Há um problema no DN, ou antes na Fernanda Câncio, que não percebe que o PCP, em 16 deputados eleitos tem 7 mulheres, ou seja 43% dos eleitos.
Comparativamente, o BE tem 19 deputados e apenas 6 mulheres, ou seja 31%, ou seja abaixo da paridade.
Uma coisa é andar a defender quotas e depois colocar as mulheres em lugares não elegíveis, outra, é não defender a composição de "ramalhetes" para enganar o pagode, e dar lugar, de facto, às mulheres na vida política.
O PCP é o partido que tem a maior percentagem de mulheres no atual parlamento, nenhum outro o ultrapassa....mentira, há um, o PEV, parceiro de coligação do PCP na CDU, que tem 50% de mulheres.
E o PCP, enfia a carapuça do machismo?
reparem na maneira como a senhora "jornalista" compõe o texto. para lá de distorcerem a verdade é sempre a mesma "raiva" a escrever
Rita
Rato entrou no Parlamento aos 26, três anos depois de o PCP votar
contra a lei que impôs quotas de género nas listas. Foi logo notícia
pelas suas posições ortodoxas
Votou contra quotas, voltou atrás na
PMA, tem um Comité Central 76,6% masculino, nunca teve nem se prevê para
breve líderes femininas. Agora, Jerónimo foi acusado de sexismo. Há no
PC um problema com as mulheres?
Alguma coisa está a mudar na
política portuguesa - e depressa. O fenómeno de popularidade das
"mulheres do Bloco", reforçado com a candidatura e o resultado de
Matias, mais o anúncio de Assunção Cristas como herdeira de Portas no
CDS isolam o PCP e o PS num reduto de preponderância masculina. São já
os únicos dois dos "grandes" partidos que que nunca tiveram (o PSD foi
pioneiro, ao eleger Manuela Ferreira Leite em 2008) nem perspetivam ter
nos tempos mais próximos uma liderança feminina.
Não será pois
coincidência que, dez anos depois da aprovação da lei que impôs quotas
mínimas (33%) de representação feminina nas listas partidárias e contra a
qual o PCP votou, um líder de partido acusado de sexismo tenha achado
que tinha de responder à acusação, e que tal tenha ocorrido com o
comunista Jerónimo de Sousa. No dia das presidenciais, acossado por um
resultado de Edgar Silva muito abaixo do esperado (3,95%),
correspondendo percentualmente a menos de metade do das legislativas, e
confrontado com o bom desempenho da candidata do BE, "partido rival", o
secretário-geral teve uma saída que foi interpretada como "boca" a
Marisa, mais uma das muitas graçolas sexistas que esta enfrentou na
campanha: "Nós podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim
mais engraçadinha, portanto, enfim..." Dois dias depois, tentava
emendar: "Não estava a pensar em ninguém. Sinceramente não foi essa a
intenção. Se foi ofensivo para alguém ou se alguém enfiou a carapuça
retiro já o que disse."
Não
tivesse o partido uma imagem tão associada a uma esmagadora maioria
masculina - no Comité Central, em 158 membros, só 37 (23%) são mulheres,
e destas só a ex-eurodeputada Ilda Figueiredo se destaca como tendo
algum "peso político"; nunca apresentou uma candidata à presidência e
desde a saída de Odete Santos do Parlamento que não tem uma figura
feminina "forte" - e é possível que as palavras de Jerónimo não fossem
generalizadamente interpretadas como foram.
Até Lúcia Gomes,
jurista de 35 anos e militante da JCP desde os 16 e do PCP há outros
tantos, começou por achar o mesmo. "Quando li a primeira notícia - no
Expresso - como foi só destacada a parte da "candidata engraçadinha"
achei estranho, achei mal. Mas depois ouvi a declaração completa e achei
que era uma crítica à campanha e à forma como decorreu, baseada em
habilidades e características pessoais, sem se falar quase de ideias e
de políticas." Asseverando que nunca sentiu "institucionalmente" sexismo
ou machismo no partido - "Por parte das estruturas ou no discurso nunca
identifiquei isso, pelo contrário: aprendi muito em relação aos
direitos das mulheres e à luta pela igualdade no PCP. Outra coisa são
situações com pessoas; não me estou agora a lembrar de uma mas já
sucedeu, com certeza" -, Lúcia diz não sentir que lhe emprestam "mais ou
menos credibilidade por ser jovem e mulher."
