Guiné, o Ex-Vietname africano
Depois de fazer a recruta em Vila real, a especialidade de artilharia em Penafiel e o IAO no Guincho(Cascais), embarcamos a 7 de Fevereiro de 1967 para a Guiné onde desembarcamos a 11 desse mesmo mês.
Ao desembarcar em Bissau logo o pessoal da minha companhia sentiu o cheiro típico a terra queimada, aquela terra vermelha típica de terras Africanas.
Logo após o desembarque recebemos a notícia de que íamos ficar destacados em Mansoa e de seguida alguém nos confidenciou que Mansoa era nem mais nem menos que um local de extremo movimento bélico……..
Subimos para as viaturas e logo à chegada a essa vila de Mansoa, sentimos-nos tristes e desmoralizados ao ver a alegria do pessoal a quem íamos render e que era a Companhia nº 816 (Lobos do OIO). Os seus elementos encontravam -se sorridentes aos pulos em cima das suas viaturas, tirando as fotos de despedida afim de momentos depois seguirem para Bissau para embarcarem para a metrópole no próprio navio de onde tínhamos desembarcado pouco tempo antes.
Ficamos adidos ao Batalhão 1857 que actuava nas temíveis zonas de Sarauol, Locher, Changalana, Cobonje e por vezes também em Morés.
Não foi preciso muito tempo para que o meu pelotão fosse baptizado de fogo.
Uma semana após, quando fomos em viaturas buscar uma companhia que vinha da mata do Locher, fomos emboscados a cerca de 6 Kms do Jugudul na estrada esta que liga as localidades de Mansoa e Portogol.
Uma semana após, quando fomos em viaturas buscar uma companhia que vinha da mata do Locher, fomos emboscados a cerca de 6 Kms do Jugudul na estrada esta que liga as localidades de Mansoa e Portogol.
Aqui, tivemos a oportunidade de conhecer finalmente o sabor amargo da guerra, ao ver um ferido pertencente á companhia que tínhamos ido buscar.
Ao ouvir os primeiros tiros, pensamos que ainda estávamos nos treinos do IOA no Guincho, só passados momentos verificamos que ali, as balas não eram de madeira mas sim de chumbo envolvido em latão….
Ao ouvir os primeiros tiros, pensamos que ainda estávamos nos treinos do IOA no Guincho, só passados momentos verificamos que ali, as balas não eram de madeira mas sim de chumbo envolvido em latão….
Um mês passado, nova emboscada na zona do Alto Namedão, onde um elemento da nossa milícia que ia à frente da coluna, foi atingido por uma roquetada que lhe arrancou o cinto e cartucheiras indo rebentar atrás dele sem lhe causar qualquer ferimento.
Mais umas 3 semanas e eis que rebenta uma mina na segunda viatura quando íamos a caminho de Portogol. Vários feridos e um nosso furriel morto, que ia ao lado do motorista.
Um mês depois estávamos no quartel, ouvimos um grande estrondo na estrada Mansoa-Portugol. Vamos de imediato ver o que se passava e deparamos um Unimog destruído com vários pedaços de pernas espalhadas no terreno num raio de 100 metros e ainda com bota calçada. Tinha sido devido a mais uma mina anticarro que tinha rebentado numa viatura da companhia do batalhão onde estávamos agregados. Vários mortos e feridos.
Uma semana depois, um patrulhamento ao Sarauol. no lado de lá da bolanha, entre Cutiá e Sarauol, o soldado Aradas repara num fio de aço ao lado da picada, fio este que estava ligado a uma granada defensiva. (armadilhada), a qual foi desmontada pelo nosso furriel, Farromba.
Recordo que para essa operação tinha sido chamado à ultima hora um soldado que não era previsto sair nesse dia. Curiosamente, esse mesmo soldado, que tanto se lamentou por ter sido nomeado para essa operação e que, a caminho do objectivo ia a rezar de terço na mão para que nada de mau lhe acontecesse… foi esse mesmo João o único morto em combate quando a companhia se encontrava estacionada em circulo dentro da mata do Sarauol. Foi atingido por um estilhaço de morteiro 82 que passou por baixo do tronco de uma árvore caída no solo atingindo-lhe a cabeça quando este estava a meu lado deitado atrás do tronco da árvore.
Recordo que para essa operação tinha sido chamado à ultima hora um soldado que não era previsto sair nesse dia. Curiosamente, esse mesmo soldado, que tanto se lamentou por ter sido nomeado para essa operação e que, a caminho do objectivo ia a rezar de terço na mão para que nada de mau lhe acontecesse… foi esse mesmo João o único morto em combate quando a companhia se encontrava estacionada em circulo dentro da mata do Sarauol. Foi atingido por um estilhaço de morteiro 82 que passou por baixo do tronco de uma árvore caída no solo atingindo-lhe a cabeça quando este estava a meu lado deitado atrás do tronco da árvore.
15 dias depois, fomos até perto do Locher em viatura afim de trazer uma companhia que vinha de uma operação. No momento em que chegávamos ao local onde nos devíamos encontrar com eles, estava ainda essa companhia a fazer fogo sobre o acampamento IN . Minutos depois, essa companhia era emboscada já muito perto do local onde nos encontrávamos à sua espera, altura em que foram por nós ajudados já que estávamos precisamente nas costas do IN, tendo permitido a mim próprio alvejar com sucesso um militar do PAIGC que se encontrava a disparar contra a companhia que vinha do objectivo. Ele estava empoleirado no cimo de uma árvore com uma arma (costureirinha) que não chegámos a capturar porque entretanto a companhia 1686 já estava junta de nós para seguirmos na direcção de Mansoa.
Uma paragem no caminho para descansar e eis que ; o Aradas, (rambo à portuguesa), olha em frente na picada e vê um grupo IN a cerca de 200 metros saindo da estrada e infiltrando-se na mata. Todos levantamos para continuar a marcha na direcção de Mansoa.
Sozinho à frente da coluna e a cerca de uns 100 metros de distância do segundo militar da coluna, ele aproximou-se sozinho do local onde os guerrilheiros se tinham emboscado ao lado da estrada.
Dispara sobre eles provocando de imediato um arraial de fogo dos dois lados das tropas conseguindo o Aradas, minimizar os danos já que desta forma não fomos apanhados de surpresa pelo IN. Mesmo assim tivemos um morto pertencente a uma companhia do Batalhão 1912.
Sozinho à frente da coluna e a cerca de uns 100 metros de distância do segundo militar da coluna, ele aproximou-se sozinho do local onde os guerrilheiros se tinham emboscado ao lado da estrada.
Dispara sobre eles provocando de imediato um arraial de fogo dos dois lados das tropas conseguindo o Aradas, minimizar os danos já que desta forma não fomos apanhados de surpresa pelo IN. Mesmo assim tivemos um morto pertencente a uma companhia do Batalhão 1912.
Após uns seis meses de comissão, calhou-me ir para o destacamento do Jugudul, o qual não possuía abrigos porque se supunha que o inimigo nunca o atacaria por ser uma ex-escola. Mais tarde depois da nossa substituição no Jugudul, este destacamento haveria de ser atacado fazendo vários feridos a quem lá estava destacado e com um morto do lado N do qual falarei mais adiante.
Do Jugudul fomos destacados para a ponte de Braia por 2 meses e daí voltamos para Mansoa para continuar a parte operacional.
Estávamos praticamente a meio da comissão.
Estávamos praticamente a meio da comissão.
De novo em Mansoa, quando certa madrugada o Jugudul era atacado.
Na manhã seguinte o meu pelotão foi lá fazer o reconhecimento e encontramos o municiador de metralhadora IN deitado no chão morto de costas e enrolado num pente de balas de alto calibre, atrás de um monte de baga-baga.
Na manhã seguinte o meu pelotão foi lá fazer o reconhecimento e encontramos o municiador de metralhadora IN deitado no chão morto de costas e enrolado num pente de balas de alto calibre, atrás de um monte de baga-baga.
Pouco tempo depois, a companhia 1686 pertencente ao batalhão (1912) que entretanto tinha substituído o Batalhão 1650, fez um golpe de mão na mata de Tenha-Locher e no regresso sofreu uma forte emboscada mesmo na bolanha junto do acampamento do que resultaram vários mortos e feridos, tendo lá ficado abandonado morto um soldado milícia que era o melhor guerreiro que tinha esse batalhão.
Uma semana passada somos acordados por volta da meia noite tendo o nosso capitão dito na formatura que se seguiu, que teriamos de ir destruir por completo o acampamento turra onde uns dias antes tinha havido todos aqueles mortos e feridos, no Locher.
Foi um problema a nossa saída do quartel. Pertencia ao meu pelotão ir à frente da coluna e, o nosso alferes comandante de pelotão e mais um cabo da minha secção, entraram em pânico e isso provocou que o CMDT de companhia pedisse voluntários para ir à frente sempre que houvesse operações de assalto a casas de mato.
Acabei por me incluir nesse (voluntariado….).
Acabei por me incluir nesse (voluntariado….).
Chegamos ao Locher, entramos na mata por volta das 4H30 da madrugada. Seguimos por fora da picada cortando ramos de árvore para conseguirmos passar de forma a evitarmos a sentinela IN,
Finalmente entramos no acampamento. Estava abandonado de forma que, restou-nos destruir (queimar)as casas de mato. Regressamos ao quartel sem qualquer contacto com o IN.
Finalmente entramos no acampamento. Estava abandonado de forma que, restou-nos destruir (queimar)as casas de mato. Regressamos ao quartel sem qualquer contacto com o IN.
Uma semana depois, mais um patrulhamento na zona de Ga Fará já perto de Morés, na operação (estrela do norte). Eu ia em 2º lugar à frente da coluna juntamente com a milicia.Encontramos uma casa de mato com vários guerrilheiros a fugir, disparei atingindo um deles tendo-lhe capturado a sua arma, (Kalasnikov).
Pouco tempo depois fomos passar cerca de um mês ao Olossato, arredores de Morés.
Num patrulhamento com emboscada, ferimos um elemento IN capturando-lhe a respectiva arma, sendo esse elemento transferido para Bissau onde foi curado ao joelho ficando por lá como guia das nossas companhias de comando.
Num patrulhamento com emboscada, ferimos um elemento IN capturando-lhe a respectiva arma, sendo esse elemento transferido para Bissau onde foi curado ao joelho ficando por lá como guia das nossas companhias de comando.
Regressados do Olassato a Mansoa, fizemos um golpe de mão perto de Uaque local onde se acoitava um grupo IN que na altura montava minas anticarro na estrada Mansoa-Bissau.
O acampamento estava desabitado, pois antes de lá chegarmos o IN já tinha de lá fugido excepto o seu enfermeiro que não tinha tido tempo de fugir com os companheiros e se encontrava a dormir tendo-lhe sido capturada por mim e um soldado milícia a arma e a bolsa de enfermagem.
O acampamento estava desabitado, pois antes de lá chegarmos o IN já tinha de lá fugido excepto o seu enfermeiro que não tinha tido tempo de fugir com os companheiros e se encontrava a dormir tendo-lhe sido capturada por mim e um soldado milícia a arma e a bolsa de enfermagem.
mais uma ida à zona do Sará fazer uma emboscada para tentar apanhar na fuga o inimigo que tinha sido surpreendido num golpe de mão por parte da do Batalhão de Mansabá.
Finalmente o meu pelotão foi destacado para Cutia.
Numa ida em viaturas a Mansoa, fomos emboscados em Sansanto tendo o Aradas e eu, feito o reconhecimento à mata, após a emboscada. Estivemos perto de capturar um elemento IN ferido o qual só não foi capturado por minha culpa ao pedir ajuda ao Aradas para me ajudar a localiza-lo já que eu tinha ouvido os seus gemidos ali por perto. Pela vida fora, arrependi-me de ter chamado o Aradas pois penso que sozinho eu teria capturado não só o guerrilheiro mas também a sua arma.
