AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "Pó do tempo"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

TUDO SOBRE O CASO JOSÉ SÓCRATES - Os esquemas e rastos que incriminaram Sócrates, passo a passo até à prisão.

Os esquemas e rastos que incriminaram Sócrates, passo a passo até à prisão.

@@ -Paris e as casas compradas à mãe
2011: no desemprego e apenas com uma única conta bancária, como garantiu numa entrevista à RTP, José Sócrates investiu então 95 mil euros num Mercedes e faz-se estudante de Filosofia Política em Paris.
Preso à oculta realidade financeira que criara, mas já com o dinheiro numa conta em Portugal, em nome de Santos Silva, veio a justificar a vida de luxo que levava em Paris – onde alugou um apartamento, na zona mais cara – através do recurso a um empréstimo da CGD (de valor quase igual ao do carro topo de gama que comprara em leasing) e com a herança deixada à mãe, Maria Adelaide Pinto de Sousa.
Foi com este argumento da herança, aliás, que já justificara a aquisição do seu luxuoso apartamento no edifício Heron Castilho, na rua Braamcamp, em Lisboa,em 1995, dois meses antes de a mãe também se ter instalado num andar do mesmo edifício (o Heron Castilho) por um preço semelhante: 224 mil de euros.(Avaliados por muito mais)
Mas o valor do património que tocou a Maria Adelaide com a morte do pai (...) está longe de cobrir os gastos de Sócrates. 
Os investigadores suspeitam que a mãe de Sócrates tem sido um dos meios que este tem usado para branquear o dinheiro das ‘luvas’ que foi recebendo como governante.
Do património que recebeu de herança, Maria Adelaide vendeu algunsapartamentos em Queluz que, à risca, apenas lhe dariam para pagar a casa nova no Heron Castilho. Em 2011, sobrava-lhe um espólio de pouca monta em Setúbal, dois apartamentos no Cacém e um rés-do-chão num prédio modesto em Cascais, de onde se mudara quando optou pela vizinhança com o filho em Lisboa.
Com a nova vida de Sócrates, Maria Adelaide, que nada sabe sobre o tesouro escondido do filho, teve de se desfazer de tudo. Ainda em 2011, após a eleição que colocou no seu lugar Passos Coelho, Sócrates pediu à mãe que vendesse a Santos Silva (o tal que guardava os milhões de Sócrates) os dois apartamentos no Cacém – e esta, sem saber que o real comprador é o filho, fez negócio com o empresário da Covilhã por 175 mil euros, verba que este foi colocando em tranches nas contas do ex-primeiro-ministro.

Sócrates tentou processar aqueles que denunciavam o que ele queria esconder



@@ Andar de Paris custou-lhe 2,800 milhões vende por 4 milhões?
Mas Sócrates parece ter nos bolsos uma trituradora: em dois tempos, entre viagens de férias, velhos vícios e a renda do andar em Paris, desbaratou aquele dinheiro. Por isso, em Julho de 2012, voltou a utilizar o esquema: Maria Adelaide, aconselhada pelo filho, desfez-se também do apartamento no Heron Castilho, que vende a Santos Silva, e regressa ao seu rés-do-chão na linha do Estoril. No entanto, o filho, em 2013, numa entrevista ao Expresso dissera que a mãe se mudara de Cascais para a Braancamp por solidão, após a morte do seu cachorro.
Segundo os factos em investigação, tem sido sempre Santos Silva a dar a cara pelos negócios do amigo quando este precisa de dinheiro. O apartamento vendido por Maria Adelaide também fica em nome do empresário, sem que este lá meta o pé, enquanto transfere para a conta de Sócrates os 600 mil euros recebidos.
Entretanto, Sócrates investira 2,8 milhões de euros num apartamento de luxo em Paris, com 250 metros quadrados e vista para a Torre Eiffel, à beira do rio Sena, que neste momento está à venda por 4 milhões. fonte

