Segredos do Hermitage
São Petersburgo
Quais os segredos guardados no imenso prédio cinzento da longínqua - para nós - São Petersburgo? Que segredos são esses que levaram cerca de meio século para, enfim, serem revelados, algum tempo atrás, ao mundo das artes? A revista americana Time foi a primeira a escrever sobre o assunto, gerando uma polemica que está longe de acabar.
São Petersburgo
| "No jardim" de Auguste Renoir, um dos segredos do Hermitage |
Quais os segredos guardados no imenso prédio cinzento da longínqua - para nós - São Petersburgo? Que segredos são esses que levaram cerca de meio século para, enfim, serem revelados, algum tempo atrás, ao mundo das artes? A revista americana Time foi a primeira a escrever sobre o assunto, gerando uma polemica que está longe de acabar.
Tudo começou quando São Petersburgo ainda se chamava Leningrado, uma homenagem ao grande estadista Lênin. O Hermitage, um magnífico complexo arquitetônico construído em 1764, para ser palácio de inverno da Imperatriz Catarina II, seria o guardião desses segredos. O ano era 1945, a Europa estava em ruínas no final da Segunda Guerra Mundial e as forças aliadas - de um lado com os Estados Unidos e do outro, a então poderosa União Soviética - entravam na Alemanha nazista que ainda fazia ouvir seus últimos estertores.
| "Dançarina Sentada", de Edgar Degas |
No meio do exército russo, um batalhão que não lutava, um batalhão diferente, especializado em arte, tinha uma missão: saquear e levar para a Rússia toda e qualquer obra de arte - pinturas, esculturas, antiguidades, jóias, objetos de decoração -, tudo que pudesse ter algum valor. A desculpa? "Indmnização de Guerra!" A mentalidade russa, na época, era que a Alemanha deveria pagar pelos prejuízos causados na cruzada de Hitler pelo mundo. Um comportamento bem diferente do que tiveram os aliados, que segundo a Time, "restituíram a arte aos seus proprietários de direito o mais rápido possível, após a guerra, enquanto os russos se recusaram a fazê-lo".
Os soviéticos levaram dos museus, galerias e dos bunkers onde os alemães escondiam as obras de arte: foi assim que objetos antigos e quadros de grandes mestres da pintura como Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Pierre-Auguste Renoir, Pablo Picasso, Paul Cézanne, Edgar Degas, Henri de Toulouse-Lautrec, Édourd Manet e Henri Matisse, entre outros, foram parar nos porões do Museu Hermitage.
Os soviéticos levaram dos museus, galerias e dos bunkers onde os alemães escondiam as obras de arte: foi assim que objetos antigos e quadros de grandes mestres da pintura como Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Pierre-Auguste Renoir, Pablo Picasso, Paul Cézanne, Edgar Degas, Henri de Toulouse-Lautrec, Édourd Manet e Henri Matisse, entre outros, foram parar nos porões do Museu Hermitage.
Tentando justificar, o historiador russo Albert Kostenevich declarou: "Em 1945, os exércitos aliados agiram de forma similar ao russo, cada um tinha equipes dirigidas por especialistas e encarregadas de reunir trabalhos de arte. Elas nem sempre pararam para refletir sobre a natureza das instituições nacionais ou sobre os direitos dos cidadãos nos países derrotados. Estavam com pressa de coletar objetos preciosos, o que, sob aquelas condições, significava apenas salvá-los. Claro que houve uma diferença entre as maneiras com que americanos e soviéticos lidaram com estes tesouros de arte. Os oficiais americanos, quando tomavam posse de objetos de museu, geralmente não os removiam da Alemanha; já os soviéticos mandaram para o Leste tudo que consideraram importante. Estas ações pareciam muito apropriadas, pois a nação, tendo sofrido perdas indizíveis como resultado da invasão nazista, pensava da mesma forma. Todos achavam que a Alemanha devia pagar pelos prejuízos irreparáveis que havia causado".