Este, acabou por deixar de gemer e não o conseguimos encontramos encontrar no capim porque tínhamos pressa de continuar a viagem nas viaturas para ir a Mansoa.
Numa ida em viaturas a Mansoa, fomos emboscados em Sansanto tendo o Aradas e eu, feito o reconhecimento à mata, após a emboscada. Estivemos perto de capturar um elemento IN ferido o qual só não foi capturado por minha culpa ao pedir ajuda ao Aradas para me ajudar a localiza-lo já que eu tinha ouvido os seus gemidos ali por perto. Pela vida fora, arrependi-me de ter chamado o Aradas pois penso que sozinho eu teria capturado não só o guerrilheiro mas também a sua arma.
Este, acabou por deixar de gemer e não o conseguimos encontramos encontrar no capim porque tínhamos pressa de continuar a viagem nas viaturas para ir a Mansoa.
Na semana seguinte tudo nos correu pior, pois quando íamos de novo a Mansoa abastecer, seguíamos em 2 viaturas uma delas rebocando a outra por avaria.
Íamos a cerca de 20 Km/hora e éramos alvos fáceis.
No preciso local de uma semana antes, fomos de novo emboscados e na viatura onde eu seguia, houve vários feridos e um morto pertencente ao plotão de morteiros que com nós se encontrava estacionado em Cutia.
Íamos a cerca de 20 Km/hora e éramos alvos fáceis.
No preciso local de uma semana antes, fomos de novo emboscados e na viatura onde eu seguia, houve vários feridos e um morto pertencente ao plotão de morteiros que com nós se encontrava estacionado em Cutia.
Por fim, fomos passar os últimos 3 meses a Bissau de onde embarcámos finalmente para Portugal ao fim de 22 meses de Guerra acesa e encarniçada na Guiné.
Aos (heróis portugueses de hoje), àqueles militares mimados que hoje em dia vão passear para o Kosovo ou Paquistão acompanhados de jornalistas e mimados que nem bebés, ganhando chorudos ordenados, a esses nem lhes passa pela cabeça o que os seu progenitores passaram na guerra da Guiné Bissau onde a morte os espreitava em cada esquina ou atrás de cada árvore daquelas temíveis matas mesmo ali ao lado dos quartéis nacionais.
Jorge Lobo
entrefogocruzado.wordpress.com
Não foi tanto a bandeira ou a autoridade hierárquica que nos fez estar ali, nos trilhos, nas picadas, nas valas, nas bolanhas e no mato denso: foi, antes de mais, os camaradas que estão a nosso lado, com quem contamos e que esperam de nós o mesmo comportamento.
No mesmo dia à noite flagelação do IN a um aquartelamneto perto de Bissau, obrigando muita gente a vir para umas espécies de valas do Cumeré.
entrefogocruzado.wordpress.com
A NOSSA CRUZ DE GUERRA
A NOSSA CRUZ DE GUERRA
Não foi tanto a bandeira ou a autoridade hierárquica que nos fez estar ali, nos trilhos, nas picadas, nas valas, nas bolanhas e no mato denso: foi, antes de mais, os camaradas que estão a nosso lado, com quem contamos e que esperam de nós o mesmo comportamento.
Luís Dias (Ex-Alf.Milº/Ex-Ten.Milº Reserva)
GUINÉ 71-74
CCAÇ3491
BCAÇ 3872
(Datas proeminentes resumidas da CCAÇ 3491)
A preparação do pessoal do Batalhão teve início em 13 de Setembro de 1971, com a Escola Preparatória de Quadros, da 3ª Escola de Recrutas de 1971, que durou até 25 de Setembro, no Regimento de Infantaria nº 2, em Abrantes.
De 27 de Setembro a 13 de Novembro de 1971, teve lugar a Instrução Geral e de Especialização.
Entre 15 de Novembro e 27 de Novembro de 1971, decorreu a organização do Batalhão.
O Batalhão de Caçadores 3872 (B.CAÇ3872), cujo lema era "O inimigo vos dirá quem somos" e teve como unidade de mobilização o então Regimento de Infantaria nº2, situado em Abrantes.
O comando do Batalhão era composto por:
-Comandante: Tenente-Coronel de Infantaria, Castro e Lemos;
-2º Comandante: Major de Infantaria, Moreira Campos;
-Oficial de Operações: Capitão de Infantaria, Aurélio Pamplona.
O Batalhão era composto pelas seguintes unidades:
-Companhia de Comando e Serviços (CCS), comandada pelo Capitão do SGE, Jorge Mateus e mais tarde pelo Capitão do QE, Carlos Rolin Duarte.
-C.CAÇ 3489, comandada pelo Capitão Miliciano de Infantaria, Manuel Guarda (que já na Guiné e no gozo das primeiras férias (Abril de 72) decidiu ficar pelo estrangeiro....e não regressar), mais tarde comandada pelo Capitão Miliciano de Infantaria, Francisco Rosa;
-C.CAÇ 3490, comandada pelo Capitão Miliciano de Infantaria, Dário Lourenço;
-C.CAÇ 3491, comandada pelo Capitão Miliciano de Artilharia, Fernando Pires.
Em 29 de Novembro, entrámos todos de licença de 10 dias.
Em 14 de Dezembro de 1971, parada no Regimento com a Cerimónia de Despedida, com alocução proferida pelo Comandante da Unidade.
A PARTIDA
Em 18 de Dezembro (Sábado), partiu o Batalhão em viaturas militares até à estação de comboios de Abrantes, onde nos esperava um comboio especial que nos levou até ao Entroncamento e, após transbordo para dois comboios também especiais, seguimos até à Estação de Santa Apolónia, seguindo, posteriormente, em viaturas militares (houve militares que tiveram de caminhar cerca de 500 metros até às viaturas, carregados com os seus haveres) até à Gare Marítima de Alcântara, onde chegámos às 6H30 (praticamente ninguém dormiu). Às 10H00, após formação do Batalhão, iniciou-se o embarque no N/T "Angra do Heroísmo", que zarpou de Lisboa, cerca das 12H00.
O navio "Angra do Heroísmo" atracado no Cais de Alcântara
Familiares e amigos a despedirem-se dos elementos do BCAÇ 3872, no Cais de Alcântara, em Dezembro de 1971
O pessoal já embarcado no navio “Angra do Heroísmo”
O Navio “Angra do Heroísmo”
Chegada ao Funchal no dia 20 de Dezembro (2ª Feira), às 1h30.
Depois de uma breve paragem no Funchal para embarque de três companhias locais: CCAÇ3518; CCAÇ3519 e CCAÇ3520, o navio seguiu a sua viagem.
Durante a viagem houve um Concurso de Tiro (de pressão de ar)a bordo, destinado a graduados, tendo o Alferes L. Dias, conseguido um óptimo segundo lugar (falhou o último tiro), obtendo a sua 1ª medalha da campanha.
Diversos oficiais (Alferes) do BCAÇ 3872. Da Esq/Dta: Rodrigues do PEL REC/CCS, Mota (Trms/CCS-Faleceu por doença na Guiné), ?, (Veiga-Finanças/CCS), Padre, Nuno Oliveira (Capelão), ?, ?, Dias (CCAÇ3491), Parente (meio escondido/CCAÇ3491), Rainho ?, Armandino Ribeiro (CCAÇ3490/Morto em combate, em 17/4/72), ?,
Três Furriéis da CCAÇ3491 a bordo do Angra de Heroísmo. Esq/Dta: Rodrigues (Mecânico), Almeida (1º GC-Armas Pesadas) e Rocha (3ºGC-Atirador)
A CHEGADA
Em 24 de Dezembro (6ªFeira e véspera de NATAL!) pelas 06H00, chegada ao largo de Bissau, tendo o navio atracado cerca do meio-dia. Início do desembarque pelas 14H30. Depois do desembarque, em traje camuflado, o Batalhão deslocou-se em viaturas civis para o aquartelamento do Cumeré, onde passámos o nosso 1º Natal longe das nossas famílias (iríamos ser surpreendidos com mais 2 natais).
Mapa da Guiné-Bissau (Em baixo, à direita, na fronteira entre o verde escuro e o verde claro, podemos ver o Dulombi assinalado
Cais de Pidjiquiti-Bissau
Cidade de Bissau
No mesmo dia à noite flagelação do IN a um aquartelamneto perto de Bissau, obrigando muita gente a vir para umas espécies de valas do Cumeré.
Dia 26 de Dezembro (Domingo) parada militar com locução de boas vindas por parte do Comandante-chefe (General António Spínola) e desfile do batalhão e das companhias independentes que tinham chegado connosco.
Atribuição das zonas de quadrícula das companhias:
Ficámos a saber da decisão do comando do batalhão quanto às zonas onde as companhias iriam ficar instaladas e intervir.
-A CCS (com os pelotões operacionais: Pel. REC. e Pel. SAP.) ficou instalada na sede do Batalhão, em Galomaro.
-A C.CAÇ 3489 iria ficar instalada em Cancolim.
-A C.CAÇ 3490 iria ficar instalada no Saltinho.
-A C.CAÇ 3491 iria ficar instalada no Dulombi (Causou alguma polémica a decisão do Comandante do Batalhão, porque tudo apontava que a companhia ficaria no Saltinho, conforme a distribuição do Batalhão anterior e até por o nosso capitão ser o mais antigo).
As companhias independentes dos madeirenses foram colocadas como segue:
C.CAÇ 3518 - Gadamael e depois Guidage, C.CAÇ 3519 – Barro e depois Cacheu), e a CCAÇ 3520 (Cacine).
Dia 27(2ªF) Inicío do IAO.
Dia 22/1/72 (Sábado) Fim do IAO.
Dia 23/1/72 (Domingo) Partida BCAÇ3872 do Cumeré, às6H30, para o porto de Bissau em viaturas civis e embarcou da seguinte forma:
-C.CAÇ 3490 e 1º Gr.Combate da C.CAÇ3491 Navio Bor (09H00);
-C.CAÇ 3491 Navio Formosa (9H45);
-C.CAÇ 3489 e CCS LDG Alfange (12H15).
As embarcações iniciaram a subida do Rio Geba até ao Xime, sendo acompanhadas por 1 Heli-Canhão e 1 DO, e na chegada ao Xime por 2 aviões T6 da FA.
A chegada do batalhão ao Xime deu-se por volta das 17H00e uma hora depois, embarcou em 40 viaturas civis e iniciava a sua viagem em direcção a Galomaro, onde chegaram pelas 21H30, com excepção da C.CAÇ 3489 que seguiu directamente para Cancolim. Em 24 de Janeiro sairam duas colunas de Galomaro, uma com a C.CAÇ 3490, em direcção ao Saltinho e outra com a C.CAÇ 3491, em direcção ao Dulombi, com escolta das companhias que iam substituir, respectivamente
A CCAÇ3491 chegaria ao Dulombi às 10H00 (2ªFeira), onde foi recebida pelos velhinhos da CCAÇ2700.
De seguida fotos diversas referentes à nossa chegada ao Dulombi, retiradas do blogue da CCAÇ 2700 (os nossos “velhinhos”), com a devida vénia:
Crachat da CCAÇ 2700/BCAÇ2912, também conhecidos por CCAÇ27$00
Jogo de futebol entre os velhinhos (todos profissionais e equipados à Rio Ave e os piras, ainda de tronco nu (excepção para o Capitão e o Fur. Rocha, de branco e para o guarda redes, de camuflado) para tentarem aguentar o calor
O INÍCIO DA CAMPANHA
Após alguns patrulhamentos de curta distância envolta do aquartelamento, com os pelotões dos velhinhos, os elementos operacionais prepararam-se para as acções e operações de longa duração.
