Um Cábula
09Segunda-feiraJul 2012
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Depois é vê-los nos meios de comunicação social, sob o nome o labéu politólogo, professor de ciências políticas ou algo semelhante, a perorar sobre política nacional e internacional, dizendo as maiores banalidades com o ar mais circunspecto, Quando se sai da bagatela o dislate é garantido. Nada disto é inocente e inócuo. Sem qualquer surpresa ou curiosidade alinham todos pelo mesmo diapasão. A desafinação, quando existe, é de pormenor, nunca de fundo. Nada ou pouco esclarecem até porque o seu objectivo principal não é analisar, elucidar, ajudar a compreender. Manipulam a realidade para a tornar credível, portanto sem alternativas. Uma espécie de baixo clero pós-moderno na linha da frente da propaganda do sistema. São programas de entretenimento que preenchem os espaços nos meios de comunicação social. Sofrem a concorrência de outros com formatos equivalentes e muito maior audiência: os que escalpelizam, com argumentos doentiamente clubísticos o futebol como se fosse irrelevante esse desporto ter deixado de ser desporto para se tornar num mundo de negócios claros e escuros que é o seu caldo de cultura actual que sulfurizou o amor à camisola. Esse o grande ponto de confluência com o mundo política, como é mostrado e lido por essa gente, em que os partidos políticos se uniformizaram, se tornaram as correais de transmissão de interesses económico-financeiros, cada vez mais concentrados em Mega pólos sem rosto, actividade política se quer reduzida aos actos eleitorais, mesmo essa actividade democrática se quer cerceada deixando de ser o campo da luta de classes pacífica.
Gerou-se assim uma raça ferroviária que se senta nos bancos das estações da sua preferência a ver passar os comboios sem cuidar de saber para onde vão, o estado da máquina, a qualidade do combustível ou se arriscam um acidente grave. Limitam-se a conferir os horários e a debitar sentenças sobre a sua validade, as discrepâncias entre chegadas e partidas e as tabelas. Não se pode querer que se levantam, venham até à porta da estação ver a vida a passar e a ser vivida. Grave risco para quem criou raízes nos assentos. Levantarem-se seria o naufrágio.
Por tudo isto não se compreende essa fúria escrutinadora do currículo académico de Miguel Relvas. A única conclusão válida é que o sujeito é um cábula. Um ano para se licenciar em Ciências Políticas? Seis meses já seria tempo excessivo para deglutir tão relevantes matérias.
O que a Universidade está a precisar é de uma limpeza séria nos currículos dos cursos. Muitas das licenciaturas produzem astrólogos e de má qualidade.
Praça do Bocage
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