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terça-feira, 28 de junho de 2011

Passos Coelho já teve um gesto à governo Santana Lopes

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)
 
 
A lista dos secretários de Estado já estava concluída. Elaborada com grande secretismo e expectativa, pois com a redução de ministros e a constituição de super-ministérios, os secretários de estado - e muitos em lugares chave para o futuro de Portugal - serão decisivos, Passos queria surpreender hoje. Em rigor, o objetivo de Passos Coelho era mostrar que trabalha longe dos holofotes mediáticos, assumindo-se como o anti-Sócrates. Para marcar a diferença. E Passos Coleho tem, desde os tempos da JSD, um ódio de estimação: Marcelo Rebelo de Sousa.
Ora, foi precisamente o comentador da TVI que no, domingo, anunciou o nome de Bernardo Bairrão (recorde-se, administrador da TVI) como o novo secretário de estado da Administração Interna. O próprio já tinha confirmado e era a primeiríssima escolha de Miguel Macedo, ministro desta pasta. Porém, Passos Coelho, à última hora, sem razão aparente, rejeitou o nome de Bernardo Bairrão. E, digam o que disserem, a razão é muito simples: porque foi Marcelo Rebelo de Sousa que anunciou pela primeira vez o nome de Bernardo Bairrão.
A exclusão de Bairrão tem três finalidades:
a) Descredibilizar e mostrar independência em relação a Marcelo Rebelo de Sousa. Com efeito, Marcelo é o comentador político mais influente em Portugal e, tradicionalmente, os líderes do PSD sofrem com os seus comentários televisivos. E raramente - tirando Santana Lopes e Filipe Menezes - os líderes do PSD hostilizam excessivamente Marcelo Rebelo de Sousa. Ora, Passos Coelho quer mostrar a rutura - que os comentários do professor não o condicionam e até podem prejudicar o país por revelar fatos que não devia. O grande objetivo é mostrar que Marcelo é uma espécie de joker, que analisa a política como um jogo de casino ou o totobola, tentando afastar os portugueses do professor. Atacando a sua credibilidade. Ao mesmo tempo que Passos aumenta o seu ego político, perdendo os seus complexos de inferioridade em relação a certas figuras do partido;
b) Passos quer reforçar a sua autoridade. Quer dar uma imagem aos portugueses de que não é influenciável. Que quem revela as suas decisões é ele. A informação só será divulgada no timing que o governo achar mais adequado. Nem mais, nem menos um segundo. A exclusão de Bernardo Bairrão é um castigo por não ter ficado caladinho e revelar o convite que recebeu a Marcelo Rebelo de Sousa. Desobedeceu a Passos Coelho, logo, fica fora do governo;
c )Ser um exemplo para os membros do governo: quem não obedecer a Passos ou falar mais do que deve, tem o seu destino traçado. A sua saída do governo será certa. Nos primeiros tempos do governo, esta parece uma atitude sensata: o problema é que vai chegar a um ponto em que os ministros não vão achar muita piada e a coesão interna será posta á prova. Passos está a esticar a corda. Autoridade não é prepotência.
Esta historieta que envolve Bernardo Bairrão é a primeira grande trapalhada do governo Passos Coelho. Mal explicada. Muito mal explicada. Porque não se quer revelar a verdadeira razão da exclusão. O primeiro-ministro confirmar que tem um ódio de estimação não fica muito bem. Ontem, pareceu que voltámos ao governo Santana Lopes e às suas - chamadas - trapalhadas. Com muitas destas, o governo poderá ficar-se pelos seis meses

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