Em 1 de Fevereiro 72, iniciou-se a Operação "Varina Alegre", direccionada para a zona do Rio Corubalo, comandada pelo Capitão F. Pires e estando envolvidos 1 GC da CCAÇ 2700 e os 2º, 3º e 4º GC da CCAÇ 3491 e 1 Secção do Pel Mil 288. A operação decorreu com normalidade e teria sido mais uma entre tantas que fizemos senão fosse a circunstância de terem perdido um Alferes!!! (Vejam a "estória" do Alferes L. Dias neste blogue contada na primeira pessoa).
Dia 2 de Fevereiro, no regresso ao aquartelamento e após um ataque de abelhas, dá-se pela desaparecimento do Alferes Dias, comandante do 2º GC, perto do fim da tarde Face ao avanço do fogo que havia sido lançado na mata, os elementos regressam ao Dulombi ao cair da noite.
Dia 3 de Fevereiro pelas 06H30, quando dois grupos se preparavam para sair para tentar saber o que acontecera com o Alferes desaparecido, surge o mesmo a entrar no quartel, perante o espanto de todos. Para além de ínguas de esforço surgidas nas virilhas, tudo estava bem com ele. Sem conhecer minimamente onde se encontrava, conseguiu localizar o caminho, a corta-mato, guiando-se pelas estrelas, pelo ruído do motor e das luzes do quartel. Tendo ainda a sorte de atravessar a linha de minas colocada na frente do IN, embora se soubesse, pelos “velhinhos”, que a maioria já tinham rebentado e finalmente adormecido junto a um baga-baga, já muito perto da 1ª linha de arame farpado do aquartelamento.
Entre 24 de Fevereiro e 26 de Fevereiro, o 2º GC e 3º GC da companhia, participaram na Operação "Trampolim Mágico", na área de intervenção do BART 3873, com sede em Bambadinca, (que tinham chegado à Guiné poucos dias depois de nós - éramos todos uns "piriquitos") agrupados da seguinte forma:
O Grupo Castanho, formado por 4 GC da CART 3493, juntamente com o 2º e 3º GC da CCAÇ 3491;
O Grupo Laranja, formado por 4 GC da CART 3492, reforçados por 1 GC da CCAÇ 3489 e outro da CCAÇ 3490;
O Grupo Amarelo, formado pelos 4 GC da CART 3494, reforçados por 2 GC da CCAÇ12;
O Grupo Preto, formado pelos GEMIL 309 e 310;
O Grupo Verde, formado pela CCP 123;
Em apoio: 1 parelha de Fiats G91, 1 parelha de T-6, 2 Hélios e 1 Héli-canhão e a artilharia de uma LDG.
Os grupos Castanho e Laranja foram embarcados em LDG e desceram o Rio Geba, onde passaram o dia, desembarcando em Porto Gole, ao fim da tarde e pnde pernoitaram. No dia seguinte, embarcámos de novo e lançados a todo o "vapor" fizemos um desembarque na Ponta Luís Dias (tem o nome de um dos alferes da nossa companhia, mas não tem nada a ver com ele) e em Tabacuta, sob o bombardeamento da aviação e da artilharia da LDG e com a presença no terreno do Comandante-Chefe, General António de Spínola. Efectuámos acções de ataque a aldeias dominadas pelo IN, atravessando as matas do Fiofioli até Mansambo. Dada o número das nossas forças os guerrilheiros foram fugindo, deixando para trás as mulheres, as crianças e os velhos, efectuando flagelações à distância, em especial de noite, para tentar nos localizar. Nesta operação, em que estavam envolvidos batalhões recém-chegados à Guiné, houve momentos, em especial no Grupo Castanho, em virtude de termos ficado parados muito tempo ao sol (a excepção foram os nossos dois GC, que eram os últimos da coluna e que, ao nos apercebemos que iríamos ficar ali muito tempo saímos do sol, procurando abrigo na sombra das árvores) que poderiam ter dado em desgraça, face à falta de água, originando muitas evacuações por cansaço, insolação e desidratação.
A operação que implicou muitos meios não obteve os êxitos esperados, para além da destruição de locais do IN, da apreensão de diverso material e de documentação e da recuperação de população (32 pessoas) e foi mais um meio de mostrar ao IN a nossa presença na zona onde eles estavam implantados.
Porto Gole, onde existia um Padrão dos Descobrimentos portugueses e onde bebemos a cerveja que nos soube melhor, depois de um dia no meio do Rio Geba, dentro da LDG
Lancha LDG utilizada pelo agrupamento Castanho e Laranja, na operação “Trampolim Mágico”. Em pé e do lado dto (a olhar para a foto), o Alf. Dias
Zona de mato denso onde estavam diversas palhotas que serviam de refúgio a elementos do PAIGC e população que os apoiava e que foram destruídas pela nossa passagem
Ainda em Fevereiro, Mina A/C no itinerário entre Cancolim e Galomaro com um morto na picagem (elemento da CCAÇ3489).
Dia 2 de Março (5ª Feira), Flagelação ao aquartelamento de Cancolim, com recurso a morteiros 82mm causando 3 vítimas na CCAÇ3489, em virtude de uma granada ter caído num cruzamento de valas, apanhando estes desafortunados camaradas.
Quartel da CCAÇ3489, em Cancolim
Neste mês, num serviço de rotina de carregamento de água para o quartel, um elemento do 2º GC (1º cabo Rebordões), sofre um acidente de viação, partindo a tíbia e o peróneo, quando a viatura conduzida por um dos “velhinhos” fez uma curva com excesso de velocidade, tendo sido evacuado e não mais voltando à companhia.
Dia 10 de Março (6ª Feira) saída dos velhinhos da CCAÇ2700 para Galomaro e no dia seguinte para Bissau. A nossa companhia assumia a missão de patrulhar e defender a maior zona de quadrícula da Guiné.
Em 11 de Março 72 (Sábado), no dia seguinte à saída da CCAÇ 2700, o 2º e 3º GC, reforçados por 1 Secção do Pel.Mil. 288, iniciaram a Operação "Alma Forte", com a duração de dois dias (Sábado e Domingo), com a finalidade de reconhecer e armadilhar os pontos de passagem do IN no Rio Corubalo. Nesse dia,depois de invertermos a marcha, pelas 18h00, quando parámos para descansar junto ao Rio Canhanque/Paiai Lemenei, uma zona de mato denso e arborizado, tivemos o nosso primeiro contacto com o IN, estimado em 40/50 elementos. Nos primeiros momentos de troca de tiros houve alguma dificuldade na resposta ao fogo do adversário, que utilizava armas automáticas e roquetes/morteiros, em especial na utilização dos nossos morteiros, bazooka e dilagramas, devido às condições adversas do local. Só quando conseguimos sair daquela mata e depois de lançarmos várias granadas de morteiro 60 mm, que terão atingido fortemente o adversário, é que este iniciou a retirada, a coberto da noite que, entretanto, tinha caido.
Devemos salientar nesta emboscada a actuação do Furriel do 2ºGC, Espírito Santo, que fixou com a sua Secção o fogo inimigo, permitindo a saída do restante pessoal e a actuação do soldado Atirador, Manga Camará, do 3º GC, que tomando conta do morteirete de 60 mm, colocou-o à barriga (um feito difícil de acreditar para quem não viu) e disparou diversas granadas que mudaram o rumo dos acontecimentos. Também de salientar a actuação do 1º Cabo Amílcar Costa, também do 2ºGC que, alertado por um camarada (o "Amarante"), avistou um elemento IN e foi o primeiro elemento da nossa companhia a efectuar fogo sobre os guerrilheiros, com a sua Met. Lig. HK21, só parando quando a mesma se encravou por problemas na fita alimentadora.
Do confronto resultou para o IN, pelos vastos vestígios de sangue encontrados, pelo material diverso abandonado e pela rádio do PAIGC (que confirmou baixas, o que era raro), sofreu baixas não controladas e a apreensão de 11 granadas de RPG7 /RPG2, entre outro material e equipamento. As nossas forças sofreram dois feridos ligeiros e a sorte de outros elementos terem recebido tiros que lhes atravessaram os cantis, os carregadores, as camisas ou dólmens....enfim, correu-nos de feição!!!
Esta acção mereceu das diversas cadeias de comando as seguintes referências elogiosas:
-Do Cmdt BCAÇ 3872 msg nº70/03:"Felicito êxito obtido. Transmita pessoal dessa minha satisfação";
-Do Cmdt CAOP2 (Agrupamento de Batalhões daquela área) msg nº952/0: "Felicito tão auspicioso começo";
-Do Cmdt Chefe -REP OPER msg nº984/C: "Cmdt Chefe felicita essa reacção à emboscada do In durante OP "Alma Forte", reveladora de determinação".
Algum material apanhado após o contacto/emboscada.
Crachat do IIº GC, em honra da operação “Alma Forte”
Entre os dias 3 e 5 de Abril o (o 1º e o 4º GC) reforçaram o BCAV 3859, de Nova Lamego, na Operação "Topázio Natural", do CAOP2.
Em 14 de Abril iniciaram-se os trabalhos diários de reabertura do itinerário Dulombi-Jifim, na operação denominada “Estrada Junta”.
No dia 17 de Abril de 1972, elementos da CCAÇ3490, reforçados com uma secção de milícias, sofreram uma emboscada na zona do Quirafo (2ª Feira), com 11 mortos (entre militares, milícias e civis) e um militar aprisionado. Consternação generalizada por todo o nosso batalhão.
A viatura atacada e que em 2005, ainda se encontrava no local, conforme foto do Ex-Alf. Paulo Santiago, que comandava o Pel.Caç Nat 53, que estava agregado à companhia do Saltinho (com a devida vénia ao autor)
Os rápidos do Saltinho (Rio Corubalo), com o aquartelamento em cima à direita
Em 18 de Abril (3ª Feira), o 2º GC, no local onde rebentou uma mina A/C, na picada que estava a ser reparada para o Jifim, com a morte de diversos elementos da CCAÇ2700 (milícias), localizou e levantou uma mina A/P, PMD-6.
Ainda em 18 de Abril, na acção de picagem na estrada entre Dulombi e Galomaro, foi localizada e levantada uma mina A/C, TM-46, pelo 3º GC.
Mina A/C TM-46, na Picada Dulombi-Galomaro
No dia 29 de Abril 72 (Sábado), o Cmdt Chefe, General António Spínola, inaugurou o quartel do Dulombi, tendo manifestado algum desagrado pelo formato dos torreões e com o nome colocado pela CCAÇ2700 na pista do Helioporto (Capitão da CCAÇ 2700 - Carlos Gomes), e ordenou que fosse retirada a placa, dizendo com aquele ar muito seu: "Para se ter o aqui o nome, é preciso morrer primeiro na Guiné!". O Heliporto passou assim, naturalmente, a ser conhecido por "Heliporto do Dulombi".
Recepção ao Comandante-Chefe, General Spínola (Alf. Dias, Cap. Pires e Alf. Farinha (falecido em Fevereiro de 1999)
General Spínola e Cap. Pires-Abril de 1972
Durante o mês de Maio 72, os GC da companhia e 1 Sec. do Pel.Mil. 288 estiveram empenhados na operação "Garota Ladina", ou seja, a reconstrução da estrada (picada) Dulombi-Galomaro.
As minas em defesa de aquartelamento, no seguimento do que fora deixado pela companhia dos velhinhos (CCAÇ2700), optou-se por colocá-las, em linha, a cerca de 600/700 m do aquartelamento (Dulombi), na denominada frente IN (ou seja donde normalmente aconteciam as flagelações do PAIGC), onde não existiam quaisquer áreas cultivadas pela população e por onde esta não transitava. As minas foram postas em cima de ferros apropriados, colocados a 1m de altura do chão e ligadas por arame de tropeçar. Para controlo das mesmas existia um trilho que corria paralelo à sua colocação e ao quartel e a cerca de 10/15 m destas, com sinalização que julgávamos suficiente e adequada para os nossos peritos em minas e armadilhas.
