As Mentiras Necessárias e as Outras
Todos mentimos, uns mais que outros, claro. Quem não faz da mentira um "acto de fé", utiliza-a quase sempre para evitar chatices, entre outros males maiores (o que nem sempre se consegue...).
Claro que depois existem os outros, uns fulanos quase profissionais, que sabem que podem mentir à vontade, porque não lhes vai cair dente nenhum. Falámos deles hoje durante o almoço.
Tudo porque um acontecimento histórico saltou para a mesa, cansado de ser deturpado pela acção de dois ou três mentirosos. Senti que era o menos preocupado com o caso, por saber da existência de vários documentos credíveis que desmontavam facilmente a mentira em questão.
Mas a grande questão, era o porquê desta insistência, sem pés nem cabeça. A única explicação que encontrámos era a tese (falível) de que uma mentira muitas vezes repetida, mais tarde ou mais cedo, pode acabar por se sobrepor à verdade, num país quase "quadrado", como o nosso.
Já nem nos espanta o silêncio de quem conhece os factos e vai deixando a mentira crescer, muitas vezes apenas para não comprar uma discussão.
Só agora é que reparei que isto poderá parecer conversa de tontos. Perguntarão vocês: «Porque razão não chama os 'bois' pelos nomes?».
Porque isso é o menos importante. O que ganha importância, neste e noutros casos, é a sanha dos mentirosos. A forma decidida como se entregam a mentira. E claro, num outro plano, a cobardia da gente que parece ter medo da verdade...
O óleo é de Loui Jover.
largodamemoria.blogspot.pt
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