"Votar em alguém por ser mulher pode ser perigoso", diz Lúcia Gomes
Quanto
ao nível de representação das mulheres e respetiva visibilidade, admite
que "no órgão máximo são ainda poucas". Mas, adverte, "o partido tem
vários órgãos de decisão. E é o que tem mais eleitas a nível autárquico
[informação que não foi possível ao DN confirmar]. Claro que as mulheres
continuam a confrontar-se com problemas exógenos ao partido. As
questões dos horários de trabalho, dos salários, da maternidade e da
paternidade... A participação política das mulheres é antes de mais uma
questão política e económica".Além disso, conclui, "não vejo que ter
líderes mulheres só por serem mulheres faça diferença. Já tivemos muitas
mulheres líderes que nem por isso lutaram mais pela igualdade. Thatcher
por exemplo foi um verdadeiro carrasco, a Lagarde exige medidas
terríveis aos países..."
Admite no entanto que há uma apetência
crescente para votar em mulheres, para exigir a sua presença em cargos
de visibilidade. "Sim, ouvi isso muito nesta campanha, que as pessoas
iam votar numa mulher por ser mulher. Ouvi até mais em relação à Maria
de Belém do que à Marisa. Escrevi um texto sobre isso no blogue
Manifesto 74. Votar em alguém porque é mulher pode ser um pouco
perigoso, é quase uma coisa cosmética, pode não representar uma
vantagem."
Pode ser. Mas quando no Comité Central se constata, por
exemplo, que o membro mais jovem é Francisca Goulart, de 21 anos,
estudante, ou que muitos estão identificados como "empregados",
"operários" ou "intelectuais" sendo a maioria funcionária do partido,
não é de simbolismo que se trata? Porquê, então, negar o carácter
simbólico da pouca representatividade das mulheres?
Helena Neves,
70 anos, não tem dúvidas: "O PCP devia ter dado o exemplo e chamado
mulheres para cargos de direção de grande visibilidade. Mas pelo
contrário. E sempre houve uma escolha predominante pelas
bem-comportadas, as que não provocavam grandes discussões." Helena
entrou no PCP aos 17 e saiu há 24, em 1992, tendo, de 1999 a 2002,
integrado como independente o grupo parlamentar do BE. Fazendo parte do
núcleo fundador do Movimento Democrático das Mulheres, organização
satélite do PC, foi diretora da extinta revista Mulheres, editada pela
Caminho mas controlada pelo partido, onde fez equipa com Maria Teresa
Horta, com quem partilha as memórias de um projeto de que ainda fala com
entusiasmo e dos constantes dissabores com a hierarquia do partido.
"Como diretora passava a vida a ser chamada e a ter enormes discussões.
Sobre quê? Tudo. Uma vez fizemos um artigo sobre se os homens podiam
vestir cor-de-rosa e foi um escândalo. Outra vez, um jornalista do
Expresso que colaborava connosco e fez um artigo sobre pais e mães
divorciados que foi considerado como "um incentivo ao divórcio"." Tudo
isto se passava entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980,
com o controlo da revista a passar por vários dirigentes, incluindo
Domingos Abrantes [atual conselheiro de Estado indicado pelo partido -
outro homem] e Zita Seabra. "O melhor período foi com a Alda Nogueira,
que ao fim de longas discussões acabava sempre por concordar. Outros
eram muito mais fundamentalistas."
Helena Neves não tem dúvidas: "O PCP devia ter dado o exemplo e chamado mulheres para cargos de direção de grande visibilidade"
Apesar
das dificuldades, porém, assegura que a revista "conseguiu avanços
extraordinários em termos de mentalidades. Recebíamos imensas cartas de
mulheres e de jovens, com questões sobre divórcio e sexualidade". No
partido é que se avançava pouco. "A perspetiva era extremamente
conservadora. Dava-se espaço às camaradas para lutarem sob o ponto de
vista da igualdade salarial e de direitos políticos, e a mulher era
encarada como elemento necessário e tanto mais necessário quanto
conseguisse mobilizar outras. Mas sempre vista como mãe ou mãe em
potência. Por um lado é compreensível, pelo enraizamento da cultura
patriarcal. Mas era a completa contradição com a cultura
revolucionária." Guarda aliás um remorso, "um peso enorme" - o de,
quando em 1979 a jovem Conceição Massano é julgada, com o namorado, pelo
crime de aborto (denunciado por violação do seu diário na escola de
enfermagem que frequentava) ter falhado a assinatura da petição em seu
favor. "Estava nessa altura no Avante! E discuti a questão, disse que ia
assinar mas fiquei completamente isolada. E penso ainda hoje como foi
possível ter faltado à minha autenticidade."
