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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O discreto revolucionário - Francisco Sanches

O discreto revolucionário
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Francisco Sanches
Levando uma vida apagada e tranquila, este médico e filósofo de Braga abriu caminho a Descartes e ajudou a preparar uma nova era na ciência europeia.
Desta vez, o “Super Por­tu­guês” que escolhemos não se distinguiu como viajante, aventu­rei­ro, militar ou político. Mas uma carreira de médico e, so­bre­tudo, de filósofo, se não se pres­ta, por si só, a grandes nar­ra­tivas apaixonantes, nem por isso deixa de merecer a nossa aten­ção, quando é suficiente­men­te marcante. Neste caso, a car­reira de Francisco Sanches, dis­creta embora, marcou de for­ma decisiva a história da Europa e das suas ideias.
A naturalidade e até a nacio­na­lidade de Sanches estiveram, durante algum tempo, em dúvida – ainda hoje se en­con­tra, na internet, uma referência completamente asnática e que o dá como espanhol; em con­tra­partida, e tanto quanto sa­bemos, em França, apesar de lhe chamarem “François Sanchez”, têm a noção de que ele era português. De qualquer for­ma, a questão resolveu-se há muito com o seu assento de ba­tismo, que se encontra hoje no Arquivo Distrital de Braga. Sa­be-se, pois, que terá nascido em 1550, na região bracarense, fi­lho de António Sanches e de sua mulher, Filipa
de Sousa, e que foi batizado a 25 de Julho de 1551, na igreja paroquial de S. João do Souto. Tem-se posto a hipótese de pertencer a uma família de cristãos-novos; porém, se era esse o caso, estavam todos solidamente integrados nos meios católicos.
Não possuímos muitos porme­no­res sobre a sua vida, mas é cer­to que, aos 12 anos, já com uma boa base de estudos, foi com os pais para França e não há notícia de que tenha volta­do a Portugal, embora haja man­ti­­do contactos; aliás, a sua pri­mei­ra escola em terras france­sas foi o famoso Colégio de Guia­na, em Bordéus, por onde pas­sa­ra toda uma plêiade de por­tugueses: André de Gouveia re­or­ganizara-o em 1534 e por lá ti­nham andado também Diogo de Teive e António de Gouveia.
Esta primeira estada, em Bor­déus, terá sido decisiva para a evo­lu­ção mental de Francis­co San­ches: o Collège de Guyenne era um espaço de renova­ção, de liberdade de espírito e de pes­quisa. Por vezes, mesmo, te­rá sido um foco de heresias… e, mui­to certamente, era um dos prin­cipais centros científicos da França. É bem provável que o jo­vem Francisco conhe­ces­se uma trajetória diferente se o não tivesse frequentado.
De qualquer modo, em 1569, com 19 anos, partiu para a Itália, onde estudou medicina – e não apenas a teoria como também a prática, já que aprendeu a dissecar cadáveres. Todavia, não se sabe muito do seu “percurso italiano”; em 1573, voltou a França e fixou-se em Mont­pellier.

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