arranjar um part-time. Sem ordenado certo, é verdade, mas que acumulado com o subsídio de desemprego lhe vai permitindo pagar as mensalidades do crédito.
Em Junho, recebeu uma carta do Banco a informá-lo que tinha quebrado uma das cláusulas do contrato ( a domiciliação do ordenado) pelo que o spread negociado ( pouco superior a 1%)  passaria, nos termos do contrato a ser de 6%. Em alternativa, propunham-lhe que aumentasse o prazo do empréstimo. Apresentaram igualmente outras propostas – cujo teor não sei precisar-  que tinham em comum um menor aumento do spread, mas aumentavam os encargos.
Os meus amigos continuam a  negociar com  o banco e não sei ainda como tudo irá terminar, mas este caso demonstra os riscos (inesperados) que correm as pessoas quando pedem empréstimo à banca.
No entanto, é preciso ser justo e dizer que este tipo de comportamento não é exclusivo dos bancos. O sector empresarial, tal como o governo, vê no desemprego uma oportunidade: aumentar os seus lucros, explorando quem teve a desdita de se ver no desemprego.
Há excepções? Claro que há e até já aqui escrevi sobre algumas, mas o que constato é que aquilo que devia ser regra, vem a lume como exemplar excepção.

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