De vez em quando lá rebentava uma mina, normalmente de dia e era dada ordem para, passada uma meia hora, uma secção do Grupo de Combate que estivesse de serviço (com um dos furriéis de minas e armadilhas) sair para a zona, para verificação do que acontecera. Na maior parte das vezes as minas rebentavam por causa da passagem de animais, que eram aproveitados para um petisco para a companhia (especialmente impalas e gazelas). Em certa vez, até uma ave de grande porte, foi a vítima de uma mina, mas só serviu para tirar umas fotos, porque a malta não conseguiu identificar o bicho e ninguém quis degustar a peça. Assim, já era quase uma rotina, quando se dava um rebentamento e se não era seguido de algum ataque (o que nunca aconteceu), a secção do GC de serviço lá ia verificar o que se passava e repor o sistema existente. Se o rebentamento acontecesse de noite, é claro que só se lá ia no dia seguinte.
Em 26 de Maio, depois do almoço e após mais um rebentamento oriundo da zona onde as minas anti-pessoais tinham sido implantadas, uma Secção do 3º GC, comandada pelo Furriel Mário Castanheira, dirigiu-se para o local. Passado algum tempo, o pessoal do quartel foi alertado por uma segunda explosão e, segundos depois, uma outra. O quartel entrou em alvoroço e quase desorganizadamente um grupo formou-se e arrancou para a zona, onde todos temíamos o pior. Ao aproximarem-se da área minada, com todo o cuidado, deram com quatro feridos, entre eles o furriel, que foram rapidamente levados para o quartel, onde eram aguardados pela equipa de enfermagem e, face aos cuidados que inspiravam, foram evacuados para o HM de Bissa, acompanhados por um dos 1º cabo Auxiliar de Enfermagem (Francisco Pires).
Por um lapso de orientação do comandante de secção (capim muito elevado), quando a equipa iniciava a contagem das minas, através de uma marcação existente e previamente sinalizada, cruzou a linha do sistema, tropeçando num dos arames que as ligavam, dando origem ao rebentamento de outra mina (accionada pelo próprio furriel). Após o rebentamento, um outro elemento da secção desorientou-se com a explosão e fugiu tropeçando noutro arame e rebentando uma segunda mina.
Felizmente e por qualquer milagre (!!!), não obstante terem sofrido diversos ferimentos, produzidos por muitos estilhaços, ficando, como se diz, feitos num crivo (o furriel foi inclusive atingido no escroto), uns tempos depois estavam de volta à companhia, após uma estadia em Bissau, para recuperação.
O sistema de sinalização foi revisto, mas também nunca mais houve saídas para ir controlar os rebentamentos daquela forma. Os procedimentos tiveram de ser alterados.
Minas A/P do tipo que tínhamos montado em defesa do aquartelamento (Foto do Alf. Fraga-3ª CCAÇ/BCAÇ4612/72, com a devida vénia)
O Ex-Furriel Mário Castanheira, felizmente de boa saúde, num dos Encontros/Convívios da nossa companhia
Em 22 Junho 72 (5ª Feira), deslocaram-se a Galomaro todos os oficiais do Batalhão, para uma reunião com o General Spínola, que foi muito interessante e aberta, podendo alguns manifestar a sua opinião, mesmo contrária às posições oficiais - um prenúncio do movimento que surgiria quase dois anos depois e, como se sabe, teve início em reuniões realizadas na Guiné.
O chefe da Tabanca do Dulombi, que ainda é vivo, em traje de Gala para o Ramadão
O Ramadão no Dulombi, em 1972. Vê-se ainda um abrigo que pertenceu à primeira companhia que esteve no Dulombi - a CCAÇ 2405 - que ficou conhecida por ter participado na Operação "Mabecos Bravios", aqundo da retirada de Madina do Boé, em que morreram 17 elementos, no afundamento da barcaça que os transportava, no Rio Corubalo.
O quartel do Dulombi (essencialmente a área militar), faltando ainda os abrigos que já abrangiam parte da zona da tabanca
A Tabanca do Dulombi, protegida por duas zonas de arame farpado, dois torreões para as milícias e havia ainda 2 abrigos com elementos da CCAÇ3491
Dulombi-O monumento aos mortos da CCAÇ2700 e por trás a Parada, o Refeitório dos praças, Cantina e Messe de oficiais e sargentos
Em 2 de Julho 72 (Domingo), pelas 19H00, um grupo IN, estimado em 15/20 elementos, flagelou o aquartelamento do Dulombi, durante cerca de 20 minutos, com espingardas automáticas e metralhadoras ligeiras e RPGs, sem quaisquer consequências. Interessante, é que cerca de dez minutos antes estávamos de "cadeira" a assistir a um ataque a Cancolim, ou seja o IN efectuou duas flagelações praticamente ao mesmo tempo, em dois quartéis do nosso Batalhão. Do reconhecimento à base de fogos do IN -"Acção Espada"- situada a cerca de 500m do aquartelamento, foram localizadas 3 Gr RPG-2 e 1 Gr de RPG-7. No reconhecimento feito pela C.CAÇ 3489 à flagelação sofrida, quando percorriam o trilho de retirada do IN encontraram-se com os guerrilheiros que vinham em sentido contrário. Do contacto havido nada resultou, dado que o IN debandou. Do reconhecimento, apurou-se que o IN, após a flagelação, tinha montado uma emboscada à espera da nossa tropa, mas como eles "demorassem" a sair, dirigiam-se novamente ao quartel, possivelmente para o atacar novamente, quando se deu o contacto.
O Cmdt da CAOP2, o Chefe da REPOPER, o Cmdt-Geral das milícias, o Chefe Operacional da CAOP2 e o Cmdt do Batalhão visitaram o Dulombi, em 11 de Agosto.
Em 12 Agosto 72, na Operação "Raro Whisky", destinada a localizar elementos IN que, na véspera, tinham atacado a Tabanca de Patê Gibele foi localizada e levantada uma mina A/P -PMD-6, em Paiai Lemenei (área onde meses antes sofrêramos uma emboscada/contacto), por elementos do 2º GC.
Devido ao facto de haver um forte empenhamento do IN na zona do Batalhão, foi lançada uma operação pela CCP 121, a 2 GC, na área entre Cancolim e Dulombi, vindo a detectar um grupo inimigo estimado em mais de 100 elementos que, após apoio aéreo e dos roquetes disparados por um Fiat G91, dispersou, batendo em retirada. O Cmdt do grupo dos páras (Sargento) veio a ter problemas disciplinares por não ter atacado o IN, tendo preferido chamar a FA e retirado.
Em 27 de Agosto 72, o 1º GC, passou a reforçar a CCAÇ 3489, Cancolim. Esta companhia passava por momentos difíceis, por terem sofrido em tão pouco tempo de guerra 4 mortos e uma dezena de feridos e, para além disto, o capitão e um dos alferes foram de férias e não voltaram e um outro alferes foi colocado nas unidades africanas. Assim, o recurso a um dos nossos pelotões foi bastante positivo, pelo exemplo de disciplina que ali ajudou a implementar (os elementos operacionais não queriam ir para o mato, não queriam efectuar as actividades diárias, operacionais ou outras, cada um comia onde queria, etc.).
O mês de Agosto 72 foi considerado dos meses com mais intensidade operacional do Batalhão, com 13 operações e 17 acções e contou com o apoio da CCP 121 a 2 grupos de combate. Foi neste mês que o IN flagelou a importante cidade de Bafatá (24/8). Pensa-se que seria o grande grupo detectado pelos pára-quedistas na zona de Cancolim.
o 2º Cmdt do Batalhão, Major Moreira Campos, visitou-nos em 29 do mesmo mês.
Em 5 de Setembro 72, houve um ataque do IN a Anambé, onde se encontrava um Gr.Comb. da CCAÇ 3489, de Cancolim e um Pel. Mil., tendo conseguido penetrar nas defesas (!!!) e entrar no aquartelamento, demorando muito a resposta das NT. O IN capturou um elemento da CCAÇ 3489, levando-o com eles, mas no percurso de retirada mataram-no a tiro de pistola.
No dia seguinte (6 de Setembro), pelas 7h10, um pequeno grupo IN, estimado em 5 elementos, tentou emboscar uma secção da nossa companhia, que se preparava para montar segurança junto do rio Fandauol, a cerca de 800 metros do quartel, local onde nos abastecíamos de água. Contudo, tendo sido detectados pelas NT, abriram fogo de armas ligeiras, mas foram de imediato repelidos, pondo-se em fuga. O quartel também bateu de imediato a zona com algumas granadas de morteiro 81mm, mas sem êxito vísivel. De facto, o IN ao tentar atacar uma actividade diária de recolha de água para o quartel parecia querer indicar que não estávamos seguros, nem a quilómetros do quartel, nem junto ao mesmo. Pensa-se que poderia ser um grupo de reconhecimento às nossas actividades diárias ou um grupo de sapadores com missão de colocar minas nos nossos trajectos.
O Rio Fanduol onde nos abastecíamos de água e onde, de manhã (Qdo lá estava uma segurança), montada, por norma durante a manhã, dávamos uns mergulhos
A 19 de Setembro, na Operação "Água Fresca", levada a efeito por 2 GC (2º e 3º GC) da nossa companhia, na convergência do R.Cambamba/R.Corubalo, detectou-se o local onde o IN cambava o rio e já junto do R. Corubalo tivemos a "visita" inesperada do Cmdt-Chefe, General Spínola, acompanhado pelo Cmdt do Batalhão, que junto do Alf. L. Dias (comandante do agrupamento) procurou inteirar-se dos pormenores da operação, locais detectados de cambança, pontos escolhidos para emboscar o IN ou para colocação de minas A/P.
Em 29 de Setembro regressou ao Dulombi o 1º GC que estivera de reforço a Cancolim
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Elementos do Iº GC, no Dulombi, em 1972, que inicialmente foram comandados pelo Alf. Ribeiro, depois pelo Fur. Batista, mais tarde pelo Alf. Leite e novamente o Fur. Batista (infelizmente já falecido- o último em pé do lado direito), que foi quem esteve mais tempo com o Grupo e que foi um destacado elemento da companhia. Outros graduados foram os Furriéis Almeida (o 1º de pé do lado esquerdo, com a G3 ao ombro e o Reis (logo a seguir com a mão ferida).
Em Setembro manteve-se o ritmo de actividade operacional, contando o Batalhão com o apoio da CCP 121, a 2 GC, que efectuou uma operação de 2 dias na zona da companhia, tendo sido escoltados desde Galomaro até perto do Jifim, pelo 2º GC, com picagem e segurança do 3º GC.
A 2 de Outubro 72, pelas 17h10, forças do IN estimadas em 40 elementos flagelaram o Dulombi com armas automáticas e RPGs, durante cerca de 10 minutos, estando a sua base de fogos colocada a 700 m do quartel. Foi esta a 1ª vez que eles atacaram do lado da população - área do Quirafo (normalmente era sempre do lado das NT), obrigando a uma rotação dos nossos morteiros 81 mm, entre 90º e 180º. Foi por isso, do nosso ponto de vista, a flagelação mais difícil de responder, porque os morteiros 81 tinham de lançar as granada para a zona donde vinha o ataque, sobrevoando as mesmas parte do quartel e a área da população.
Sala de refeições dos graduados no Dulombi, em 1972. Da esq p/dta: Furriéis Almeida (Armas Pesadas), Fonseca (Vagomestre/falecido na tragédia da Praia do Algarve, Maria Luísa),Gonçalves, Espírito Santo (ambos Atiradores), 1ª Sargento Gama (já falecido), Capitão Pires (Artilharia), Alferes Dias e Parente (Atiradores), Furriéis Machado (Atirador/já falecido), Rodrigues (Mecãnico, Reis (Atirador). Atrás e em pé e da Esq/Dta: Furriel Batista (Atirador/já falecido), os 2 impedidos da messe, Furriéis Nevado (Enfermeiro) e Carvalho (Atirador).
