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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

LENDAS - AS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA E COSTA DA CAPARICA


Simão Pires, um cristão novo, cavalgava todos os dias até ao convento de Santa Clara para se encontrar às escondidas com Violante. A jovem tinha sido feita noviça à força por vontade do seu pai fidalgo que não estava de acordo com o seu amor. Um dia, Simão pediu à sua amada para fugir com ele, dando-lhe um dia para decidir. No dia seguinte, Simão foi acordado pelos homens do rei que o vinham prender acusando-o do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia que ficava perto do convento. Para não prejudicar Violante, Simão não revelou a razão porque tinha sido visto no local. Apesar de invocar a sua inocência foi preso e condenado à morte na fogueira que se realizaria junto da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado. Quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que era tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem. Os anos passaram e a freira Violante foi um dia chamada a assistir aos últimos momentos de um ladrão que tinha pedido a sua presença. Revelou-lhe que tinha sido ele o ladrão das relíquias e sabendo da relação secreta dos jovens, tinha incriminado Simão. Pedia-lhe agora o perdão que Violante lhe concedeu. Entretanto, um facto singular acontecia: as obras da igreja iniciadas à época da execução de Simão pareciam nunca mais ter fim. De tal forma que o povo se habitou a comparar tudo aquilo que não mais acaba às obras de Santa Engrácia.
lendasetradicoes.blogs.sapo.pt

COSTA DA CAPARICA

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Diz a lenda, que há muito, muito tempo, numa casa de madeira velha e muito pobre, vivia uma velhinha.
Esta velha senhora, vestia pobremente, e andava sempre de negro. Apenas lhe conheciam a capa que a cobria. Uma capa preta.
Ninguem sabia quem ela era, mas comentava-se, que tinha ido viver ali na praia, para poder ver o mar, e chorar pelo seu amor, que por ele fora levado.
Era conhecida por ser solitária, e viver ali, na casa de madeira, em pleno areal e bem perto do mar.
Não a assustavam as intempéries, nem o facto de viver só. Ali passava os seus dias, vagueando pela praia até ao entardecer.
Dizem alguns pescadores, que de manhã, muito cedo, ainda o sol não rompera, já ela caminhava ao longo da praia, olhando o mar, com olhos vazios. Como se esperasse alguem...
Alimentava-se de algum peixe que os pescadores lhe davam. Em troca, rezava por eles, e ficava de vigília, olhando o mar, desde a hora a que os barcos partiam, até ao seu regresso. Depois, calmamente, dirigia-se à barraca que lhe servia de casa, só saindo de lá, na madrugada seguinte.
Dizia-se que em tempos tinha sido uma senhora de posses, a quem os desgostos da vida, para ali a remeteram, como se fosse despojos, de um barco naufragado.
E assim viveu este pobre senhora, o resto da sua vida.
Uma bela manhã, os pescadores estranharam. A velhinha de negro, não estava lá, para rezar por eles na partida. Também ninguem a viu de vigia.
Quando alguem se dignou a procurá-la, encontrou um corpo inerte, frio, tapado com uma capa preta. A capa preta que a acompanhara a vida inteira. Suja, andrajosa, a sua capa.
Junto da capa, uma carta.
A velhinha, deixara a sua capa em testamento, a todos os pescadores da aldeia.
Todos estranharam este facto.
Mas quando pegaram na capa, para moverem o corpo, repararam que esta era muito, muito pesada.
Ao abrirem o forro da mesma, depararam com um tesouro valiosíssimo, preso, e cosido no seu interior.
A partir desse dia, compraram barcos novos, e fundaram uma associação de pesca.
Foi nesse dia também que os pescadores da aldeia, puderam ter vidas melhores, e mais dignas.
Foi nesse dia que a aldeia se passou a chamar:
Costa da CapaRica


blogdaloura.blogs.sapo.pt

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