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terça-feira, 9 de outubro de 2012



RECADO A PORTUGAL

Ainda que te cante, oh Pátria amada
E que neste meu canto te enalteça,
Por toda a tua História consagrada
Que nada tem que a Honra não mereça,
Com erros e acertos que são Nada
Que ensombre Teu passado ou enegreça,
Teus feitos pelo mundo são citados

E Honras são aos teus antepassados.

E querendo mesmo assim perpetuar
Os atos, as tamanhas valentias,
Esse nato prazer de desbravar
A fome de aventura que sentias,
As naus, as caravelas pelo mar
E essas boas novas que trazias,
Feitos, tão bem descritos por Camões
Numa das suas grandes criações.

Um povo que inda há pouco nos fez crer
Que tinha as crenças suas renovado,
Libertando a Nação com o querer
Num brado bem sentido, revoltado.
Resgatou nossa honra e a meu ver,
Também nos libertou nosso passado.
Houve erros, alguns erros ,eu aceito,
Só que errar é humano, não tem jeito.

Como posso cantar-te se hoje em dia
És sombra do que foste no passado?
Não sei se por má obra de magia
Ou se por pura falta de cuidado,
Porque os homens honestos, eu diria,
"Assunto" são, que está ultrapassado.
O Lema do Honrado morreu mesmo,
Hoje é mentir, roubar, sacar a esmo.

Como posso louvar-te oh Pátria amada
Se nos jardins do "Reino" passeando,
Em cima duma "relva" mal cortada
Anda um "coelho" à solta só roubando,
O pouco da "comida" amealhada
De quem passou a vida trabalhando.
REVOLTA estou sentindo no momento
Cantar-te eu já não posso, mas lamento!

Helena Cunha Caneiro

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