Volta a Portugal 2012: Região algarvia mais uma vez de fora da rota da prova
mais uma edição da Volta a Portugal em Bicicleta, este ano com o alto patrocínio da Liberty Seguros, empresa de seguros que mais uma vez se associa a este evento desportivo.
De Castelo Branco a Lisboa, os 169 ciclistas vão percorrer mais de 3000 Km, divididos por 11 etapas (7 planas ou de média montanha, 2 de alta montanha – Srª da Graça e Torre, 1 prólogo e 1 contra-relógio).
Serão então 11 dias de festa, com muito ciclismo de alto nível, muita gente na estrada, uma mega-operação televisiva e emoção a “rodos”, prevendo-se uma luta titânica pela camisola amarela.
O espanhol David Blanco irá tentar vencer a prova velocipédica pela 5ª vez, batendo assim o recorde de 4 vitórias que lhe pertence (ex-aequo com Marco Chagas), enquanto o algarvio Ricardo Mestre vai tentar conquistar a competição pela 2ª ocasião consecutiva.
Por falar em Algarve, a Volta a Portugal deste ano “volta” a estar envolta em polémica, pois a região algarvia (e o Alentejo) não está contemplada no percurso de mais de 3000 Km.
Trata-se de uma situação recorrente, mas que ano após ano vem causando algum “incómodo” aos habitantes do sul do país, que se sentem “descriminados” em relação aos moradores no Norte e Centro.
A capital Lisboa vai ser a cidade mais a Sul a receber a Volta, enquanto Valença do Minho será a localidade mais a Norte a albergar uma tirada da importante prova velocipédica.
O director da competição, o ex-ciclista Joaquim Gomes, justifica o facto dos ciclistas não passarem pelo sul do país com a falta de patrocinadores: “Se tivéssemos mais patrocinadores o percurso seria naturalmente outro, abrangendo uma mancha maior do território nacional”.
Na apresentação da prova, que decorreu na Praça Marquês de Pombal (em Lisboa), Gomes afirmou que “80 a 85 por cento das câmaras municipais do norte do país já assinaram protocolos com a PAD e com a Lagos Sport por vários anos, garantindo a realização da prova nesses municípios“, acrescentando que “por isso, não podemos mudar o figurino da prova de ano para ano; só podemos fazer alterações pontuais e de pouca monta“.
O facto da prova só durar 11 dias é outro dos “problemas” que Joaquim Gomes aponta como justificação: “Por imposição da UCI, a prova só pode durar 11 dias e em 11 dias é difícil atravessar o país de lés a lés com uma caravana enorme de 300 a 400 pessoas; depois, temos que ter etapas selectivas, de média e alta montanha e estas condições só encontramos no norte do país; não podemos mudar o relevo de Portugal, é este que temos e é com este que temos de viver”.
No entanto, na Internet é fácil de encontrar rumores que apontam outros “motivos” para a ausência do Alentejo e do Algarve no percurso da Volta deste ano. O dinheiro que as câmaras “oferecem” à organização é o primeiro motivo de um “rol” de situações algumas mais verdadeiras do que outras.
O facto do Algarve não ter alojamentos suficientes na época do Verão e da “confusão” da Volta causar problemas ao veraneantes é outra das causas apontadas para a não realização da prova na região mais a sul de Portugal.
Dos restantes motivos que circulam na “aldeia global”, destaque ainda para a realização da Volta ao Algarve. A prova, que há cerca de 20 anos anima o Inverno algarvio foi criada para atenuar os prejuízos causados a esta região, segundo alguns relatos referidos na net.
Os apoios, cada vez maiores, e o convite das melhores equipas e ciclistas do pelotão mundial apontam para um afastamento cada vez maior do Algarve na rota da prova mais importante do calendário velocipédico português.
Acreditamos que, no futuro, o Algarve (assim como o Alentejo e o interior transmontano) vai continuar afastado do percurso das próximas edições da Volta a Portugal, pois as condições e os apoios dados ao director Joaquim Gomes, o relevo da região e a própria Volta ao Algarve são entraves bastante importantes à inclusão desta região tão importante no panorama velocipédico luso.
Jornalista: João Miguel Pereira
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