@@ Sócrates e o esquema com a Octapharma, onde alegadamente, ele pagava a si próprio
Só em Janeiro de 2013, ainda sem diploma de filósofo, Sócrates arranjou por fim uma actividade profissional, na Octapharma. Esta multinacional farmacêutica austríaca passa a pagar-lhe 12 mil euros mensais, que ele declara ao Fisco como consultor da empresa para a América Latina – região onde se move à-vontade, graças às relações que cultivou quando era governante.
Entretanto, a RTP convidou-o para comentador dominical. Na estreia, para não ostentar o património, o ex-primeiro-ministro deixou o Mercedes na garagem e apresentou-se com um carro alugado.
O dinheiro que Sócrates usa no dia-a-dia é-lhe entregue por Santos Silva, que sempre que é necessário faz levantamentos em numerário num balcão do BES: para cima de 10 mil euros por mês, em média, que lhe entrega em mãos ou faz-lhe chegar por terceiros. Este ano, com o resgate do BES e a passagem para o Novo Banco, metade da fortuna já foi transferida para outra instituição bancária.
Recentemente, para as entregas de dinheiro deixarem de ocorrer às escâncaras e porque necessita todos os meses do dobro do ordenado que a Octapharma lhe paga por mês, o ex-líder socialista passou a usar um método mais complexo, com a conivência do representante da farmacêutica em Portugal, Joaquim Lalanda de Castro, que o convidou para o lugar.
E assim, todos os meses eram forjadas facturas. O dinheiro do espólio Sócrates é enviado para uma sociedade offshore sediada em Londres cujo beneficiário é Joaquim Lalanda de Castro. Este paga-lhe mais 12 mil euros através de outra sua empresa em Portugal, a título de nova avença – dinheiro este que o ex-primeiro-ministro declara ao fisco.
Este dinheiro passa a entrar na conta de Sócrates para que ele, que geralmente utiliza no dia-a-dia dinheiro vivo, possa fazer transferências e usar cheques em pagamentos de maior fôlego. Tudo numa aparente legalidade. SOL

@@ -Fortuna regularizada nos RERT, por lei que ele criou
Em 2010, enquanto os cofres do país se encaminhavam para o colapso, os de Sócrates não: tinha uma almofada financeira de 20 milhões de euros no banco suíço UBS, em nome de uma offshore titulada por Santos Silva, e decidiu então trazer o dinheiro para Portugal.
Para isso, o seu governo criou o segundo Regime Extraordinário de Regularização Tributária (RERT II), que permitiu a regularização fiscal de verbas depositadas no exterior até finais de 2009, mediante o simples pagamento de um imposto de 5% sobre o total desse património e desde que o titular o colocasse em Portugal. Carlos Santos Silva foi um dos aderentes ao RERT e o dinheiro foi transferido da UBS para o BES, em Portugal.
Deste modo, em vez de ter de pagar ao Estado um imposto que em condições normais é de quase 50% (10 milhões de euros), Sócrates regularizou a situação por apenas um milhão. Além disso, como estava previsto no RERT, ficou desonerado de qualquer outra responsabilidade tributária e, melhor, não ficou sujeito a ser indiciado por qualquer crime fiscal – o que aconteceria forçosamente se, em vez de utilizar um ‘testa-de-ferro’ para se apresentar perante o Banco de Portugal, tivesse dado o rosto por aquele capital, sendo neste caso obrigado a declarar a proveniência da fortuna.

@@ -Já em 2005 Sócrates trouxe meio milhão de uma conta offshore
Mas, segundo os investigadores, esta não foi a primeira vez que José Sócrates recorreu a este expediente. Já no primeiro mandato, logo em 2005, saiu o RERT I, ao qual o então primeiro-ministro aderiu de imediato para colocar em Portugal meio milhão de euros, que já nessa altura tinha numa offshore, também em nome de Santos Silva.  RERT

