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sábado, 11 de agosto de 2012

INCÓMODO 

“Ensina-se-lhes que sejam valentes, para um dia, virem a ser julgados por covardes!

Ensina-se-lhes que sejam justos, para viverem num mundo em que reina a injustiça!

Ensina-se-lhes que sejam leais, para que a lealdade, um dia, os leve à forca!

Não seria mais humano, mais honesto, ensiná-los de pequeninos, a viverem em paz com a hipocrisia do mundo?

Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos?

Se o meu filho fosse vivo, havia de fazer dele um homem de bem, desses que vão ao teatro e a tudo assistem, com sorrisos alarves, fingindo nada terem com o que se passa em cena! Havia de lhe ensinar a mentir, a cuidar mais do fato que da consciência e da bolsa do que da alma. Se o meu filho fosse vivo… Havia de morrer de velhice e de gordura, com a consciência tranquila e o peito a abarrotar de medalhas!”

Quem assim escrevia… sabia o que dizia.

PRAÇA DO BOCAGE

foto da net post António Garrochinho


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