| O discreto revolucionário |
Levando uma vida apagada e tranquila, este médico e filósofo de Braga abriu caminho a Descartes e ajudou a preparar uma nova era na ciência europeia.
Desta vez, o “Super Português” que escolhemos não se distinguiu como viajante, aventureiro, militar ou político. Mas uma carreira de médico e, sobretudo, de filósofo, se não se presta, por si só, a grandes narrativas apaixonantes, nem por isso deixa de merecer a nossa atenção, quando é suficientemente marcante. Neste caso, a carreira de Francisco Sanches, discreta embora, marcou de forma decisiva a história da Europa e das suas ideias.
A naturalidade e até a nacionalidade de Sanches estiveram, durante algum tempo, em dúvida – ainda hoje se encontra, na internet, uma referência completamente asnática e que o dá como espanhol; em contrapartida, e tanto quanto sabemos, em França, apesar de lhe chamarem “François Sanchez”, têm a noção de que ele era português. De qualquer forma, a questão resolveu-se há muito com o seu assento de batismo, que se encontra hoje no Arquivo Distrital de Braga. Sabe-se, pois, que terá nascido em 1550, na região bracarense, filho de António Sanches e de sua mulher, Filipa
de Sousa, e que foi batizado a 25 de Julho de 1551, na igreja paroquial de S. João do Souto. Tem-se posto a hipótese de pertencer a uma família de cristãos-novos; porém, se era esse o caso, estavam todos solidamente integrados nos meios católicos.
Não possuímos muitos pormenores sobre a sua vida, mas é certo que, aos 12 anos, já com uma boa base de estudos, foi com os pais para França e não há notícia de que tenha voltado a Portugal, embora haja mantido contactos; aliás, a sua primeira escola em terras francesas foi o famoso Colégio de Guiana, em Bordéus, por onde passara toda uma plêiade de portugueses: André de Gouveia reorganizara-o em 1534 e por lá tinham andado também Diogo de Teive e António de Gouveia.
Esta primeira estada, em Bordéus, terá sido decisiva para a evolução mental de Francisco Sanches: o Collège de Guyenne era um espaço de renovação, de liberdade de espírito e de pesquisa. Por vezes, mesmo, terá sido um foco de heresias… e, muito certamente, era um dos principais centros científicos da França. É bem provável que o jovem Francisco conhecesse uma trajetória diferente se o não tivesse frequentado.
De qualquer modo, em 1569, com 19 anos, partiu para a Itália, onde estudou medicina – e não apenas a teoria como também a prática, já que aprendeu a dissecar cadáveres. Todavia, não se sabe muito do seu “percurso italiano”; em 1573, voltou a França e fixou-se em Montpellier.
Leia o resto numa das nossas versões digitais, disponíveis em http://itunes.apple.com/pt/app/super-interessante/id501986130 ehttp://pt.zinio.com/browse/publications/index.jsp?productId=500666894
|
Sem comentários:
Enviar um comentário