@@-Motorista de Sócrates ia periodicamente a Paris entregar-lhe dinheiro vivo
Há cerca de um ano, escutas efectuadas no âmbito da investigação aberta pelo DCIAP apanharam João Perna a falar sobre o esquema, que terá sido entretanto abandonado.
O motorista do ex-primeiro-ministro José Sócrates, João Perna, detido, ia periodicamente de automóvel a Paris entregar dinheiro vivo ao político, em quantias que atingiam as dezenas de milhares de euros.
A informação resulta de escutas efectuadas no âmbito da investigação aberta pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), há cerca de um ano, em que João Perna é apanhado a falar sobre esse esquema, que, contudo, terá sido abandonado pelo antigo governante há alguns meses. Haverá também vigilâncias ao motorista que transportaria o dinheiro até à luxuosa casa que o antigo primeiro-ministro habitava no centro de Paris.
Numa complexa sucessão de movimentações bancárias, o dinheiro que Sócrates detinha (não se sabe qual a origem dele, mas os investigadores suspeitam que terá sido fruto de luvas face aos indícios de branqueamento de capitais recolhidos) e que era transaccionado pelo seu amigo de infância e empresário Carlos Santos Silva, passaria através de offshores para a conta do representante da Octapharma, que o entregaria a Sócrates para pagar uma falsa avença, inventada apenas para branquear o dinheiro.
(...)Segundo a farmacêutica, o ex-primeiro-ministro integra o conselho consultivo para a América Latina, funções que “não envolvem qualquer actividade em Portugal ou relacionamento com filial portuguesa”, sublinhando que a relação profissional entre as duas partes “sempre se pautou pelo estrito cumprimento da lei e por um vínculo contratual claro e transparente”.
Apesar de existirem escutas telefónicas no processo, a base da prova do inquérito é essencialmente de natureza documental, incluindo diversa informação bancária, o que poderá ajudar a explicar a razão pela qual Sócrates escolheu o advogado João Araújo, com uma vasta experiência em direito bancário, para o representar neste caso.
Aliás, nas buscas realizadas na residência do ex-primeiro-ministro, no edifício da Rua Braancamp, em Lisboa, os investigadores apreenderam vasta documentação bancária, nomeadamente extractos que poderão ser relevantes para consolidar a prova recolhida neste processo. O mesmo ocorreu numa box que Sócrates tinha alugada numa empresa em Alvalade, onde guardava documentos.

Fonte próxima do processo garantiu ao PÚBLICO que a investigação foi aturada e é consistente, fazendo crer que a detenção do ex-primeiro-ministro só foi decidida quando um extenso conjunto de provas cabais estava já reunido. Neste ponto, os investigadores tiveram cuidados acrescidos. A operação não pode, na perspectiva dos investigadores, revelar a mínima falha, até por estar em causa um ex-primeiro-ministro que passa a estar na mira da justiça.
(...) Até agora os investigadores tentaram reconstituir o percurso do dinheiro, numa investigação que contou com o apoio da autoridade tributária nacional e de algumas congéneres europeias, que têm cooperado com o Ministério Público através de canais mais simples e ágeis, evitando assim o recurso às burocráticas cartas rogatórias, que implicam pedidos formais através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que depois os remete para as embaixadas do país às quais se pede cooperação internacional.
Importante terá sido igualmente o diálogo directo entre as autoridades judiciais portuguesas e francesas(...) Público

@@Livro de Sócrates comprado por ele próprio
Milhares de exemplares do livro escrito por José Sócrates, terão sido comprados com dinheiro levantado por Carlos Santos Silva da fortuna que José Sócrates lhe confiou. SOL
@@ -Sócrates almoçou com Pinto Monteiro antes da detenção
De acordo com o jornal SOL, o encontro teve lugar no restaurante do Hotel Aviz, em Lisboa. O antigo procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro, e o ex-primeiro-ministro, José Sócrates, encontraram-se, na última terça-feira, para um almoço privado.
Segundo o jornal SOL, o encontro teve lugar no restaurante Aviz, no Hotel Aviz, em Lisboa, tendo o almoço decorrido numa zona mais reservada do estabelecimento.
A mesma fonte contactou Pinto Monteiro para tentar perceber qual teria sido a razão para tal almoço particular, mas o ex-procurador-geral da República recusou-se a tecer qualquer comentário.
“Não tenho nada a dizer sobre isso. Não falo desse assunto. Nunca na minha vida discuti decisões judiciais, nem situações pessoais”, respondeu Pinto Monteiro ao SOL, frisando ainda que é “magistrado há 47 anos”.
Sócrates acabou então por viajar para Paris, onde tem casa no mais caro bairro parisiense. O regresso a Portugal estava agendado para quinta-feira, mas, de acordo com informações difundidas na imprensa, o ex-líder do PS desistiu da viagem quando já tinha o check-in feito.
Sabe o SOL que na primeira noite que passou nos calabouços do Comando Metropolitano da PSP, em Lisboa, José Sócrates recusou o jantar disponibilizado pelos agentes daquela força policial.
O ex-primeiro-ministro continuará a ser ouvido, este domingo, no Tribunal de Instrução Criminal no Campus de Justiça, em Lisboa. O juiz responsável é o conhecido ‘superjuiz’ Carlos Alexandre. Público

