Desinformação militante ou preguiça jornalística?
O Público ontem esmerou-se. Não só deu à estampa um editorial confrangedor, em que se papagueia de forma acéfala o discurso oficial em torno dos números do desemprego (como o João Ramos de Almeida aqui oportunamente assinalou), como decide colocar nas «gordas» da primeira página (sobre a tensão negocial entre a Grécia e as «instituições»), um título que parece ter sido directamente extraído da capa do Correio da Manhã.
Para o jornal Público, na sua edição de ontem, uma Grécia irresponsável teria exasperado esse monumento à sensatez e à tolerância que é a Europa dos nossos dias, restando a hipótese «sobrenatural» de que um «milagre» salve a situação. Percebendo nós depois, na notícia propriamente dita, que a expressão «milagre» fora utilizada pelo primeiro-ministro finlandês, Juha Sipila («a situação é difícil e o calendário apertado. Pode-se dizer que é preciso um milagre para ter o assunto resolvido na próxima semana»), sem que essa referência à fonte seja feita no destaque de primeira página.
Nada de novo portanto, se pensarmos na persistência das campanhas mediáticas de desinformação militante (ou, enveredando por hipóteses mais benignas, na persistência da preguiça jornalística e dos «hábitos de pensamento»). Para o Diário Económico, por exemplo, as coisas são igualmente simples: uma Grécia irresponsável continua a penalizar as pobres praças financeiras da Europa, essas mártires dos desmandos da política e da democracia (pelo que o plano das «instituições» para «resolver» a questão grega não é, obviamente, para aqui chamado).
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