A messe tinha 2 salas, uma para oficiais e outra para os sargentos, como impunha o regulamento e era exigido pelo comandante do Batalhão. Contudo, o capitão foi sensível ao nosso pedido e passámos a fazer as refeições todos juntos na mesma sala, usando a outra para convívio e jogos.
Durante o mês de Outubro, a actividade operacional continuou forte e contou com o apoio da CCP 123, a 2 GC, porque o IN continuava a atacar objectivos no sector do Batalhão, em especial tabancas guarnecidas por milícias, como aconteceu em 17 de Outubro, em Dulô Gengele, ferindo milícias e elementos da população (mataram 3 que haviam previamente sequestrado), tendo o IN sofrido 3 mortos confirmados.
Neste mês, em virtude de termos cedido parte da nossa área mais longínqua de intervenção à CCAÇ africana instalada em Canjadude, deslocou-se àquela unidade, o Alferes Parente (4ºGC) e o Furriel Baptista (1º GC), ambos de minas e armadilhas, a fim de efectuarem a entrega do campo de minas A/P colocadas no limite dessa zona.
Alguns elementos do 3º GC, com o Alf. Farinha no meio (infelizmente falecido em 1999)
Em 6 de Novembro 72 (2ª Feira), quando um dos nossos GC procedia à picagem do itinerário Dulombi-Galomaro e a 2 km da primeira, detectou e levantou uma mina A/C, TM-46 (4º GC).
Picagem feita por elementos do 4º GC, com a picada entre Dulombi e Galomaro alagada-1972
Picagem do pessoal do Pel Rec da CCS, no sentido Galomaro-Dulombi e no mesmo dia da foto anterior
E com água a Berliet era uma maravilha. Picada Galomaro-Dulombi, viatura da CCS, do 1º Cabo Condutor-auto, Juvenal, mas com o Furriel Soares (Transmissões da CCAÇ 3491) a conduzir a viatura.
Em 21 de Novembro, pelas 15h45, grupo IN não estimado, flagelou novamente o Dulombi com armamento ligeiro e RPGs, durante 5 minutos, sem quaisquer consequências.
No mês de Novembro o IN manteve-se em acção nos sub-sectores de Galomaro, Dulombi e Cancolim, com flagelações às Tabancas indefesas de Sarancho e Samba Cumbera e flagelações a Dulombi e Cancolim e colocação de mina A/C no Dulombi e mina A/P (possivelmente reforçada) no itinerário Galomaro - Samba Cumbera - Saltinho, que foi accionada por elemento das NT (Teixeira), resultando na sua morte (pertencia ao PELREC da CCS-Galomaro). O IN também sofreu baixas prováveis na fuga, após o ataque a Samba Arabe, por que teve um contacto com elementos do Pel. Mil. 316 de Dulô Gengele, que acorreram em socorro da tabanca atacada.
A Rua principal da cidade de Bafatá (Em Fevereiro de 1974) onde a nossa companhia se deslocava para abastecimentos, também a Bambadinca, aproveitando para almoçar nos Restaurantes “Transmontano” ou no do Libanês (do lado direito da foto, com as paredes pintadas de azul). A maioria ia almoçar ao libanês, mais que não fosse para ver as filhas do proprietário, mas também para comer o célebre bife à bota. O respeitável proprietário tinha muita simpatia pela nossa companhia, porque eram dos poucos em que comiam todos na mesma mesa, desde o capitão ao soldado. No fim da comissão deu-nos uma refeição de borla.
Em 1 de Dezembro 72, pelas 22H00, grupo IN não estimado, mas numeroso, flagelou a sede do Batalhão-Galomaro, com elevado potencial de fogo, especialmente de granadas de RPGs, causando 1 ferido grave, 6 feridos ligeiros na população e 1 ferido ligeiro às NT, prejuízos materiais no quartel e o incêndio de 4 casas da população. O IN conseguiu aproximar-se do quartel, protegido por animais que estavam na pastagem, sendo detectados por duas sentinelas que dispararam alguns tiros para aquela zona, o que motivou o IN a desencadear o ataque, que não teve piores consequências, primeiro devido à acção de duas sentinelas - um pouco mais tarde e os guerrilheiros ter-se-iam posicionado bem perto do arame e alvejado com melhor certeza o quartel - e depois, face à justeza dos tiros de morteiro 81 mm (manobrados por dois 1º Cabos enfermeiros da CCS) e de um morteiro 60mm. O IN sofreu um morto confirmado, que abandonou no terreno (seria o enfermeito do grupo atacante) e indícios de muitos feridos graves pelos rastos de sangue, para além de muito material apreendido. (Existe um relato muito bem elaborado pelo camarada Juvenal Amado, sobre este ataque, no blogue de Luís Graça & Camaradas da Guiné, que eu considero de importante leitura).
Este ataque iria ter repercussões no futuro da CCAÇ 3491 no Dulombi.
Em 13 de Dezembro, estando o Alferes L. Dias a tirar o Curso de Unidades Africanas em Bolama ( e em S. João), esta foi atacada por morteiros 82mm e canhões sem recuo B10, também de 82mm, causando alguns feridos ligeiros entre elementos de um batalhão chegado na véspera para o IAO e estragos materiais nas áreas circunvizinhas das messes de oficiais e sargentos. O ataque foi comandado por Nino Vieira, com assistência de conselheiros cubanos (foram ouvidas as suas transmissões em espanhol).
Festa do S. João no Dulombi-1972
Na frente e da Esq/Dta: Fernando Pereira (transmissões) e 1º Cabo Aux.Enf do 2º GC, Rocha. Em pé e também da Esq/Dta: 1º Cabo Aux. Enf. Do 3º GC, Borges, 1º Cabo Martins, o“Chaves” (transmissões/já falecido) e 1º Cabo Aux.Enf.do 1º GC, Pires. Dulombi 1972
Em 20 Dezembro o Cmdt-Chefe, General Spínola esteve no Dulombi, procurando inteirar-se sobre uma das últimas flagelações sofridas, especialmente sobre o itinerário de retirada dos guerrilheiros.
Em 26 de Dezembro, o 4º GC do Dulombi foi reforçar a sede do Batalhão e, no ano a seguir, iriam processar-se alterações profundas no sector e sub-sector, até porque o IN nesse mês, para além do ataque a Galomaro, flagelou Cansamange/Saltinho e Cancolim.
Em 8 Janeiro 73, forças IN emboscaram 1 secção do Pel.Mil 347 de Anambé, que procedia à picagem do itinerário Anambé-R.Xancara (Cancolim), causando dois mortos e 1 ferido. Esta era a 6ª emboscada que o PAIGC efectuava às forças do Sector do Batalhão, desde 11 de Março de 1972, 2 na área do Saltinho, 2 na área de Cancolim e 2 na área do Dulombi, mesmo que 2 delas tenham sido a forças de milícias.
A 19 de Janeiro (6ª Feira), soube-se, pela rádio, do assassinato de Amílcar Cabral, em Conacri, ao que tudo indicava, devido a uma revolta dentro do próprio PAIGC. Muitos elementos da população e alguns de nós, acreditavam que a guerra iria acabar. Contudo quando se soube que o novo dirigente máximo seria Luís Cabral, logo se pensou que a luta iria endurecer, dado que o novo dirigente máximo fora um combatente, que andara no mato e que, portanto, era mais um militar do que um político. A razão iria estar do lado dos que pensaram assim.
Em 1 Fevereiro 73, o IN volta a atacar Bangacia, perto de Galomaro, causando baixas na população e ferindo milícias, destruindo meia centena de casas e implantando uma mina A/C, reforçada com granada de RPG, na Picada Galomaro-Dulombi, que foi accionada por uma viatura das NT (GC CCAÇ 3490, Reforçada por 1 Secção do Pel.Sap da CCS), provocando 1 ferido grave (cond.auto da CCS) e a destruição parcial de um Unimog 416. O 4º GC da CCAÇ 3491, que reforçava Galomaro e que estava emboscada na zona, foi em socorro de Bangacia tendo ali pernoitado. Outro GC da nossa CCAÇ, reforçado por 1 Secção do Pel.Mil 288, pelas 00H30 do dia 02/2, saíu do Dulombi e foi montar uma emboscada em Samba Arabe, embora sem resultados.
Mina A/C, reforçada com granada de RPG, foi accionada por viatura da CCS, na Picada Galomaro-Dulombi, provocando um ferido grave (condutor). Em destaque e a olhar para o fotógrafo vemos o Alf. Parente, Cmdt do 4º GC
Em 4 Fevereiro 73, o Cmdt Chefe, General Spínola esteve em Galomaro e foi a Bangacia a avaliar os estragos feitos pelo ataque do PAIGC.
Em 10 Fevereiro 73, o Cmdt-Chefe, General Spínola, o Cmdt da CAOP2, o Cmdt Geral das Milícias e o Cmdt Interino do Batalhão, visitaram o Dulombi (2ª visita em curto espaço de tempo).
Em 28 de Fevereiro apresentou-se no Dulombi o Pel.Mil. 373 que veio reforçar esta unidade.
Em 4 Março 73, o 3º GC da CCAÇ3491, partiu para Piche para reforçar o BCAÇ 3883.
Uns dias antes, estando o Alf. L. Dias, como comandante interino da companhia (era o 2º cmdt desde finais de Jul 72), por ausência do capitão (férias), recebeu ordem do Cmd do Batalhão para organizar a CCAÇ, a fim de, em 3 dias, serem transferidos para Galomaro, deixando um núcleo de 13 bravos, comandados primeiramente pelo Furriel Atirador, José Gonçalves, do 2º GC e 5 meses depois, pelo Furriel Trms, Soares, até ao regresso da Companhia, em Janeiro de 1974.
Os sinais estavam a ser evidentes: o IN atacava os aldeamentos envolta de Galomaro, com alguma persistência, Dulombi recebia outro pelotão de milícias de reforço, as visitas "inopinadas" do Cmdt-Chefe, o ataque uns tempos antes a Galomaro (sede do Batalhão) e estando o sub-sector do Dulombi, relativamente "calmo", tudo levava a pensar que a CCAÇ3491, iria enfrentar novos desafios, embora nos custasse muito sair do Dulombi. Íamos alargar "horizontes", acrescentando ao sub-sector do Dulombi o sub-sector de Galomaro e as numerosas tabancas que a envolvem e ainda ter um GC em intervenção permanente, primeiramente no apoio ao Batalhão de Piche e, posteriormente, no Batalhão de Nova Lamego e ainda ao Batalhão de Pirada.
Em 8 Março, um elemento IN, fardado e armado de pistola-metralhadora PPSH-41, apresentou-se a uma Patrulha de Reconhecimento do Dulombi, já bem perto do quartel. O elemento IN vinha de Madina do Boé e era oriundo da Base de Kanberra. Já em Fevereiro, 4 elementos IN tinham-se apresentado no Saltinho. Este elemento relatou o que acontecera na sua base, após a morte de Amílcar Cabral e a desconfiança que estava instalada entre os comandantes e dirigentes do partido. Referiu que sabia que a nossa companhia efectuava com regulariedade operações na zona do Corubalo e que era considerada aguerrida e disciplinada pelos guerrilheiros.
Em 9 de Março a companhia partiu para Galomaro. deixando no Dulombi os 13 elementos, comandados por um Furriel e os Pel. Mil. 288 e 373, para defenderem o aquartelamento e a população que o integrava, mantendo todo o material de guerra pesado (3 morteiros 81mm), mais 4 morteiros 60mm.
E também tivemos de deixar para trás as belas bajudas da Tabanca do Dulombi, como a linda Sira Ure (foto da esquerda) e a também bonita e excepcional lavadeira (mulher grande), a Fátima (com a filha ao colo)
Elemento IN, com PM, PSSH-41. A chegada da coluna da CCAÇ3491 a Galomaro, com Alf. Dias, atrás Fur. Batista do 1º GC e, a seu lado todo sorridente, o guerrilheiro do PAIGC, em Março de 1973
Assim, a partir de 10 de Março, o dispositivo operacional do Batalhão passou a ser o seguinte:
CCAÇ 3489-Cancolim e 1 GC em Anambé;
CCAÇ 3490-Saltinho;
CCAÇ 3491, a 3 GC (o outro GC estava de intervenção em Piche/Nova Lamego) + Pel.Rec. e Pel.Sap. (CCS)-Galomaro e Dulombi.
