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terça-feira, 9 de outubro de 2018

ANTÓNIO GERVÁSIO (construtor do PCP) - Guilherme Antunes in facebook



ANTÓNIO GERVÁSIO – (construtor do PCP)

Dirigente histórico do Partido, particularmente por 3 momentos heróicos, que ajudaram a construir a imagem de fortaleza da Resistência, inigualável, contra o fascismo salazarento. A conquista impensável das 8 horas de trabalho para o operariado agrícola, a fuga epopeica dos cárceres de Peniche juntamente com Álvaro Cunhal e o destaque como dirigente revolucionário (da CP) para a coordenação e o avanço imparável nas terras da Reforma Agrária, sem esquecer, um milímetro, a contribuição fundamental do camarada Dinis Miranda, igualmente da CP.

A decisão de passar à clandestinidade não foi tomada de ânimo leve (nunca era), uma vez que recusou inicialmente e só a insistência de Octávio Pato o convenceu a ir para outra vida.

Vida dura, heróica, como convém realçar a quem escreve qualquer palavrinha sobre estes homens e mulheres. Tinham que parecer as criaturas mais vulgares, ditas as mais “normais”. O perigo era muito e a polícia rondava sempre.

Naquele Alentejo em que adquiriu a necessária consciência da exploração miserável do povo, constatou com facilidade, face à fome, que as pessoas não tinham direitos. Que o trabalho do campo era feito na relação do escravocrata e do escravo, onde raramente havia trabalho e quando este aparecia era de sol a sol.

Andava por todo o Alentejo em bicicleta. No final dos anos 50 pedalava cerca de 2 mil kms por mês. Esforço físico só comportável à certeza da razão da proposta do PCP. Era urgente acabar com todo aquele sofrimento de um povo depauperado e exangue. Havia uma resposta científica para a luta (o marxismo) e ele conhecia-a.

Quando foi preso em 1960, em Caxias, esteve 14 horas a ser espancado com paus. Inchou tanto que ficou impossibilitado de caber na roupa. Em 1970, por ocasião da sua 3ª prisão, os esbirros fascistas mantiveram-no 18 dias e 18 noites com a tortura do sono. O camarada afirmou um dia, que não há palavras que consigam explicar este tipo desumano de tortura.

A conquista das 8 horas de trabalho foi um trabalho árduo de consciencialização política e de classe, que levou 5 anos a preparar. O Partido tinha nesta tarefa hercúlea 5 funcionários destacados. O êxito foi retumbante, a repressão inaudita, mas foram mais de 200 mil trabalhadores que se envolveram no movimento.

Nunca acreditou na “perestroika” e percebeu desde sempre que o Socialismo ficou em perigo a partir do desaparecimento de Stalin. Gervásio dizia nunca ter compreendido como é que um poderoso Partido comunista, com 18 milhões de membros, se aquieta perante o descalabro que se desenrolava à sua frente.


2 comentários:

Aderito disse...

Gervásio dizia nunca ter compreendido como é que um poderoso Partido comunista, com 18 milhões de membros, se aquieta perante o descalabro que se desenrolava à sua frente.

Sobre isto, já eu me tenho questionado muitas vezes, o que me interessava era uma resposta.

Garrochinho disse...

também eu Adérito ! também eu me questiono e custa-me a entender