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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Segundo caso de espionagem agrava divisão entre Berlim e Washington

Segundo caso de espionagem agrava divisão entre Berlim e Washington


Segundo caso de espionagem agrava divisão entre Berlim e Washington
Militar investigado por passar segredos aos EUA. Relações germano-americanas ao nível mais baixo desde os anos 50.
A normalização das relações entre a Alemanha e os EUA tornou-se ontem mais difícil, depois de ter sido anunciado pela Procuradoria alemã a abertura de uma investigação por espionagem a um militar que trabalhava para o ministério da Defesa de Berlim, o segundo caso deste tipo em menos de uma semana.
"O Ministério do Interior está envolvido no inquérito, e estamos a levar o caso muito a sério", explicou o porta-voz do ministério, Uwe Roth, ao anunciar que foram levadas a cabo buscas na casa e no escritório em Berlim de um soldado que teria passado segredos militares aos Estados Unidos, embora não tenham sido realizadas detenções. Já a própria Merkel, que tem tentado conter o caso de modo a não azedar a parceira do seu país com a América, nem criar dificuldades para a negociação do acordo de livre comércio entre a União Europeia e os EUA, preferiu limitar-se a confirmar, quando questionada sobre se a CIA a teria contactado sobre estes casos de espionagem, que "estão a ser realizadas conversações", mas que nada pode dizer sobre o seu resultado.
A investigação surgiu depois de na semana passada um agente dos serviços secretos alemães BND ter sido preso por passar segredos aos EUA, o que obrigou o governo germânico a admitir que o fosso entre Berlim e Washington é agora muito grande, em particular porque a opinião pública alemã já se encontrava indignada desde 2013 com as revelações do ex-espião americano Edward Snowden de que os EUA escutavam anualmente milhares de milhões de comunicações pessoais na Alemanha, incluindo o telemóvel da própria chanceler. Merkel tem vindo a sublinhar que os múltiplos casos de espionagem "colocam em causa a relação de confiança" existente entre dois países que supostamente seriam aliados."Temos diferenças de opinião muito profundas sobre questões muito importantes" com os EUA, admitiu aos jornalistas o porta-voz de Merkel, Steffan Seibert. E pela segunda vez em cinco dias, o embaixador norte-americano foi chamado para discutir as alegações no Ministérior do Interior.
O vice-ministro Stephan Steinlein "deixou claro" que Berlim acha "importante que os EUA tomem parte activa e construtiva na clarificação das acusações", que já levaram vários políticos da coligação governamental a pedir a explusão de diplomatas norte-americanos, como retaliação.

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