@@-Noronha ameaça juiz com processo (26.02.2011)
Decisão de Carlos Alexandre de não destruir escutas que envolvem Sócrates leva presidente do STJ a intimidar juiz com pagamento de indemnização.
As escutas envolvendo José Sócrates – obtidas no âmbito da investigação a Armando Vara no processo ‘Face Oculta’ – estão a provocar um autêntico vendaval na Justiça. Noronha Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ameaça Carlos Alexandre, juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, com a possibilidade de serem abertos processos disciplinares, e avança já com a hipótese de o magistrado vir a ser obrigado a pagar uma indemnização cível, caso as escutas venham a ser públicas.
Num despacho invulgarmente agressivo, Noronha vai ainda mais longe e ameaça processar também Paulo Pinto de Albuquerque – actual juiz do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e autor de um parecer em que defende que a decisão de mandar destruir as escutas é nula – e todos os jornalistas e grupos de comunicação social que as publicarem.
As críticas não terminam por aqui. Noronha volta a realçar a "irrelevância" do que chama serem conversas privadas e acusa também os investigadores – presume-se que a PJ de Aveiro e o Ministério Público da mesma comarca – de terem feito chegar ao processo as escutas "às pinguinhas", como forma de conseguirem que as mesmas viessem a cair do domínio público.
O presidente do Supremo Tribunal de Justiça lança por fim um repto a Carlos Alexandre: se o magistrado não destruir as escutas ou não as enviar ao Supremo para que sejam destruídas, então que as torne públicas. E assuma as consequências. CM

@@ -CGD denunciou transferência de milhares de euros para Sócrates
Operações entre as contas da mãe e uma de José Sócrates na CGD levou o Ministério Público até ao ex-primeiro-ministro e a Carlos Santos Silva. DN

@@-Lena, a construtora do regime socrático
Nos Governos de José Sócrates, a Lena era acusada pelos concorrentes de ser a construtora do regime. A intimidade residia no amigo e colega de curso Carlos Santos Silva.
Segundo os seus concorrentes, era a própria Lena que invocava uma relação privilegiada com o poder para ganhar capacidade de influência. Nas missões ao estrangeiro, os gestores das outras construtoras estranhavam a informalidade com que os representantes da família se referiam ao José, então primeiro-ministro. Era vulgar, na altura, presidentes de construtoras gracejarem, entre amigos, que nos "consórcios o melhor é incluir a Lena, sempre dá uma ajuda".
O ex-gestor de uma construtora confirma ao Expresso que eram os próprios responsáveis que tornam essa proximidade "pública e notória" ao invocar repetidamente "facilidade de acesso ao José".
A Lena integrava sempre as comitivas ao estrangeiro do primeiro-ministro, mas a verdade é que também não falhava as viagens presidenciais. Até Miguel Relvas, dirigente do PSD, considerava, na altura, injusta a colagem ao poder socialista do maior grupo industrial da região centro.