Por essa altura,
aliás, começava no partido a discussão sobre esse mesmo tema, o aborto, e
Helena fez parte do organismo criado para esse efeito e que debatia com
Cunhal. "O Álvaro até era mais aberto. Houve imensas pessoas
incrivelmente cultas que se manifestaram contra. Havia discussões por
exemplo sobre se o homem não tinha de dar consentimento... Até as
mulheres sindicalistas tiveram posições muito conservadoras." Suspira:
"É um partido muito conservador, e o reflexo disso vê-se agora ainda no
vocabulário que o Jerónimo emprega. Aliás saí precisamente por achar que
não houve no partido um acompanhamento da evolução das coisas em termos
históricos e sociais. Quando se falava de uma série de coisas
relacionadas com os direitos das mulheres que passavam pela questão das
mentalidades, eles diziam: "Isso fica para depois."" Esse imobilismo,
crê, "está a refletir-se na votação. Se no momento em que saí achava que
já havia uma profunda desatualização, o meu diagnóstico é de que não se
evoluiu." A entrada recente de jovens e o destaque dado a alguns e
algumas, como a deputada Rita Rato, deu-lhe "grandes esperanças":
"Fiquei muito satisfeita. Esperava que a intervenção dessas jovens se
concretizasse noutra ação." Mas, conclui, nada se passou. "Qual é a
visibilidade de uma ação relativamente às questões sobre os direitos das
mulheres? Mesmo sob o ponto de vista laboral, que era onde o PCP mais
intervinha na questão feminina, não tenho visto nada."
A
ex-jornalista, escritora e poetisa Maria Teresa Horta, que, nove anos
mais velha do que Helena, saiu do PCP na mesma altura, sorri. "Acho que o
PCP não era mais machista do que os outros partidos. Aliás todos os
partidos portugueses são machistas, com a provável exceção do Bloco
porque neste momento tem um grupo de mulheres muito bom e com
consciência feminista. Portanto claro que o PCP era machista e que a
maioria esmagadora dos camaradas era." E quando não havia machismo,
conta, havia "antifeminismo": "No MDM, por exemplo. Nunca fui do MDM nem
gostava. Tinham uma posição antifeminista. Não se falava de
sexualidade, falava-se de creches. No PC falar das questões das mulheres
era considerado uma coisa reacionária, porque o que era importante era
falar da luta dos operários. E quando dizíamos: "Então e as operárias
que fazem o mesmo trabalho e ganham menos?", eles diziam: "Ó camarada,
não é bem assim.""
Maria Teresa Horta:"No PC
falar das questões das mulheres era considerado uma coisa reacionária,
porque o que era importante era falar da luta dos operários"
Zita
Seabra, 67 anos, concorrendo com a recentemente desaparecida Cândida
Ventura ao troféu da dissidente mais odiada (expulsa em 1988, pouco
depois entrou no PSD), foi uma das responsáveis pelo controlo da
Mulheres. Recorda que "havia zonas do país em que as sedes recusavam pôr
a revista à venda" e que as pessoas que a faziam - e ela própria - eram
acusadas de "desvios feministas". Que eram o quê? "Considerar mais
importante a luta mulher/homem do que a luta de classes. Era um desvio
grave."
Eu,filho de pobres trabalhadores do campo e um simples operário emigrante na Holanda onde resido desde 1964 e já velhote,91 anos de idade,embora a minha opinião nada pese na balança,todavia direi que vejo nesta polémica mais uma maneira de «morder» no PCP.
1 comentário:
Eu,filho de pobres trabalhadores do campo e um simples operário emigrante na Holanda onde resido desde 1964 e já velhote,91 anos de idade,embora a minha opinião nada pese na balança,todavia direi que vejo nesta polémica mais uma maneira de «morder» no PCP.
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