Pel. Caç Nat. 53-Saltinho.
FORÇAS DE MILÍCIAS:
Pel.Mil.256-Deba, Pel.Mil.287-Cansamange, Pel.Mil.288-Dulombi, Pel.Mil.289-Umaro Cossé, Pel.Mil.290-Cancolim, Pel.Mil.304-Contabane, Pel.Mil.315-Cansonco, Pel.Mil.316-Pate Gibel, Pel.Mil.317-Cansamba, Pel.Mil.318-Campata, Pel.Mil.347-Anambé, Pel.Mil.353-Bangacia, Pel.Mil.354-Sinchã Maunde Bucô, Pel.Mil.368-Dulô Gengele e Pel.Mil.373-Dulombi.
Vista aérea de Galomaro, estando mais ao fundo o aquartelamento e mais à direita, a picada para o Dulombi.
Parada do Quartel de Galomaro na época das chuvas
Convívio de graduados em Galomaro, em 1973. Em 1º plano do lado Esquerdo: Fur. Castanheira e Capitão Pires. Do lado dto: Alf. Dias (de oficial de Dia), Padre Nuno, depois Engº Vasconcelos e de frente, o Fur. Espírito Santo
Refeitório dos praças de Galomaro-1973. No lado direito da foto o Tenente- Coronel, Castro e Lemos
Em 16 de Março, às 17H55, grupo IN flagelou o Dulombi sem consequências, abandonando na base de fogos diversas granadas de RPG-2 e RPG-7.
No mesmo dia, pelas 21H15, o IN atacou a tabanca de Campata com forte poder de fogo, mas teve de bater em retirada face à reacção das forças milícias, muito bem comandadas, deixando no terreno 5 mortos e diverso material. As forças de milícias de Pate Gibel e Dulô Gengele dirigiram-se para o local e também o 4º GC da CCAÇ 3491, que estava emboscado relativamente perto. Na retirada houve novo contacto com o IN em Dulombi (A) que fugiu, deixando mais material e, pelos vestígios de sangue encontrados, levando com eles feridos graves. Foi capturado um guerrilheiro, com a respectiva arma. Entre o material recolhido salientam-se: 2 Espingardas Automáticas Kalashnikov, 1 pistola Tokarev, 3 RPG-2, várias granadas defensivas F-1 (origem russa) e chinesas de cabo de madeira. Os milícias feridos, elementos da população também feridos e um guerrilheiro ferido grave, foram recolhidos em Bangacia e transportados para Galomaro pelo 2ºGC CCAÇ 3491, reforçado por uma Secção do Pel.Rec./CCS. O elemento IN acabaria por falecer ao chegar ao quartel-sede e também um elemento auxiliar de enfermagem, que era muito querido do pessoal daquele sector de Galomaro.
Algumas das moranças incendiadas pelo IN no ataque a Campata
Com a captura de um elemento do PAIGC, surgiu em Galomaro, no dia seguinte, o Cmdt das Forças Especias, o então Major Almeida Bruno, acompanhado do Alf. Cmd, Marcelino da Mata e o seu Grupo Operações Especiais. O Grupo era composto por 16 elementos, armados com 2 Kalashnikov (Alf e Fur), 7 Dectyarev RDP e 7 lança granadas foguete (RPG-2 e RPG-7). Depois de se conseguir obter do detido a orientação da base IN, situada na República da Guiné-Conackri, junto à nossa fronteira, aquela força fez-se transportar pelo fim da tarde de hélio até perto do local, vindo a ser recolhida no dia seguinte, no nosso lado, após assalto à base do PAIGC, que destruíram. Antes da partida ainda perguntámos ao Marcelino se achava que os 16 elementos seriam suficientes para o assalto, dado que as informações colhidas diziam ali estarem cerca de 40/50 guerrilheiros, ao que ele respondeu, com ar zombeteiro: "E só lá entro com 10, os outros ficam de reserva!".
Elementos do Grupo de Operações Especiais do Alf. Cmdo. Marcelino da Mata
O Grupo de Marcelino da Mata, em Galomaro, a caminho dos helicópteros, para ir assaltar uma base IN.
Durante o mês de Março 73, foi reconhecida a Actividade Operacional do Batalhão, pelo Cmd-Chefe do TO, em especial as actividades das milícias de Campata, Pate Gibel, Cansamange e da CCAÇ 3491, revelada na Operação"Corrida Honrosa", efectuada na região do R. Corubalo. Foi ainda salientado os trabalhos nos reordenamentos de Bangacia e Dulombi.
Em 25 Abril, um GC CCAÇ 3491, efectuou escolta ao Cmdt Batalhão, numa coluna auto ao Saltinho, via Bambadinca e Xitole (O nosso cmdt ia-se passando quando viu os cabelos compridos de muitos dos elementos das NT da CART 3492, do Xitole, que pertencia ao BART 3873 de Bambadinca).
A moral das NT foi afectada pelas notícias de que os hélios não iam ao mato buscar feridos, devido aos mísseis strella (SAM7) lançados pelo IN (foi difícil manter a actividade operacional com estas informações...).
A vida da CCAÇ 3491 em Galomaro era de intensa actividade operacional, com operações de 36 horas todas as semanas, a dois GC, em especial na área do Dulombi e emboscadas nocturnas diárias entre as 18 e as 24H00, estas na área de Galomaro, efectuadas conjuntamente com o Pel.Rec. e Pel.Sap./CCS.
Em Junho 73, o Pel.Sap./CCS foi para Buruntuma, ficando à ordem do Cmd-Chefe.
Solicitou-se ao Comando-chefe a colocação de artilharia, a 3 bocas, na sede do Batalhão e a atribuição de meios rádio aos pelotões de milícias que defendiam os diversos reordenamentos, o que nunca veio a ser feito e teria dado muito jeito.
O 2º GC da CCAÇ3491 em Galomaro, preparando-se para sair para uma emboscada nocturna-1973
Alf. L.Dias com a ML MG42/59 e junto a um dos abrigos (condutores), em Galomaro (1973. Uma daquelas janelas foi atingida por roquetes aquando do ataque de Dezembro do ano anterior, visando, com certeza, o posto ali existente desta metralhadora ligeira
Em Julho 73, regressou a Galomaro o Pel.Sap. que esteve em Buruntuma e o 3ºGC da CCAÇ 3491 que estava em Piche e avançou 2º GC para reforçar o batalhão ali colocado.
Durante os meses de Julho e Agosto o IN não manifestou actividade na nossa área e conforme informações recebidas, os bi-grupos do Boé teriam ido reforçar a frente Bafatá-Gabu Norte, mas pensamos que a operação das forças especiais do Alf. Cmd. Marcelino da Mata, na REP GUINÉ-CONACRI, uns meses antes, possam ter desorganizado o IN que actuava no ataque às tabancas das populações da área de Galomaro, que terião ficado inoperativos por uns tempos.
O GC da CCAÇ 3491 que estava colocado em Piche tinha como missão principal, assegurar a segurança aos trabalhos da "Tecnil", na estrada Piche-Buruntuma, emboscadas nocturnas nos arredores de Piche e escoltas de acção psico nos aldeamentos da zona.
O dia iniciava-se com alguns disparos de artilharia para a zona para onde nos dirigíamos e depois lá saia a coluna, formada por elementos do Esquadrão de Reconhecimento de Cavalaria, com carros Chaimite e White, as viaturas da "Tecnil" e o nosso GC. Passávamos o dia todo em defensiva, ao longo da área da execução dos trabalhos e regressávamos ao fim da tarde. Quando ali esteve o 3º GC, foi sugerido que as viaturas de transporte não tivessem os taipais e os bancos fossem ao meio (lembrança da emboscada do Quirafo a um GC da CCAÇ 3490, com desastrosas consequências). Quando ali esteve o 2ºGC, por sugestão nossa, os disparos de artilharia passaram a ser feitos quando já estávamos a rodar na estrada e não antes da saída, que dava tempo para que o IN montasse uma emboscada. Numa dessas viagens a coluna sofreu uma emboscada, mas quer os nossos elementos, quer os do Esquadrão de Cavalaria responderam bem ao fogo e puseram rapidamente o IN em fuga, com ferimentos ligeiros no nosso pessoal. A forma como a Chaimite, com as suas duas metralhadoras ligeiras HK-21, de7,62 mm e principalmente a White, com a metralhadora Browning 12, 7mm, efectuavam um varrimento, batendo a área de fogo do IN, tudo em movimento, era impressionante. Num dos locais onde se escondiam elementos inimigos, as balas bateram tão perto, que um deles, por ter ficado preso nos ramos de uns arbustos, largou as calças para melhor fugir. Nós riamos a pensar o que é que os outros lhe iriam perguntar quando chegasse à base deles. Mas se esta emboscada correu bem, noutra, uma granada de RPG-7, disparada a poucos metros da estrada (5 a 10 m), perfurou a blindagem de uma Chaimite atingindo com estilhaços os elementos da guarnição no interior, ficando eles feridos (incluindo o Alferes). O operador IN do RPG ainda teve tempo de disparar uma segunda granada que atingiu um Furriel que vinha sentado atrás, junto à antena de rádio, matando-o.
Numa outra flagelação à parte da frente da coluna, houve uma resposta do nosso bazoqueiro (1º cabo Reis), após permissão do Furriel, para que ele atirasse para o outro lado da estrada uma granada foguete, onde poderiam passar ou estar acoitados elementos IN. O homem apertou o gatilho uma e outra vez e nada. Danado bateu com a parte de trás da bazooka numa árvore e para espanto a granada saiu disparada. A sorte foi que a arma ainda estava relativamente elevada, e a granada passou a rasar as nossas viaturas abandonadas no alcatrão e lá foi acertar no mato do outro lado. Em seguida, um dos nossos apontadores de metralhadora ligeira (1º cabo, Amílcar), avista um indivíduo de cor a fugir pelo capim e inicia uma corrida em sua direcção, tendo sido travado a tempo pelo Furriel da sua secção que conseguiu perceber que o homem era um dos trabalhadores da Tecnil, que tinha-se levantado e iniciara a fuga, assustado após o estrondo do rebentamento da bazucada, evitando que o Amílcar o metralhasse. Escapou de uma possível morte um inocente e uma viatura de Piche de ir ao ar. Também o nosso bazuqueiro safou-se do cone de fogo da 89mm, devido à árvore ser de porte pequeno.
Neste período, o IN também emboscou as viaturas do Pelotão que estava na Ponte Caium (no caminho para Buruntuma), matando elementos das NT, um deles de Alfama (o "Manjerico"), que era conhecido do Alf. Dias, por ter andado com ele na escola primária.
As viaturas Chaimite e White, que nos acompanhavam no percurso Piche-Buruntuma
No princípio de Setembro 73, O Alf. Mil. L.Dias e o Fur. Mil. J.Gonçalves, ambos do 2º GC, foram para o CIMIL de Bambadinca (BART 3873) onde dirigiram a instrução de uma companhia de milícias - o primeiro como cmdt companhia e o segundo como 2º cmdt.
Em Bambadinca os elementos da nossa CCAÇ que dirigiam a instrução da companhia de milícias impuseram uma actividade operacional e um treino intenso aos novos milícias de forma a dotá-los dos movimentos técnico tácticos necessários para se defenderem e atacarem o IN.
Tiveram também oportunidade de privaram com a nova CCAÇ21, uma companhia nativa comandada pelo Tenente-Comando Abdulai Jamanca, que teria um papel importante no cerco do PAIGC a Canquelifá. O Tenente Jamanca seria um dos fuzilados pelo PAIGC em 1975, em Bambadinca, após a independência.
