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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Segredos do Hermitage São Petersburgo - Quais os segredos guardados no imenso prédio cinzento da longínqua - para nós - São Petersburgo? Que segredos são esses que levaram cerca de meio século para, enfim, serem revelados, algum tempo atrás, ao mundo das artes?

Segredos do Hermitage
São Petersburgo


"No jardim" de Auguste Renoir, um dos segredos do Hermitage

Quais os segredos guardados no imenso prédio cinzento da longínqua - para nós - São Petersburgo? Que segredos são esses que levaram cerca de meio século para, enfim, serem revelados, algum tempo atrás, ao mundo das artes? A revista americana Time foi a primeira a escrever sobre o assunto, gerando uma polemica que está longe de acabar.

Tudo começou quando São Petersburgo ainda se chamava Leningrado, uma homenagem ao grande estadista Lênin. O Hermitage, um magnífico complexo arquitetônico construído em 1764, para ser palácio de inverno da Imperatriz Catarina II, seria o guardião desses segredos. O ano era 1945, a Europa estava em ruínas no final da Segunda Guerra Mundial e as forças aliadas - de um lado com os Estados Unidos e do outro, a então poderosa União Soviética - entravam na Alemanha nazista que ainda fazia ouvir seus últimos estertores.
"Dançarina Sentada", de Edgar Degas


No meio do exército russo, um batalhão que não lutava, um batalhão diferente, especializado em arte, tinha uma missão: saquear e levar para a Rússia toda e qualquer obra de arte - pinturas, esculturas, antiguidades, jóias, objetos de decoração -, tudo que pudesse ter algum valor. A desculpa? "Indmnização de Guerra!" A mentalidade russa, na época, era que a Alemanha deveria pagar pelos prejuízos causados na cruzada de Hitler pelo mundo. Um comportamento bem diferente do que tiveram os aliados, que segundo a Time, "restituíram a arte aos seus proprietários de direito o mais rápido possível, após a guerra, enquanto os russos se recusaram a fazê-lo".
Os soviéticos levaram dos museus, galerias e dos bunkers onde os alemães escondiam as obras de arte: foi assim que objetos antigos e quadros de grandes mestres da pintura como Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Pierre-Auguste Renoir, Pablo Picasso, Paul Cézanne, Edgar Degas, Henri de Toulouse-Lautrec, Édourd Manet e Henri Matisse, entre outros, foram parar nos porões do Museu Hermitage. 

Tentando justificar, o historiador russo Albert Kostenevich declarou: "Em 1945, os exércitos aliados agiram de forma similar ao russo, cada um tinha equipes dirigidas por especialistas e encarregadas de reunir trabalhos de arte. Elas nem sempre pararam para refletir sobre a natureza das instituições nacionais ou sobre os direitos dos cidadãos nos países derrotados. Estavam com pressa de coletar objetos preciosos, o que, sob aquelas condições, significava apenas salvá-los. Claro que houve uma diferença entre as maneiras com que americanos e soviéticos lidaram com estes tesouros de arte. Os oficiais americanos, quando tomavam posse de objetos de museu, geralmente não os removiam da Alemanha; já os soviéticos mandaram para o Leste tudo que consideraram importante. Estas ações pareciam muito apropriadas, pois a nação, tendo sofrido perdas indizíveis como resultado da invasão nazista, pensava da mesma forma. Todos achavam que a Alemanha devia pagar pelos prejuízos irreparáveis que havia causado".
Entre as obras levadas para o Hermitage pelos russos, algumas pertenceram ao Museu Kunsthalle, de Bremen, e a colecionadores particulares da Alemanha, entre eles o industrial Josef Karl Otto Krebs, que morreu em 1941, possuidor de quadros de Van Gogh, Cézanne e Gauguin; e a Otto Gerstenberg, cuja coleção estava guardada na Galeria Nacional de Berlim, de onde foi levada.
Em 1995, o Hermitage-São Petersburgo anunciou uma exposição com parte das obras saqueadas na Alemanha no fim da guerra, e os segredos vieram à tona. Lá estavam a Place de la Concorde, de Edgar Degas, que muitos consideravam perdida; Paisagem com Casa e Lavrador, de Van Gogh; A Bebedora de Absinto, de Picasso; No Jardim, de Renoir; Tapera Mahana, de Gauguin; De Manhã, Partida para o Trabalho, de Van Gogh; Banhistas, de Paul Cézanne, Bailarina Henriette, de Matisse, entre outras obras primas. E o Hermitage, que já possuía centenas de pinturas européias compradas no século XVI, entre elas A Sagrada Família, de Rafael e A Volta do Filho Pródigo, de Rembrandt, teve seu acervo enriquecido aos olhos do mundo, passando a receber turistas de todo o planeta, contrariando a Imperatriz Catarina II, que escrevera: "Somente os ratos e eu podemos admirar essas obras de arte".
Paisagem com Casa e um Lavrador, de Vincent van Gogh, uma das telas levada da Alemanha para o Hermitage.
Quanto aos ratos, não se sabe, mas as autoridades russas ainda discutem o direito de posse e o retorno das obras para a Alemanha, sendo que dois tratados, um em 1990 e outro em 1992, já foram assinados. Algumas peças já foram devolvidas, mas a maioria continua lá, no Hermitage e em outros museus da Rússia. Ao leitor cabe ressaltar que a Alemanha, durante a guerra, também saqueou, principalmente dos judeus. E claro está que, em outras guerras, outros países fizeram o mesmo; mas um erro não justifica o outro e este artigo trata especificamente do Hermitage.