@@ - A pista Carlos Santos Silva
Já na altura se comentava no sector da construção que a pista que ligava Sócrates ao conglomerado de Leiria residia num administrador do grupo, Carlos Santos Silva, seu amigo de infância e colega no ISEC - Instituto Superior de Engenharia de Coimbra.
O engenheiro era quadro da Lena Construções e subiu em 2008 até administrador. Carlos frequentara o mesmo curso e partilhou o mesmo quarto de Sócrates, em Coimbra. (...)
O contrato para fornecer cinco mil casas à Venezuela e a inclusão no consórcio, liderado pela Teixeira Duarte, para a ampliação do Porto de la Guaria, em Caracas, surgiam como sinais exteriores da bênção do Governo Sócrates. A Venezuela tornou-se o maior mercado exterior da Lena.
No plano interno, a concorrência queixava-se de que a construtora de Leiria tinha conhecimento dos concursos antes de serem lançados no mercado.

O projeto "i"
A curiosidade sobre o conglomerado de Leiria cresceu com o anúncio do lançamento do jornal "i", em 2009. O projeto era ambicioso (15 milhões de euros) e tinha uma carga política, prometendo disputar o mercado do "Público" e do "Diário de Notícias".
(...) O grupo Lena sempre lidou mal com esta ligação ao poder socialista e o atual presidente, Joaquim Paulo Conceição, refere que a Lena "mantém com todos os Governos relações no plano institucional", desmentindo colagens a qualquer poder.

@@ - A nova Lena, Portugal torna-se pequeno, há garantias lá fora?
(...)Na carteira de 4,1 mil milhões de euros, as obras estão quase todas no estrangeiro. Por isso, o fator crítico do novo ciclo da Lena reside na transferência da liquidez. A geração de dinheiro é feita no exterior e os compromissos financeiros estão em Portugal.
A Lena opera em dez mercados externos e ambiciona marcar presença no México e Colômbia, 15 anos depois de se ter estreado no exterior pelo Brasil. Na Colômbia negoceia a construção de três mil casas sociais, num valor estimado de 115 milhões de euros, nos arredores de Bogotá.
Mas a grande exposição do grupo está na Venezuela. O mercado pesa mais de 50% da carteira, alicerçada num contrato geral de 50 mil casas sociais. Nesta fase, a construtora "está a meio do primeiro subcontrato de 12.500 casas, com a instalação de duas fábricas de prefabricados", refere Joaquim Paulo Conceição ao Expresso. Na Argélia, a construtora ganhou este ano novas empreitadas no valor de 100 milhões de euros.
Em 2013, o grupo Lena faturou 527 milhões de euros, 40% dos quais no exterior. ://expresso.
@@ -Cheques de Sócrates descobertos em quinta no Ribatejo
No percurso de uma vida, há quem deixe pelo caminho espólios inéditos. Esta é a circunstância que liga Sócrates a Nuno Caçador, que fez uma descoberta inusitada: num móvel abandonado na sua quinta do Ribatejo, encontrou dezenas de livros de cheques por usar, de José Sócrates e de outros familiares.
À medida que corria as cadernetas, saltavam-lhe à vista os nomes de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, do tio, da irmã e de três empresas da família, nos mais variados bancos: BES, Fonsecas e Burnay, Totta & Açores e Banco Português do Atlântico.
Dos 1.273 cheques, 263 são de uma conta de José Sócrates no Totta, 110 são de uma conta do tio, António Pinto de Sousa, e 75 de uma conta da irmã, Ana Maria. À época (1991), Sócrates era deputado e cortara o vínculo à Sovenco, empresa na área dos combustíveis, na Amadora, que fundara com Armando Vara, entre outros sócios.
Na entrevista à RTP, Sócrates assegurou aos portugueses nunca ter tido acções nem offshores e de ser, precisamente há 25 anos, senhor de «uma única conta, na Caixa Geral de Depósitos». E, uma vez que nunca fez poupanças, foi obrigado a contrair um empréstimo na Caixa para fazer um mestrado em Paris.