Vista aérea de Bambadinca, onde estava instalado o CIMIL (Companhia de Instrução de Milícias)
CIMIL de Bambadinca:Revista à companhia de instrução de milícias. Na frente o Alf. Dias e atrás o Fur. Gonçalves (ambos da CCAÇ3491)-Setembro de 1973
Em 4 de Setembro 73, pelas 12H45, uma força inimiga estimada em 15 elementos, flagelou o quartel do Dulombi, com armas ligeiras e RPGs, durante 5 minutos, sem consequências.
Em 18 de Setembro, pelas 22H15, um grupo IN, estimado em 40 elementos, atacou o Reordenamento de Bangacia, com armas ligeiras e RPGs, mas a pronta resposta quer das milícias de Bangacia, quer das milícias de Campata, puseram o IN em fuga, causando-lhe prováveis baixas pelos rastos de sangue encontrados. Foram apreendidas 3 granadas RPG-7 e uma granada defensiva chinesa de cabo de madeira.
Em Setembro chegaram os Pel.Mil. 397 e 398 a Galomaro, que foram colocados, respectivamente, em Bangacia e Samba Cumbera.
Em 21 de Setembro o General Spínola foi substituído pelo General Bettencourt Rodrigues, como cmdt-chefe do CTIG.
Em 24 de Setembro de 73, o PAIGC declarou a independência.
No dia 17 de Outubro, pelas 18H55, grupo IN flagelou o quartel de Dulombi, com armas ligeiras e RPGs, com a duração de 7 minutos e sem consequências, com a base de fogos a 700 m.
Em Outubro, a moral das tropas ficou muito abalada ao saber-se que não obstante acabarmos a nossa comissão em 22 de Outubro 73, só iríamos ser substituídos em Fevereiro ou Março 74. De facto víamos elementos da rendição individual que estavam colocados no Batalhão e que tinham chegado depois de nós, a irem-se embora e nós.....ficávamos!
O General Bettencourt Rodrigues esteve em Galomaro e em Bangacia, mostrando a jornalistas que o acompanhavam o aldeamento exemplar, tendo depois partido para a zona de Madina do Boé para mostrar que a mesma não estava habitada por ninguém. Nesta acção teve a protecção de forças páraquedistas e da FA.
Hélios poisados no Dulombi, enquanto decorria uma operação dos pára-quedistas, em Medina do Boé. Novembro de 1973.
Forças pára-quedistas em Galomaro-1973
O 2º GC regressou a Galomaro em finais de Outubro, depois de ter estado em Piche. Partiu para reforçar o Batalhão de Nova Lamego, o 3º GC.
Em 21 de Dezembro 73, pelas 17H50, um grupo IN estimado em 40 elementos flagelou durante 5 minutos o quartel do Dulombi, com armas ligeiras e RPGs, sem consequências. A rápida reacção ao ataque, com recurso a morteiros 81 mm e morteiros 60 mm, pôs o IN em fuga e pelos rastos de sangue encontrados e indícios de terem sido fabricadas macas, pensa-se que o IN sofreu baixas, até porque a base de fogos se situou perto da orla da mata (300 m).
Alf. L. Dias(Cmdt do 2º GC) e Alf. Parente (Cmdt do 4º GC)-Galomaro-Outubro de 1973 e em baixo novamente Alf. Dias e Alf. Farinha (Cmdt do 3º GC)-Galomaro-Fevereiro-74
Regressou a Galomaro o 3º GC, tendo partido para Nova Lamego o 2º GC.
Em N. Lamego efectuávamos escoltas auto, operações diversas e emboscadas nocturnas. Uma das operações foi a escolta de peças de artilharia para Buruntuma, para a eventualidade de uma invasão por aquela zona e de elementos sapadores para colocação de minas A/C e A/P junto daquela fronteira. As instalações para os praças em N. Lamego eram horríveis, tendo eles escrito numa cruz colocada à entrada, "Os abandonados de Galomaro".
Em Dezembo 73, devido aos ataques a Copá, destacamento do Batalhão de Pirada, foi ordenado que o 2º GC, reforçado por um GC de uma companhia madeirense, fosse para Pirada, para reforçar a sede do Batalhão. Pirada ficava no norte, fazendo fronteira com o Senegal, havendo inclusive uma estrada para aquele país. No local, pudemos ouvir um ataque a Copá e a voz do Alferes que comandava o destacamento a informar que começavam a faltar granadas para as armas pesadas e que ouviam viaturas do IN no outro lado da fronteira. O comandante do Batalhão "Piriquito" BCAÇ8323/73 (recém-chegados à Guiné) pretendia que o nosso GC e o GC dos madeirenses - CCAÇ 3518 (que não tinham Alferes, por ter sido ferido em combate), fossem, no dia seguinte, para Copá. Ora o comandante do 2º GC (Alf. Dias), refutava esta ideia, porque, dizia: as ordens que tinha recebido do Cmdt do CAOP2 referiam-se à defesa de Pirada e que Copá era um destacamento de uma das Companhias Operacionais do Batalhão (Pirada) e por tal facto lhes competiria serem eles a irem em socorro de Copá.
A sorte, foi que o Cmdt do CAOP2 esteve do seu lado e foi de encontro à sua posição, senão a situação teria sido difícil para o Alf. Dias. De facto, nós já tínhamos a nossa dose de Guerra com quase 25 meses de Guiné e os próprios madeirenses diziam que se os mandassem ir, antes queriam ser presos, pois também já tinham 25 meses de Guiné (vieram no mesmo barco), já tinham levado muita "pancada" em Guidage e que os outros se queriam aproveitar de nós. Foi decidido que faríamos a escolta ao GC do Batalhão que iria seguir para Copá, mas regressaríamos a Pirada.
No dia seguinte, iniciámos a viagem, com a picagem a ser efectuada pelos sapadores, com a marcha a ser lenta devido ao tempo que se perdia a levantar minas A/C. A determinada altura as minas eram tantas que o pessoal sapador estava já estafado. Algumas delas surgiam, inclusive, à mostra, sem estarem tapadas por terra e eram demonstrativas da vontade do IN para que ninguém passasse. Foi dada ordem de regressar por parte do comandante do Batalhão, que também seguia na coluna e, nessa manobra, uma das nossas viaturas rebentou uma mina A/P, junto de uma árvore, onde, soube-se depois, tinha estado um dos nossos soldados, que resolveu ali descansar, contra as ordens que tinham sido dadas - teve sorte! Aquela estrada para Copá ameacava ser uma nova estrada para Guidage.Em 14 de Fevereiro de 1974, Copá seria abandonada, depois do pelotão ali colocado ter sido resgatado pelos pára-quedistas, saídos de Bajocunda. O nosso GC passou ainda o natal em Nova Lamego e depois de comido o bacalhau, foram para o mato, entre a meia-noite e as sete horas do dia 25.
A tensão dos últimos dias acumulava-se e numa acção de emboscada nocturna, nos arredores de N. Lamego, por ocasião da visita do Ministro, Baltazar Rebelo de Sousa, dado o GC ter, nquela altura, apenas 15 elementos, o Alf. Dias dividiu o grupo em 3 equipas de 5, um pouco afastadas umas das outras, embora em linha. Acontece que uma das equipas, pela madrugada, entendia que o IN estava perto porque ouvia ruídos de passos e queriam abrir fogo. Foi difícil para o Alf. contê-los, é que era de facto algum animal que fazia aquele ruído e se abrissem fogo....seria o bom e o bonito, com as peças de artilharia e os morteiros pesados de N.Lamego a trabalharem, batendo a zona.
O Burako inacreditável onde estavam instalados os praças da CCAÇ3491, aquando de reforço ao Batalhão de Nova Lamego (actual Gabú) e no qual eles colocaram uma cruz, com os dizeres: “Os abandonados de Galomaro” e a que ninguém do comando teve a coragem de mandar retirar.
No dia 5 Janeiro 74, um grupo IN, estimado em 40 elementos e pelas 14H10, flagelou o quartel do Dulombi, com armas ligeiras e lança granadas foguete, durante 7 minutos, sem consequências.
No dia 19 Janeiro 74, o IN voltou a atacar o Dulombi, pelas 14H30, com recurso a armas ligeiras e RPGs, durante 5 minutos, sem consequências (recolhidas 2 granadas de RPG-7).
Neste mesmo mês, o Capitão da CCAÇ 3491 e unidades de apoio e o 2º GC, que voltara de Nova Lamego, regressaram ao Dulombi para preparem as instalações, a recepção e o treino operacional da companhia "piriquita" que nos vinha, finalmente, substituir.
Porta principal de Entrada no Dulombi-Fevereiro de 1974
Matas envolta da Bolanha do Dulombi. Alf. Dias, com o Djubi, Samba Djuma. Fevereiro de 1974
Em 8 Fevereiro 74 (6ª Feira), sob escolta do 2º GC (que os foi buscar a Galomaro), chegaram os "Piras", sendo colocada no Dulombi, como previsto, a 1ª CCAÇ do BCAÇ 4518/73.
Comissão de Boas Vindas aos “piriquitos”, em Fevereiro de 1974, com uma das viaturas trazendo um canhão montado (que era falso)
Chegada da 1ª CCAÇ/BCAÇ4518, à ponte do Rio Fandauol, que antecedia a entrada no Dulombi, com Alf. L.Dias a liderar a escolta e de RPG2 na mão.
Momento de descontracção no Dulombi entre os “Velhinhos” e os “Piras”, em frente da messe de oficiais e sargentos, podendo ver-se da CCAÇ3491: o Fur. Rodrigues, Alf. Dias, Fur. Fonseca, Fur. Gonçalves, 1º Sarg. Gama e Fur. Nevado
Efectuámos com a companhia dos "Piras" algumas patrulhas de reconhecimento de 36 horas e a Operação "Ora Toma",em 21 de Fevereiro, do tipo nomadização a 48 horas, com 3 GC da 1ªCCAÇ. Foi a nossa última operação, vindo ainda a efectuar em 1 de Março a Acção "Enjeitado", com passagem pela região de Dulombi-Vendu Cantoro-R.Cantoro-Confluência R.Queuel/R.Cantoro-Confluência R.Engali-R.Cantoro-Samba Candé-Mondajane-Dulombi e foi o adeus às matas da zona e da Guiné.
Pensamos que no treino operacional a nossa CCAÇ teve um excelente comportamento, mostrando tudo o que havia para mostrar, efectuando as patrulhas aos pontos mais nevrálgicos, ensinando o uso dos morteiros 81 mm e mostrando os locais para onde estavam apontados e a capacidade de bater determinadas zonas. A única coisa que os "piras" detestavam era quando chegavam de uma patrulha e se punham na parada a tirar bala da câmara, que a "velhice" desaparecesse toda, só voltando quando eles seguiam para os edifícios. É que, como dizia o outro: "O seguro morreu de velho".
Numa demonstração com o morteiro 60mm, o Furriel E. Santo apontou para uma árvore e disse-lhes isto é assim: “olhem para a árvore ali ao fundo”. E não é que acertou mesmo com uma granada na árvore para espanto deles, nosso e do próprio Furriel, que não sabe como é que um disparo , como se diz, a “olhómetro”, foi mesmo bater no raio da árvore.
Deixámos uma ponte razoavelmente bem-feita sobre o R. Fandauol, de forma a evitar a impraticabilidade na passagem da bolanha do rio, um quartel bem arranjado, umas valas impecáveis, uma pista para DO-27, preparada para poder ser utilizada durante a noite, o reordenamento do Dulombi melhorado, as instalações das milícias rearranjadas, a própria picada entre Dulombi-Galomaro, foi sendo melhorada, um bom relacionamento com a população e, passe a imodéstia, julgamos que algum "respeito" do IN (palavras do interrogatório ao guerrilheiro que se entregou).