Obras Devolvidas


Este artigo já estava pronto quando, dias atrás, o New York Times e O Globo noticiaram, com direito a chamada na 1º página, a devolução de valiosíssimas obras de arte ao Museu de Bremen, na Alemanha. Dois desenhos de Albrecht Dürer - Casa de Banho de Mulheres e Maria sentada com Criança e um desenho de Rembrandt - Mulher de pé com as mãos levantadas, entre outros, que haviam sido levados pelos russos de um castelo da Alemanha nazista e que foram doados ao Museu de Belas-Artes do Azerbaijão (parte da Extinta União Soviética), foram recuperadas pela alfândega americana. As obras estavam em poder de um japonês que as roubou do referido museu e que pretendia vende-las para custear um transplante de rim. Avaliadas em US$ 15 milhões, as peças foram devolvidas aos verdadeiros donos pelas autoridades americanas.

Mostra virtual Hermitage
Museu Hermitage - São Petersbugo


Visitar o Museu Hermitage de São Petersburgo está sendo possível para qualquer cidadão comum que transita na Av. Rio Branco. Até o final de agosto o Museu Nacional de Belas Artes disponibiliza aos freqüentadores um quiosque multimídia, instalado no hall do segundo andar do prédio, que dá acesso ao conteúdo do museu russo, e com simples toques na própria tela é possível fazer uma verdadeira excursão por seus corredores e galerias, usando apenas a ponta dos dedos e a imaginação.
Todas as informações estão disponíveis nos idiomas russo, inglês, francês, italiano, espanhol e português, o que possibilita a utilização do quiosque também pelos turistas de todo o mundo que visitam o Rio de Janeiro e aproveitam para conhecer o MNBA. Ícones grandes e bem posicionados tornam a visita virtual agradável a qualquer um. Através de um roteiro, o visitante escolhe o que quer ver. Pode começar pelo Mapa do Museu, que permite uma visão plana de todos os salões do Hermitage e o melhor caminho para se encontrar lugares como banheiros, banco e lanchonete. Indica ainda qual direção seguir para ver determinada obra ou salão. Todo luxo e beleza da arquitetura e da decoração do museu podem ser vistas em Coleção e Salões, que mostra as características preservadas dos ambientes desde o tempo dos czares.
"Mulher com Guarda Chuva"de Henri de Toulouse-Lautrec, obra prima que tomou o caminho do Leste
Basta um toque no ícone Informação Geral para aparecer um breve histórico do prédio que hoje abriga o museu, suas utilizações no passado e por quais mudanças passou até ser aberto à visitação pública, em 1851 pelo Czar Nicolau I, tudo isso em telas que trazem fotos belíssimas do Hermitage em seus vários estágios de construção. Em Destaques do Museu e Destaques das Coleções, quadros, esculturas, artefatos arqueológicos, moedas, medalhas e obras de arte aplicadas - como jóias e utensílios domésticos e de decoração - podem ser vistos com riqueza de detalhes devido à qualidade da imagem que o quiosque oferece. 
"Banhistas ao ar livre" de Cézanne
Das 16 mil pinturas que pertencem ao museu, encontram-se obras de artistas como Renoir, Leonardo da Vinci, Picasso, Rubens, Ticiano, Caravaggio, Matisse, Gaugin, Fra Angelico, entre tantos outros. Uma pequena, mas bem selecionada, parte dessa preciosa coleção é exibida no quiosque multimídia e ao se tocar em uma imagem, ela aparece ampliada e acompanhada de uma sucinta descrição histórica. É claro que tudo isso é apenas uma prévia do acervo do Museu Hermitage, que possui algo em torno de 3 milhões de objetos de arte (de todas as partes da Europa Ocidental e Oriental, a maioria, porém, é arte russa e das culturas orientais), distribuídos nos trezentos quartos dos cinco prédios que compõem o conjunto arquitetônico, situado no coração de São Petersburgo.

 www.areliquia.com.br

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