ONU exige que Vaticano entregue clérigos pedófilos
As Nações Unidas exigiram hoje que o Vaticano "remova imediatamente" e entregue às
autoridades civis todos os clérigos abusadores sexuais de crianças e os que são suspeitos
desse tipo de atos.
O relatório do comité das Nações Unidas para os Direitos da Criança toma uma posição inédita
contra o Vaticano, criticando o "código de silêncio" imposto aos clérigos sobre assunto.
O comité considera que a opção da Igreja Católica de lidar com o assunto apenas internamente,
nomeadamente com a mudança dos clérigos pedófilos para outras paróquias, impede a sua
punição e permite que prossigam os abusos sexuais de crianças.
"O comité está extremamente preocupado por a Santa Sé não ter dado conta da amplitude dos crimes cometidos, não tenha tomado as
medidas necessárias para reportar casos de abusos sexuais de crianças e para as proteger, e tenha adotado políticas e práticas que
levaram à continuação dos abusos por e com a impunidade dos perpetradores".
O relatório surge após o comité ter obtido no mês passado esclarecimentos de representantes da Santa Sé sobre o assunto.
Vaticano diz que vai "estudar e examinar" o relatório
O Vaticano já reagiu, declarando estar empenhado "na defesa e proteção dos Direitos da Criança" e prometendo que irá "estudar e
examinar" o relatório.
Uma das exigências feitas pela ONU é que a Santa Sé entregue os seus arquivos com provas de dezenas de milhares de abusos de
crianças. O Vaticano tem de "remover imediatamente de funções todos os abusadores sexuais de crianças ou suspeitos desse tipo de
atos e referir o assunto a autoridades civis relevantes para investigações e indiciamentos", refere o documento.
O Papa Francisco denominou os abusos sexuais de crianças como "a vergonha da Igreja", comprometendo-se a dar continuidade aos
procedimentos iniciados pelo seu antecessor Bento XVI sobre o assunto.
A forma como a hierarquia da Igreja tem lidado com o assunto não foi, contudo, considerada satisfatória pela ONU.
Relatório fala ainda da homossexualidade, contraceção e aborto
"Devido ao código de silêncio imposto a todos os membros do clérigo sob a pena de excomungação, casos de abusos sexuais de
crianças quase nunca foram reportados aos agentes da lei nos países onde esses crimes ocorreram", lê-se no documento.
O comité das Nações Unidas diz que a comissão criada pelo Papa Francisco, em dezembro, deve convidar especialistas exteriores e
as vítimas a participarem na investigação sobre os abusadores e investigar também "a conduta que a hierarquia católica teve no
assunto".
O relatório critica ainda as atitudes do Vaticano relativamente à homossexualidade, contraceção e o aborto.
Um responsável do Vaticano, que falou à agência Reuters sob anonimato, criticou estas últimas observações por considerar que saem
fora do âmbito do comité para os Direitos da Criança.
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