A nossa zona de intervenção não era das mais difíceis da Guiné, mas era muito trabalhosa pelos muito quilómetros que tivemos de fazer para que o IN notasse a nossa presença e posteriormente pela actividade também exercida em Galomaro. Estávamos sozinhos perante uma imensidão de terreno à nossa frente. A nosso lado ninguém. O nosso quartel estava mesmo no fim da linha, quando chovia com intensidade chegávamos a ficar isolados. Lembrar ainda a intervenção em várias áreas do Leste, no apoio a outros batalhões, em que não havendo a necessidade de palmilhar tantos quilómetros, havia, por outro lado, um outro cuidado nas deslocações e outros perigos, diferentes dos que existiam na nossa zona de origem. Só na zona de intervenção de Dulombi/Galomaro, efectuámos 105 operações, na sua maioria de 36 horas, mas algumas de 48 horas, para além das largas dezenas de emboscadas nocturnas, escoltas, picagens de itinerários e apoio a tabancas desprotegidas.
Enaltecer aqui a actuação dos grupos de milícias e populações em auto defesa que eram uns autênticos heróis, pois não tendo o armamento das nossas companhias, resistiam e perseguiam o IN que os atacava, com grande tenacidade, causando-lhes mais baixas que as CCAÇ operacionais.
Crachat e Guião do Batalhão de Caçadores 4518/73, que nos vieram substituir
Locais como:
Na Área do Dulombi: Galomaro (a 20 km), R. Fandauol (a 800 m), Vendu Cantoro (a 3 km), Vendu Columbai (a 4 km), R. Mondajane (a 4 km), R. Canhaque (a 12 km), Paiai Lemenei (a 18 km), Padada (a 18 km), Paiai Numba (a 20 km), Samba Arabe (a 18 km), Jifim (a 35 km), Quirafo (a 35 km), Rio Corubalo (a 40 km);
Na Área de Galomaro: Cancolim (a 40 km), Saltinho (a 150 km), Campata (a 10 km), Bangacia (a 6 km), Cansamba (a 8 km), Umaro Cossé (a 8 km), Samba Cumbera (a 9 km), Sinchã Bucô (a 10 km), Mali Bula (a 11 km), Pate Gengele (a 13 km), Dulô Gengele (a 18 km), Sangue Cambonga (a 22 km), Cansamange, Ainambé (a 25 km), Cansonco, Sarrancho, Deba (a 18 km), Gengelem, Bafatá (30 km);
Na Área de Bambadinca (a 50 km de Galomaro), Fá Mandinga (a 40 km), Xime (a 80 km), Mato de Cão (a 140 km), Mansambo (a 110 km), Xitole (a 130 Km), Ponta Luís Dias, Mata do Fiofioli, Porto Gole (a 160 km);
Na Área de Nova Lamego (a 80 km de Galomaro), Ocumaunde (a 6 km), Sinchã Alfa (a 12 km), Paunca (a 20 km), Madina Mandinca (a 20 km), Cabuca (a 24 km), Contumboel (a 25 km), Dara (a 25 km), Canjadude (a 28 km);
Na Área de Piche (a 135 km de Galomaro), Capiró (a 8 km), Benfica (a 18 km), Cambora (a 18 km), Camanjabá (a 26 km), Ponte Caium (a 20 km), Anamé (a 30 km), Canquelifá (a 35 km), Buruntuma (a 30 km);
Área de Pirada (a 71 km de Piche);
Área de Bolama e S. João;
Área de Bissau, Nhacra e Cumeré (42 km de Bissau).
São nomes, que ficaram no nosso espírito, porque por todos eles passaram elementos da nossa companhia em acções de patrulha ou em operações. Como diziam os nossos soldados: "Valorosa CCAÇ 3491 que tanto percorreste...!".
O Dulombi sofreu 10 flagelações, todas de curta duração, entre os 5 e os 20 minutos, essencialmente feitas com armas ligeiras, nomeadamente espingardas automáticas, metralhadoras ligeiras e lança granadas foguete (RPG-2 e RPG-7) sem consequências para as NT e, nalgumas delas, com baixas prováveis para o IN, tendo em atenção os vestígios de sangue encontrados e o material abandonado e 2 emboscadas que, sorte nossa, nos correram de feição. Houve outros contactos e ataques a aquartelamentos sofridos por Gr. Comb nossos, mas fora da zona do Dulombi/Galomaro, que correram bem para os Grupos de Combate da nossa companhia, mas com baixas em outras forças que nos acompanhavam ou onde estávamos instalados.
O REGRESSO
Em 8 de Março 74, o 2º GC e as áreas de Apoio da nossa CCAÇ saíram do Dulombi para Galomaro, onde se encontravam os restantes elementos da companhia e no dia 9, com a CCAÇ já completa, partíamos para o Cumeré/Bissau (via estrada Bambadinca-Xime, descendo o Rio Geba numa LDG), onde tínhamos chegado no dia 24 de Dezembro de 1971. Tanto tempo decorrido....e a nossa juventude ali perdida. Por isso quando nos perguntavam o porquê do lema da companhia "É muito....!", nós respondíamos: Temos quase 27 meses e meio de Guiné, e os outros diziam: Porra! É MUITO...!!!
Em 9 de Março a 1ª CCAÇ/BCAÇ 4518/73 assumiu a responsabilidade do sub-sector do Dulombi e o BCAÇ 4518/73 de todo o Sector do nosso Batalhão.
O Adeus ao Dulombi da CCAÇ 3491
A CCAÇ3491 chega ao Xime a fim de embarcar na LDG que os levaria para Bissau
A LDG “Bombarda” da Marinha a preparar-se para atracar no cais do Xime para recolher o BCAÇ3872
Batalhão de regresso a Bissau, descendo o Rio Geba dentro da LDG Bombarda
Tudo ao molho e muita fé em Deus
De facto foi MUITO esforço, muito calor (temperaturas por vezes superiores a 50º graus), muitas molhas, muita sede, muitos mosquitos, muitas mosquinhas,muitas moscas, muita cobra, muito lacrau, muito lagarto, muita micose, muitas picadas de abelhas, muitas operações, muitas acções, muitas intervenções, muitas emboscadas nocturnas, muitas rações de combate, muito pó das picadas e das matas queimadas, muitos calos para os picadores, muito isto, muito aquilo. Enfim foi mesmo MUITO!
Batalhão de Caçadores 3872 e Companhias Independentes, em parada no Cumeré
Batalhão de Caçadores 3872 e Companhias Independentes, a marchar perante o Comandante- Chefe do CTIG-Março de 1974
Na parada de despedida realizada no Cumeré, perante o Cmdt-Chefe, foi com orgulho no trabalho, no esforço, por nós realizado que nos levou a não ter, felizmente de gritarpresente aos mortos. Este é o nosso melhor louvor. Todos os graduados tinham pensado neste momento 27 meses antes, ou seja como seria importante entregar às famílias todos os nossos camaradas, todos aqueles que tinham vindo connosco para a Guiné. A Missão estava terminada.
Em 28 de Março 74 (5ª Feira), embarcávamos no Porto de Pidjiquiti-Bissau no N/T "Niassa", às 10H30, rumo à metrópole, (juntamente com as companhias independentes: CCAÇ3518 (Gadamael/Guidage); CCAÇ3519 (Barro/Cacheu); CCAÇ 3520(Cacine) - que viriam a desembarcar no Funchal , onde chegámos no dia 2 de Abril às 13h00 (3ª Feira) - e a CART3521 (Piche/Bafata/Safim) que seguiria connosco até à metrópole. Chegámos a Lisboa pela madrugada do dia 4 de Abril de 1974, com desembarque às 10h00, no Cais da Rocha Conde Óbidos. Dado que não estava qualquer autoridade militar para nos receber, como era hábito, o Comandante ordenou o desembarque das tropas sem quaisquer outras formalidazdes. Seguimos em viaturas militares para o antigo RALIS onde, pelas 12h00, nos desfardámos. Uns dias depois dar-se-ia o 25 de Abril que iria terminar com a Guerra Colonial.
Navio Niassa que nos transportaria de regresso à metrópole
Funchal-Ilha da Madeira-Abril de 1974
A serenidade do Rio Tejo (aguardando a nossa chegada)
MORTOS EM CAMPANHA DA C.CAÇ3491:
Ø Nada a assinalar (grande felicidade e muita sorte).
FERIDOS EM CAMPANHA DA C.CAÇ 3491:
Ø Fur. Mil. Mário Castanheira - Atirador; Fur. Mil. Espirito Santo - Atirador, 1º Cabo Joaquim F. Coelho - Atirador; 1º Cabo Jose Carlos Rebordões - Atirador, Soldados Avelino Silva, João Fragoso, Adelino Silva e José Rodrigues, todos Atiradores.
LOUVORES ATRIBUÍDOS A ELEMENTOS DA CCAÇ3491:
Ø Atribuído pelo Exmo. Cmdt do BART 3873, em 29 Setembro 73: Alf. Mil. Infª Luís Carlos Dias - Atirador - e Fur. Mil. Infª José Luís Ferreira Gonçalves - Atirador;
Ø Atribuído pelo Exmo. Cmdt do CAOP2, em 22 Outubro 73:Alf. Mil. Infª Luís Carlos Dias -Atirador - e Soldado Joaquim Pedro Silva - Atirador;
Ø Atribuído pelo Exmo Cmdt BCAÇ 3872, em Novembro 73:Furs Milºs Infª: José Fernando Tavares Baptista, José Luís Ferreira Gonçalves, Eugénio Varela Espírito Santo – Atiradores;
1ºs Cabos: Amílcar Ribeiro Cardia Costa, António Augusto Jesus Melro, Augusto Moreira Veiga, Amadeu Barbosa Costa, António Santos Reis - Atiradores ;
1ºs Cabos José Tente Rocha Gomes, Francisco Alves Pires, Mário Silva Borges - Auxiliares Enfermeiros e 1º Cabo José Ribeiro – Corneteiro;
e ainda os Soldados: Manuel Tomaz Barros Dias Pereira, José Rodrigues, Américo Santos Faria, José Augusto Gomes Carvalho e António Carvalho Delgado e Joaquim Ribeiro Carneiro - todos Atiradores.
Ø Atribuído pelo Exmo. Brigadeiro Cmdt Militar do CTIG, em Dezembro de 73, considerou dado por ele o louvor atribuído ao Alf. Mil. Infª Luís Carlos Dias - Atirador - pelo Cmdt do CAOP2, por proposta do Cmdt do BCAÇ 3872;
Ø Atribuído pelo Exmo. Cmdt do BCAÇ4612/72: 1º Sarg. Infª Raul Augusto Rodrigues Alves;
Ø Atribuído pelo Exmo Cmdt Companhia Terminal/Bissau: 1º Cabo António Manuel Rodrigues - Condutor Auto Rodas;
Ø Todos os elementos da CCAÇ estão incluídos no Louvor atribuído pelo Exmo. General Comandante-Chefe das Forças Armadas da Guiné, ao BCAÇ 3872, no seu despacho de 18 de Março de 74, publicado na O.S. nº 15 de 21 de Março de 1974.
Ø A todos os elementos da companhia foi atribuído pelo Exmo. Brigadeiro Comandante Militar a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas Portuguesas, com a legenda GUINÉ 71-73 (74).
"Por todos aqueles que nas terras da Guiné perderam a vida e por todos aqueles que, devido a ferimentos recebidos em combate, ou por qualquer outra forma ficaram com marcas para toda a vida, as nossas preces, reconhecimento e o sentido respeito."
O Monumento em Lisboa a todos nós, tendo como fundo a parede com os nomes dos caídos em combate
wwwccac3491guine7174.blogspot.pt




































































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