Entre as obras levadas para o Hermitage pelos russos, algumas pertenceram ao Museu Kunsthalle, de Bremen, e a colecionadores particulares da Alemanha, entre eles o industrial Josef Karl Otto Krebs, que morreu em 1941, possuidor de quadros de Van Gogh, Cézanne e Gauguin; e a Otto Gerstenberg, cuja coleção estava guardada na Galeria Nacional de Berlim, de onde foi levada.
Em 1995, o Hermitage-São Petersburgo anunciou uma exposição com parte das obras saqueadas na Alemanha no fim da guerra, e os segredos vieram à tona. Lá estavam a Place de la Concorde, de Edgar Degas, que muitos consideravam perdida; Paisagem com Casa e Lavrador, de Van Gogh; A Bebedora de Absinto, de Picasso; No Jardim, de Renoir; Tapera Mahana, de Gauguin; De Manhã, Partida para o Trabalho, de Van Gogh; Banhistas, de Paul Cézanne, Bailarina Henriette, de Matisse, entre outras obras primas. E o Hermitage, que já possuía centenas de pinturas européias compradas no século XVI, entre elas A Sagrada Família, de Rafael e A Volta do Filho Pródigo, de Rembrandt, teve seu acervo enriquecido aos olhos do mundo, passando a receber turistas de todo o planeta, contrariando a Imperatriz Catarina II, que escrevera: "Somente os ratos e eu podemos admirar essas obras de arte".
Em 1995, o Hermitage-São Petersburgo anunciou uma exposição com parte das obras saqueadas na Alemanha no fim da guerra, e os segredos vieram à tona. Lá estavam a Place de la Concorde, de Edgar Degas, que muitos consideravam perdida; Paisagem com Casa e Lavrador, de Van Gogh; A Bebedora de Absinto, de Picasso; No Jardim, de Renoir; Tapera Mahana, de Gauguin; De Manhã, Partida para o Trabalho, de Van Gogh; Banhistas, de Paul Cézanne, Bailarina Henriette, de Matisse, entre outras obras primas. E o Hermitage, que já possuía centenas de pinturas européias compradas no século XVI, entre elas A Sagrada Família, de Rafael e A Volta do Filho Pródigo, de Rembrandt, teve seu acervo enriquecido aos olhos do mundo, passando a receber turistas de todo o planeta, contrariando a Imperatriz Catarina II, que escrevera: "Somente os ratos e eu podemos admirar essas obras de arte".
| Paisagem com Casa e um Lavrador, de Vincent van Gogh, uma das telas levada da Alemanha para o Hermitage. |
Quanto aos ratos, não se sabe, mas as autoridades russas ainda discutem o direito de posse e o retorno das obras para a Alemanha, sendo que dois tratados, um em 1990 e outro em 1992, já foram assinados. Algumas peças já foram devolvidas, mas a maioria continua lá, no Hermitage e em outros museus da Rússia. Ao leitor cabe ressaltar que a Alemanha, durante a guerra, também saqueou, principalmente dos judeus. E claro está que, em outras guerras, outros países fizeram o mesmo; mas um erro não justifica o outro e este artigo trata especificamente do Hermitage.
Obras Devolvidas
Este artigo já estava pronto quando, dias atrás, o New York Times e O Globo noticiaram, com direito a chamada na 1º página, a devolução de valiosíssimas obras de arte ao Museu de Bremen, na Alemanha. Dois desenhos de Albrecht Dürer - Casa de Banho de Mulheres e Maria sentada com Criança e um desenho de Rembrandt - Mulher de pé com as mãos levantadas, entre outros, que haviam sido levados pelos russos de um castelo da Alemanha nazista e que foram doados ao Museu de Belas-Artes do Azerbaijão (parte da Extinta União Soviética), foram recuperadas pela alfândega americana. As obras estavam em poder de um japonês que as roubou do referido museu e que pretendia vende-las para custear um transplante de rim. Avaliadas em US$ 15 milhões, as peças foram devolvidas aos verdadeiros donos pelas autoridades americanas.
