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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

EDUCAÇÃO E PATRIMÓNIO CULTURAL: ESCOLAS, OBJECTOS E PRÁTICAS


Este projecto propõe realizar um trabalho de pesquisa sobre o património cultural da educação, redescobrindo a história da escola através da materialidade que marcou a sua configuração. É um trabalho que se torna urgente realizar, pois existe um número restrito de publicações sobre este tema em Portugal, e um grande número de materiais corre o risco de desaparecer. Outra dimensão importante é a divulgação social deste património, através de um museu virtual, com vista a promover o exercício da cidadania e a construção de identidades pela ligação aos materiais que marcaram os percursos de vida das pessoas que frequentaram a escola. As instituições escolares foram acolhendo muitos objectos ao longo do seu tempo de vida, por isso estamos a tratar de materiais que se foram agregando nas escolas desde meados do séc. XIX, quando surgiram os primeiros liceus e depois, na segunda metade do mesmo século, quando foram criadas as escolas técnicas. Por seu lado, os materiais específicos do ensino primário, mais perecíveis, podem ainda ser mais antigos. Estamos assim a mover-nos num arco temporal longo, que se prolonga até aos anos 70 do século XX.
De uma forma equilibrada em termos territoriais, será seleccionado um conjunto de escolas, tendo sempre em consideração a riqueza do espólio material que possuem. Serão abrangidos os vários níveis de ensino (primário/primeiro ciclo; preparatório/segundo ciclo; antigos liceus; antigas escolas técnicas – industriais, comerciais, agrícolas e artísticas), assim como tipos de formação específica, que são transversais às várias instituições, como a educação feminina, a educação colonial ou o ensino normal.
O estudo sistemático do património cultural da educação tem ainda em consideração a história dos vários níveis de ensino e das próprias organizações escolares, em que se inserem os objectos e no contexto das quais eles foram utilizados e reutilizados. O património educativo que chegou até nós é variado e inclui a arquitectura escolar, o espaço envolvente e a sua organização, os equipamentos, os materiais de uso quotidiano, os materiais didácticos (instrumentos científico-didácticos, quadros parietais, etc.), os meios audiovisuais, os trabalhos de alunos, os cadernos escolares, etc. Também abarca materiais em suporte de papel correlacionados com os objectos referidos como catálogos de casas editoras, manuais de ensino (que incorporam os materiais didácticos nos processos de ensino-aprendizagem prescritos), documentos de arquivo (requerimentos, recibos, inventários), e literatura articulada com o tema. A imprensa de educação e ensino ocupa um lugar importante, pela divulgação que faz destes objectos e pelos artigos de professores onde se aborda a utilização dos mesmos em contexto de sala de aula.
As investigações que têm sido desenvolvidas (teses e dissertações de doutoramento e mestrado de membros da equipa, estudos de investigadores que também integram o projecto) permitem estabelecer as correlações dos materiais com as disciplinas escolares e a sua história, assim como o seu papel/função de interconexão entre o conhecimento científico produzido e a alquimia a que este conhecimento é sujeito para se transformar em matéria de ensino. Outro segmento importante é o estudo dos autores destes objectos, que os conceberam ou adaptaram, e as casas editoras, produtoras e distribuidoras. Pode-se assim elaborar um mapa dos locais de produção destes materiais e articulá-los com os locais onde eles foram usados em contextos educativos, estabelecendo os circuitos de produção, circulação e apropriação dos modelos culturais e pedagógicos, através da materialidade com que se foram configurando e dos modos como viajaram no espaço transnacional.
Este estudo também contempla o conhecimento de projectos similares desenvolvidos em outros países europeus. os investigadores estrangeiros e consultores do projecto têm um papel importante na partilha de ideias e experiências sobre investigação, levantamento, inventariação, catalogação, digitalização e gestão das colecções de materiais educativos, assim como a tipologia por eles estabelecida para objectos desta natureza. As formas de divulgação das colecções e as actividades desenvolvidas pelas instituições são importantes, pela inserção que alcançaram nos meios científicos e na comunidade.
No desenvolvimento do projecto, ter-se-á em conta as bases de dados disponíveis para consulta pública, pois representam um conhecimento acumulado e permitem uma primeira análise das colecções, para um estudo mais aprofundado.
Será assim possível construir um nível de conhecimento, neste domínio, similar ao que se regista noutros países europeus sendo de realçar entre os resultados expectáveis, a realização de um congresso internacional de final de projecto, a edição de um livro sobre o património educativo português, a construção de um museu virtual da educação e a consolidação de laços da comunidade científica portuguesa com a rede de investigadores europeus que trabalham neste domínio.
O Material Escolar diverso  não abrange só as décadas discriminadas mas vamos recuar ao principio do seculo XX
O tema dos cadernos escolares de outros tempos, esses emblemáticos auxiliares da nossa escola primária. Desta vez, um belo exemplar, com capas em diferentes cores, ambos de linha larga, sem referência de fabricante ou data, mas possivelmente dos anos 40/50.
A simbologia da ilustração é recorrente neste tipo de cadernos escolares, com um rapaz e uma rapariga a caminho da escola. Esta, já se avista ao fundo, com alguns símbolos característicos como o relógio e a bandeira hasteada. Parece ser o típico edifício com duas salas de aulas, uma para o sexo masculino e outra para o sexo feminino. É verdade, frequentei a escola primária entre 69 e 73 e nessa altura havia salas distintas para rapazes e raparigas embora no recreio e no espaço envolvente à escola não houvesse qualquer impedimento de mistura. Nessa altura explicava-se que um dos critérios era impedir as distracções mas parece que o verdadeiro fundamento, vindo de tempos ainda mais antigos, tinha a ver com o que se considerava das características e necessidades distintas na educação entre rapzes e raparigas e estas aprendiam de facto coisas que não os rapazes, nomeadamente nas famosas aulas de lavores onde lhe eram administradas  tarefas tidas como femininas, como costurar, fazer crochet, culinária, entre outras.
É verdade que estas distinções que hoje em dia podem ser julgadas como discriminatórias e sem fundamento, no fundo não mudaram muito e apesar de haver mulheres que fazem tarefas de homens e vice-versa, tanto no ambiente doméstico como no profissional, também é verdade que ainda há coisas que continuam a ser feitas só por homens ou só por mulheres. Há coisas que se podem vestir de diferentes roupagens e dar-lhes o conceito que se quiser, mas delas não se pode mudar a natureza. Ainda bem que assim é, mesmo quando a outra natureza, a das sociedades modernas, queira pôr tudo no mesmo saco e considerar a excepção ao nível da regra.
Mas isto daria pano para outras mangas e, vejam só, queríamos apenas dar a conhecer uns simples, belos e nostálgicos cadernos escolares.

centrodeestudosportugues1.wordpress.com

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