Opinião:
@@ - Gomes Ferreira: É legítimo supor

A propósito da detenção de José Sócrates, recordo por estes dias vários momentos da vida política do país e do exercício do jornalismo em Portugal.
No final do primeiro mandato e já em ano de eleições legislativas, o primeiro Ministro aceita dar uma entrevista televisiva à SIC, conduzida por mim e por Ricardo Costa.
No decurso da conversa tensa, crispada, José Sócrates é confrontado com um gráfico do próprio orçamento de Estado de 2009, que mostra o verdadeiro impacto das sete novas subconcessões rodoviárias em regime de parceria público privada: a conta a cargo do contribuinte é astronómica, mas só começará a ser paga...em 2014.
A reação do político é de surpresa desagradável, de falta de argumentos rápidos, pela primeira vez em muitos momentos de confronto jornalístico com a realidade das políticas que estavam a ser lançadas como "as melhores para o país", sem alternativa válida. Na mesma entrevista, Ricardo Costa questiona o então primeiro Ministro sobre o verdadeiro impacto da política para o setor energético, que estava a invadir a paisagem com milhares de "ventoinhas" eólicas. A reação evoluiu da surpresa negativa para a agressividade.

No balanço dessa entrevista, boa parte do país "bem pensante" insurgiu-se contra...os jornalistas. Os nomes que então nos chamaram estão ainda na internet, basta fazer uma pesquisa rápida.
Nesse ano de 2009, o Governo tinha lançado um pacote de estímulo à economia no valor de 2 mil milhões de euros - obtidos a crédito no exterior porque nem Estado nem privados tinham já poupança interna suficiente.
A maior parte do mega-investimento foi aplicada na renovação de escolas através da Parque Escolar. Uma crise decorrente de um brutal endividamento combatia-se com mais dívida.
No ano anterior, a Estradas de Portugal tinham visto os seus estatutos alterados por iniciativa do Governo. Passava a ser uma entidade com toda a liberdade para se endividar diretamente, sem limite. Ao então primeiro Ministro, ao Ministro da tutela, ao secretário de Estado das obras públicas, perguntei muitas vezes em público se sabiam o que estavam a fazer. E fui publicamente contestado por andar a "puxar o país para baixo".

Em 2007, o então Ministro da Economia cedia por 700 milhões de euros a extensão da exploração de dezenas de barragens por mais 15 a 25 anos à EDP. Os próprios relatórios dos bancos de investimento avaliaram na altura esta extensão em mais de 2 mil milhões de euros.
A meados de 2009 começa a ouvir-se falar do interesse da PT em comprar a TVI. O negócio é justificado pela administração da empresa como uma necessidade de as operadoras de telecomunicações, distribuidoras de conteúdos avançarem para o controlo da produção desses mesmos conteúdos.
Por aquela altura, já os casos, dos projetos da Cova da Beira, da licenciatura duvidosa e das alegadas luvas no Freeport faziam as páginas dos jornais e aberturas nas televisões.

Por aquela altura, o jornalista e gestor Luís Marques, dizia-me que era uma vergonha nacional Portugal ter um primeiro Ministro com indícios de ser corrupto. E que a nível internacional isso também já era notado.
Confesso que apesar das dúvidas que tinha sobre a condução dos grandes negócios de Estado, achei exagerada a afirmação. Sublinho a altura em que foi feita - finais de 2009.
O tempo, esse grande clarificador, fez o seu trabalho.
Muitas mais histórias ouvimos desde então sobre a mesma personalidade política.
Desde há muito que está a ser questionada a legalidade da atribuição de concessões de barragens por valores irrisórios; que está a ser investigada a suspeita de favorecimento de decisores no processo das PPP rodoviárias; que foi investigada e estranhamente arquivada a suspeita de controlo deliberado da comunicação social através da compra de um grande grupo de comunicação social por uma empresa do regime; que se continuam a investigar a razoabilidade dos mega-investimentos em novas escolas e dos pagamentos avultados a determinados fornecedores...
Outras histórias mal-explicadas, como a da origem dos recursos para manter multiplicados sinais exteriores de riqueza, foram correndo o seu tempo e os seus termos, com ou sem intervenção das entidades de investigação...
O tempo, esse grande clarificador, faz sempre o seu trabalho.
A suspeita materializa-se agora sob a forma de detenção e prolongado interrogatório. A imprensa, desde sempre acusada de conspiração, destapa agora indícios de inquietantes de conluios com recetadores e correios de verbas muito avultadas.
Só se surpreende quem não quis ver os sinais.