Mostra virtual Hermitage
| Museu Hermitage - São Petersbugo |
Visitar o Museu Hermitage de São Petersburgo está sendo possível para qualquer cidadão comum que transita na Av. Rio Branco. Até o final de agosto o Museu Nacional de Belas Artes disponibiliza aos freqüentadores um quiosque multimídia, instalado no hall do segundo andar do prédio, que dá acesso ao conteúdo do museu russo, e com simples toques na própria tela é possível fazer uma verdadeira excursão por seus corredores e galerias, usando apenas a ponta dos dedos e a imaginação.
Todas as informações estão disponíveis nos idiomas russo, inglês, francês, italiano, espanhol e português, o que possibilita a utilização do quiosque também pelos turistas de todo o mundo que visitam o Rio de Janeiro e aproveitam para conhecer o MNBA. Ícones grandes e bem posicionados tornam a visita virtual agradável a qualquer um. Através de um roteiro, o visitante escolhe o que quer ver. Pode começar pelo Mapa do Museu, que permite uma visão plana de todos os salões do Hermitage e o melhor caminho para se encontrar lugares como banheiros, banco e lanchonete. Indica ainda qual direção seguir para ver determinada obra ou salão. Todo luxo e beleza da arquitetura e da decoração do museu podem ser vistas em Coleção e Salões, que mostra as características preservadas dos ambientes desde o tempo dos czares.
Todas as informações estão disponíveis nos idiomas russo, inglês, francês, italiano, espanhol e português, o que possibilita a utilização do quiosque também pelos turistas de todo o mundo que visitam o Rio de Janeiro e aproveitam para conhecer o MNBA. Ícones grandes e bem posicionados tornam a visita virtual agradável a qualquer um. Através de um roteiro, o visitante escolhe o que quer ver. Pode começar pelo Mapa do Museu, que permite uma visão plana de todos os salões do Hermitage e o melhor caminho para se encontrar lugares como banheiros, banco e lanchonete. Indica ainda qual direção seguir para ver determinada obra ou salão. Todo luxo e beleza da arquitetura e da decoração do museu podem ser vistas em Coleção e Salões, que mostra as características preservadas dos ambientes desde o tempo dos czares.
| "Mulher com Guarda Chuva"de Henri de Toulouse-Lautrec, obra prima que tomou o caminho do Leste |
Basta um toque no ícone Informação Geral para aparecer um breve histórico do prédio que hoje abriga o museu, suas utilizações no passado e por quais mudanças passou até ser aberto à visitação pública, em 1851 pelo Czar Nicolau I, tudo isso em telas que trazem fotos belíssimas do Hermitage em seus vários estágios de construção. Em Destaques do Museu e Destaques das Coleções, quadros, esculturas, artefatos arqueológicos, moedas, medalhas e obras de arte aplicadas - como jóias e utensílios domésticos e de decoração - podem ser vistos com riqueza de detalhes devido à qualidade da imagem que o quiosque oferece.
"Banhistas ao ar livre" de Cézanne
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Das 16 mil pinturas que pertencem ao museu, encontram-se obras de artistas como Renoir, Leonardo da Vinci, Picasso, Rubens, Ticiano, Caravaggio, Matisse, Gaugin, Fra Angelico, entre tantos outros. Uma pequena, mas bem selecionada, parte dessa preciosa coleção é exibida no quiosque multimídia e ao se tocar em uma imagem, ela aparece ampliada e acompanhada de uma sucinta descrição histórica. É claro que tudo isso é apenas uma prévia do acervo do Museu Hermitage, que possui algo em torno de 3 milhões de objetos de arte (de todas as partes da Europa Ocidental e Oriental, a maioria, porém, é arte russa e das culturas orientais), distribuídos nos trezentos quartos dos cinco prédios que compõem o conjunto arquitetônico, situado no coração de São Petersburgo.
www.areliquia.com.br
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