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domingo, 9 de novembro de 2014

O feudalismo é um sistema de senhorio e vassalagem, em que os vassalos têm os deveres e os senhores têm os direitos. Portugal é um feudo?





O feudalismo é um sistema de senhorio e vassalagem, em que 

os vassalos têm os deveres e os senhores têm os direitos. Portugal é um feudo?

politicos corruptos clara ferreira alves

"POR FAVOR NÃO DÊ MILHO AOS POMBOS

Não se espera que os chefes de clã das dinastias 

desapareçam de um dia para o outro. Mas temos, 
definitivamente, de deixar de dar milho aos pombos.
O feudalismo é um sistema de senhorio e vassalagem, 

em que os vassalos têm os deveres e os senhores têm os 
direitos. Grosso modo. Pensava que o sistema tinha sido 
abolido e na era do capitalismo democrático liberal éramos 
todos mais ou menos constitucionalmente iguais. Sendo 
uns mais iguais do que outros.

Há uns anos largos, li numa dessas revistas cor-de-rosa 

que desfolhamos com as mãos suadas do medo do dentista 
ou do tédio do cabeleireiro, uma entrevista a uma dama da 
“nossa melhor sociedade”. Era uma mulher antiga, 
restaurada por cirurgia plástica e alta manutenção, que se 
fazia retratar ao lado de jarrões chineses e cómodas 
francesas do século XVIII. O penteado, uma pompadour 
admirável na arquitetura e na escassez pilosa que deixava 
entrever espaços vazios e lugares onde nada crescia, 
ostentava uma cor ruça. A dama era um dos descendentes 
de uma das dinastias industriais e financeiras que há anos 
entretêm os portugueses com as suas histórias de riqueza. 
Benfeitores da humanidade. Na verdade, nós, os 
beneficiários, não fizemos mais do que dar milho aos pombos. 
Conhecem os cartazes: POR FAVOR NÃO DÊ MILHO AOS 
POMBOS. 
Os pombos, sobrealimentados, tombam por excesso. 
Não conseguem parar de comer. Não conhecem a saciedade.
A dama falava sobre a dinastia, a excelência da dita, o nome 

sonante da dita (um nome estrangeiro), a bonança de ter 
fortuna no tempo das tempestades, que por aqui equivaliam 
à revolução. Os horrores do exílio enquanto o país era tomado 
de assalto por barbudos.

Lá para o fim, pergunta-se o que pensa ela, refinadíssima, 

do mais refinado português da época, do comissário José 
Durão Barroso. Pelo tom da pergunta, um homem daqueles 
devia ter nascido parisiense. Elevava a lusitana plebe. Era 
tão bom que parecia estrangeiro. A dama tinha a melhor 
opinião, não do Barroso que não conhecia bem ou dos feitos 
europeus do mesmo. Não, o que a dama conhecia e 
lembrava era a família dele, uma família decente, remediada, 
virtuosa e bem comportada, que tinha trabalhado para a 
dinastia e, parece, trabalhado bem. Uma das pessoas da 
família tinha sido professora numa das escolas que a família 
construíra para os operários. Boa gente. Isto é dito com 
condescendência feudal. O que a dama queria dizer era 
que a família pequena era propriedade da família grande, 
como o resto do país. E que a família grande era boa para 
os seus trabalhadores e os educava.
Ou seja, a dama, como todos os pombos sobrealimentados, 

inchados de milho grátis, não conseguia falar sobre os outros 
e apenas sobre ela mesma, mas como ela mesma não tinha 
existência a não ser como herdeira e adereço de jarrões 
chineses, falava da dinastia. Tudo era um pretexto para 
realçar os dotes da dita.

Histórias destas, repletas de inanidades, abundam por aí. 

Perdoai-lhes senhor porque não sabem o que dizem. 
Embora saibam bem o que fazem, comprar serviços e 
vassalagens, porque o temor reverencial dos portugueses 
pelo poder e o dinheiro é atávico, ancestral, fundado na 
miséria, no isolamento geográfico e no capital genético com 
pouco cruzamento e pouco cosmopolitismo, apesar do 
império. A Europa não nos salvou do cobarde compromisso 
com a iniquidade que faz fraca a forte gente. E de maus reis 
ainda não estamos fartos. Havia a dama que queria ir 
“brincar aos pobrezinhos” numa barraquinha da Comporta, 
experimentando a delícia do chinelo de praia, e há outro 
senhor de grande porte que queria “pôr o Moedas a 
funcionar”. Saiu publicado nos jornais. Pôr o Moedas a 
funcionar. O Moedas era o político feito vassalo de ocasião, 
que os senhores com a mansão a arder esperavam lesto 
com a mangueira e o extintor. Por favor ao feudalismo falido. 
E junte-se a história da distribuição de dinheiros ilícitos do 
fabuloso negócio dos submarinos pelos chefes de clã da 
dinastia. Um milhão para o clã A, um milhão para o B, etc., 
e houve uns milhões que ficaram de fora porque um 
malandreco de um político teria resolvido dar-lhes uso 
(alegadamente, tudo alegadamente). O chefe da dinastia 
queixava-se de “estar rodeado de aldrabões”. Sem dúvida, 
sem dúvida.

Claro que esta gente tem um problema, participam da 

moleza genética de muitos casamentos entre clãs e antigas 
consanguinidades. O genoma não se renova por efeito da 
democracia. E, como aqueles cães com excesso de pedigree, 
sofrem de maleitas que nunca atacam os rafeiros. 
Uma delas é a estupidez do privilégio. A crença na divindade 
de dinastias plebeias fundadas por comerciantes e 
vendedores, os tetravós. Acham que o mundo não mudou 
porque eles não mudaram. Como os Bourbon, não 
esqueceram nada e não aprenderam nada. Talleyrand 
topou-os. Não se espera que esta gente desapareça de 
um dia para o outro. Mas temos, definitivamente, de deixar 
de dar milho aos pombos."
(by Clara Ferreira Alves in Revista/Expresso)

Leia ainda... exemplos de feudos
O Banco de Portugal, albergue dos senhores feudais? 

Vergonhoso
Os marajás de Portugal, sem pudores, só luxos


JÁ TODOS SABEM SÓ TU NÃO VÊS? SOMOS VITIMAS 

DE ROUBOS INIMAGINÁVEIS. 
SE AINDA É DAQUELES CRENTES QUE ESPERA QUE 

DEUS NOS VENHA SALVAR... OU ESPERA QUE OS 
POLÍTICOS SE CONVERTAM EM AMIGOS DOS 
POBRES/POVO... TALVEZ SEJA MELHOR VER ESTE 
VIDEO E ACORDAR, POIS DE TANTO ESPERAR ACHO 
QUE MUITOS ADORMECERAM.
Os nossos sistemas financeiros foram raptados por uma 

geração de ladrões!
 Somos vítimas de um roubo de proporções inimagináveis!


 http://apodrecetuga.blogspot.com


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