A TRAIÇÃO CONTINUADA DO PCF-PEE*
(parte essencial de um comunicado do PRCF – Pôle de Renaissance Communiste en France)
«Recusa defender uma saída do euro e da UE, que é a peça central do dispositivo do grande capital; recusa condenar o anti-sovietismo, lançando fora o bebé com a água do banho (o texto Chassaigne fala do “fracasso da URSS” e nada diz sobre a monstruosa traição de Gorbatchev, para invocar apenas este aspecto do principal facto que determina a nossa época: a contra-revolução!); recusa a referência, no entanto existencial, a um verdadeiro Partido comunista, leninista (o único texto apresentado, que falava do marxismo e do leninismo, o de Paris-XV, obteve 7,5% dos votos, o que diz muito sobre as evoluções ideológicas dentro do PCF...); recusa a solidariedade internacionalista em relação aos Partidos comunistas ameaçados de proibição, como o PC da Polónia ou dos países progressistas à mercê do imperialismo...; todos estes elementos e muitos outros não permitem, em qualquer caso, que nos iludamos sobre a transformação de uma revolução palaciana – levando eventualmente ao poder um líder nortista que vai na esteira do mutante Bocquet, onde um grupo substitui outro muito desgastado para executar a mesma política –, num renascimento do Partido Comunista.
Se ninguém, entre os comunistas, deveria chorar perante a bofetada a P. Laurent e seus acólitos, seria um profundo erro acreditar que da indefinição, do casamento da carpa e do coelho, pode sair um novo Congresso de Tours. Tours foi exactamente o oposto, uma clarificação em torno das 21 condições da IC [Internacional Comunista]. Não se trata, sequer, de um tosco compromisso entre os reformistas e os revolucionários, pois nem Chassaigne nem Laurent desejam romper com o Partido da Esquerda Europeia, na direcção do qual figura Tsipras, o homem que acaba de tentar proibir a greve na Grécia! Lembremo-nos que nunca houve uma Internacional dois e meio sustentável na história!
O PCF foi demolido pedra a pedra – sem trocadilhos – pela mutação antecedida do deletério euro-comunismo dos anos 70. O sobressalto dos militantes verdadeiramente comunistas do PCF – e eles existem – seria esterilizado se “se mudasse tudo para que nada mude”. É sobre a questão de fundo, as posições, as acções e o carácter de classe das análises e perspectivas políticas assumidas pela organização que se pode julgar a natureza da mudança e não numa aposta, perdida de antemão, de que desta agitação emergiria o Partido Comunista de que tanto precisamos.
Além disso, como Lenine nos mostrou, o oportunismo de direita e de esquerda reforçam-se mutuamente: a recusa reformista do Partido leninista leva à recusa sectária da política de Frente, ao isolamento e à derrota. Pois a política de Frente implica um Partido Comunista capaz de desempenhar o papel de direcção da classe operária, em particular dentro e fora da luta de classe.
E para fazer isto não chega constatar, o que é uma evidência, que a França insubmissa não pode, em nenhum caso, substituir a reconstrução de um verdadeiro Partido comunista; é preciso levar a cabo uma campanha junto da classe operária pelo Frexit progressista, para que emirja uma ampla frente, para tirar o nosso país da morte do euro/UE/NATO.»
*A sério que é assim que aquilo se chama!


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