É legítimo supor que mais investigações levarão a mais resultados. É legítimo perguntar porque é que no ano 2010 aparecem 20 milhões de euros na conta de um amigo na UBS, na Suíça. E é legítimo lembrar que em Julho desse ano a PT vendeu a Vivo à Telefónica por 7.500 milhões de euros. E é legítimo imaginar que negócios desse tipo requeiram "facilitadores".
Face ao que aconteceu na história recente deste país, é legítimo a um jornalista e a qualquer cidadão interrogar-se sobre tudo isto e muito mais.
E é extraordinário ver que a maior parte do tempo de debate sobre esta mediática detenção é gasta em condenações à maneira de atuar das autoridades judiciais, como se fosse dever dos investigadores convidarem o suspeito para uma conversa amena num agradável bar de hotel, por ter ocupado o cargo que ocupou.
Não, o que está a acontecer em Portugal, com a queda do Grupo Espírito Santo e de Ricardo Salgado, as detenções de altos funcionários públicos no caso dos Vistos Gold e a detenção de José Sócrates, não é uma desgraça: é a Grande Clarificação do Regime, a derrocada do Crony Capitalism, o capitalismo lusitano dos favores e do compadrio.
É revoltante saber que o Parlamento aprovou sem hesitar todos os regimes especiais de regularização tributária, os RERT I, II e III, quando sabiam que a respetiva formulação jurídica iria apagar todos os crimes fiscais associados à repatriação do dinheiro de origem obscura que tinha sido posto lá fora. Os deputados foram previamente avisados desse gigantesco efeito de "esponja" pelos mesmos altos responsáveis tributários que me avisaram a mim...

Os mesmos RERT que passaram uma esponja sobre as verbas de Ricardo Salgado e as do recetador agora identificado no caso do ex-primeiro Ministro.
Sim, o Parlamento continua lamentavelmente a ser a mesma central de interesses.
Mas há esperança. Tal como o país está a mudar, o Parlamento também há de mudar.
A nós, cidadãos e jornalistas, assiste o direito de fazer perguntas, face a sinais estranhos que alguns políticos insistem em transmitir. Face a esses sinais, é legítimo supor.

Sócrates dificilmente será condenado. Está condenado a ser inocente. Truques para fintar a justiça.

  1. No caso Face Oculta, facilmente se destruíram as escutas de Sócrates e provas que para além de favorecerem os suspeitos, culminaram num pedido de anulação do processo, por irregularidades. De recurso em recurso, até prescrever. 
  2. A licenciatura em engenharia civil na Universidade Independente (UnI), com notas lançadas ao domingo e quase todas as cadeiras dadas por António Morais, que foi arguido no processo Cova da Beira, foi investigada pelo DCIAP, que arquivou.
  3. Rejeitar provas é outra forma de ilibar ou escapar, como o caso do famoso video inglês. 
  4. Deixar prescrever também resulta, fraude fiscal de tio de Sócrates prescreveu
  5. Não ouvir as testemunhas e arquivar também é bom... para os suspeitos.
  6. Fazer desaparecer documentos como no caso dos submarinos é um bom truque e muito usado. 
  7. Por outro lado também esquecer-se de pedir mais tempo, dá bom resultado.Cândida Almeida responsável pelo fim das investigações ao caso Freeport. Fernando Pinto Monteiro esclareceu que o processo foi encerrado, para dedução de acusação, porque a atual diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP),"não pediu mais tempo"
  8. Atrasar e renomear até à prescrição como no caso Camarate
  9. Perseguir quem tem provas e denuncia também resulta. 
LISTA DE VIDEOS DE MAIS CASOS SUSPEITOS DE SÓCRATES


 http://apodrecetuga.blogspot.com

Sem comentários: