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quarta-feira, 28 de março de 2012


A promoção dos vira-casacas


Um dos aspectos mais deploráveis da classe política portuguesa é a forma como protege os chamados vira-casaca, muda-se da extrema-esquerda para o PS, do PCP para o PSD e até do PS para o PSD numa total impunidade e, como se viu na semana passada, se a traição for significativa ainda se pode ganhar um lugar numa empresa pública.
  
Não está em causa a possibilidade de alguém mudar de opinião, o que parece ser questionável é que num dia se defenda um regime comunista e pouco tempo depois se apareça como deputado do PSD ou mesmo como líder parlamentar daquele partido. Os partidos que deveriam rejeitar os traidores optam por procurar adquirir e exibi-los como se fossem os cromos mais preciosos de uma colecção.
   
Como se sentirão os muitos militantes de um partido que ao longo de muitos anos de militância dão o melhor de si sem pedir nada em troca e quando o seu partido está no poder vêm alguém mudar de barricada a troco de um tacho bem remunerado?
   
O recente caso de Teixeira dos Santos roçou o ridículo mas infelizmente não é o único, todos os partidos estendem passadeiras vermelhas para receberem os novos militantes ilustres. Como aceitar que alguém que teve as mais altas responsabilidades num governo, que meses antes de abandonar o cargo esteve em campanha, aparece de um dia para o outro com o estatuto de arrependido e por isso merece um tacho bem remunerado?
  
Esta forma de actuação da classe política e, em particular, do governo revela uma total ausência de princípios e de valores e, mais grave do que isso, uma falta de respeito pelos portugueses.
  
Como se sentirão os muitos portugueses que não têm nada de que se arrepender, que não têm um partido para trair e que todos os dias vivem com o pouco que têm quando sabem que uma qualquer personagem da classe política recebe uma generosa gorjeta só porque fez o frete de elogiar o ministro que o substituiu?
O problema do país não é apenas financeiro e a crise financeira dificilmente será superada numa perspectiva de longo prazo enquanto a classe política não perceber que pior do que a crise financeira é a crise de valores, uma crise de princípios que permitiu a uma elite de oportunista e de grupos corporativos o enriquecimento fácil à custa dos recursos do país.
  
Com exemplos como o referido que valores podemos ensinar aos nossos filhos? Vamos dizer-lhes para criarem um sindicato oportunista e que derrubem os governos que não lhes garantam as mordomias? Vamos ensiná-los a singrar nos partidos e a encontrarem um político empresário que lhes garanta emprego e sucesso político? Vamos convencê-los de que é mais fácil singrar na vida e chegar à administração de uma empresa lambendo as botas alheias?
  
Com gente educada nestes valores não há país que sobreviva, talvez o Relvas e o Passos Coelho tenham razão, com um país de gentes desta o melhor é emigrar, de preferência para longe e sem bilhete de regresso.

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