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terça-feira, 9 de outubro de 2012


Eu Vivo...

Prémio de Sor. Cecilia Codima Masachs

A vida do poeta
Tem um outro ritmo.

Na fragilidade desse mundo
Eu vivo.

Na apatia dos ruídos da rua
Eu vivo.

Onde o silêncio murmura
E as rosas se desfolham
Eu vivo.

Na solidão das noites caladas
De vidas perdidas
Eu vivo.

No carpir das mágoas contidas
O tempo se dissolve
E eu vivo.

Na saudade antecipada da partida 
Eu vivo.

Persigo há anos um sonho
Que nunca vou alcançar,
Mas vivo.

Piso a terra abandonada
Olho o céu enegrecido
E vivo contigo.

Volto ao princípio de tudo
E a noite se ilumina
Com outra claridade
E duvido se vivo.

Será que tudo emudeceu
Será que os céus estão vazios
Será que há vozes?

Entrei sem entrar
Pensei sem pensar
E representei.

Que tenho feito na vida
Se represento momentos vividos
E não sei meu nome...

Tenho pedido por mim
E por ti a todas as horas
Que passam e fogem
Aos meus pedidos.

E continuo a escrever
Sem me mover
Do mesmo recanto
Onde nasci.

E digo que continuo a viver
E minto quando digo,
Eu vivo!...

Maria Luísa Adães

blog Os 7 Degraus

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