Eu Vivo...
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| Prémio de Sor. Cecilia Codima Masachs |
A vida do poeta
Tem um outro ritmo.
Na fragilidade desse mundo
Eu vivo.
Na apatia dos ruídos da rua
Eu vivo.
Onde o silêncio murmura
E as rosas se desfolham
Eu vivo.
Na solidão das noites caladas
De vidas perdidas
Eu vivo.
No carpir das mágoas contidas
O tempo se dissolve
E eu vivo.
Na saudade antecipada da partida
Eu vivo.
Persigo há anos um sonho
Que nunca vou alcançar,
Mas vivo.
Piso a terra abandonada
Olho o céu enegrecido
E vivo contigo.
Volto ao princípio de tudo
E a noite se ilumina
Com outra claridade
E duvido se vivo.
Será que tudo emudeceu
Será que os céus estão vazios
Será que há vozes?
Entrei sem entrar
Pensei sem pensar
E representei.
Que tenho feito na vida
Se represento momentos vividos
E não sei meu nome...
Tenho pedido por mim
E por ti a todas as horas
Que passam e fogem
Aos meus pedidos.
E continuo a escrever
Sem me mover
Do mesmo recanto
Onde nasci.
E digo que continuo a viver
E minto quando digo,
Eu vivo!...
Maria Luísa Adães
blog Os 7 Degraus

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