LUÍS CAPETO NÃO FARIA MELHOR
Luís XVI ou, se preferirem, Luís Capeto, interrogado na Convenção, também argumentou: Nenhuma lei me proibiu de fazer o que fiz. Ouvido na comissão parlamentar de inquérito durante cerca de dez horas (antes e depois do almoço), Ricardo Salgado parecia uma personagem de Rohmer: nunca levantou a voz, não deu mostras de irritação, mantendo um fair play à prova de bala. Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, na sequência da audição do antigo CEO do BES, viu-se obrigado a enviar (ao fim da tarde) uma carta ao Parlamento, tornando públicos documentos até aqui tidos por confidenciais.
A seguir, José Maria Ricciardi, o primo de Salgado, desconstruiu a narrativa toda.
A imagem ilustra a voracidade dos media sobre o antigo patrão disto tudo. Ontem, logo pela manhã, cerca de 60 jornalistas (cinco vezes o número habitual em casos análogos) esperaram por Salgado na porta do costume. Mas ele já tinha entrado, de carro, naturalmente, utilizando o parque que liga a residência oficial do primeiro-ministro ao Parlamento. O acesso à sala de audição também foi feito pela porta reservada aos deputados.
[Imagem: a fotografia é de Bruno Simão, para o Negócios. Clique.]
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