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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O dia em que Sartre deu náuseas à Academia - FAZ HOJE 50 ANOS QUE O FILÓSOFO FRANCÊS RECUSOU O PRÉMIO NOBEL DFA LITERATURA ALEGANDO RAZÕES PESSOAIS


O dia em que Sartre deu náuseas à Academia


FAZ HOJE 50 ANOS QUE O FILÓSOFO FRANCÊS RECUSOU O PRÉMIO NOBEL DFA LITERATURA ALEGANDO RAZÕES PESSOAIS


O emissor despachou a carta com a devida antecedência, mas o correio foi aberto tarde de mais. Uma semana antes do anúncio do prémio, face aos rumores que o davam como vencedor, Jean-Paul Sartre (1905-1980) dirige-se por escrito ao secretário da Academia. "É meu desejo não figurar na lista dos possíveis laureados." Está selado o escândalo nesse ano de 1964, quando o papa do existencialismo se recusa a engrossar a família do Nobel da Literatura, uma vez anunciado o seu nome, no dia 22 de Outubro, agraciado por um trabalho "rico em ideias e preenchido pela espírito da liberdade e da busca da verdade".
Cabe ao jovem jornalista da agência AFP, François de Closets, transmitir a notícia ao escritor, apanhado no restaurante L'Oriental, na Praça Denfert-Rochereau, com a companheira Simone de Beauvoir. Três palavras bastam para Closets ter na mão uma cacha: "Recuso o prémio." Mas a história não pode acabar mais cedo que esta refeição.
À luz dos regulamentos do Nobel, os distinguidos não têm o privilégio de recusar o galardão. Por sua vez, a Academia reserva-se o direito de conceder ou não o valor pecuniário associado ao troféu. O cheque de 273 mil coroas suecas (o que hoje corresponderia a 300 mil euros) não chega às mãos de Sartre. No dia seguinte à notícia do Nobel, no diário "Le Figaro", o autor de 59 anos, que em 1938 se estreia com "A Náusea", revela o seu descontentamento por a recusa ter motivado tanto alarido, e faz saber que apesar da irrevogabilidade da decisão do comité sueco, na carta que enviara esclarece as razões do não, objectivas e de ordem pessoal. Dado o trabalho do escritor, justifica-se, sempre declinara honrarias, tradição que aplicara ao Prémio Lenine, à Legião de Honra ou aos convites para o Colégio de França. "Aceitar prémios destes seria para um escritor associar os seus compromissos pessoais a uma instituição", sustenta Sartre, que rejeita a intervenção das instituições na mediação das relações entre Este e Oeste, tarefa da exclusiva responsabilidade dos homens e das culturas, deixando uma mensagem de apreço ao público sueco.
Mostra ainda o seu desacordo com a escolha de anteriores laureados.

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