Origem dos castelos da Idade Média: as invasões bárbaras deixaram as cidades em ruínas
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| Castelo de Jonzac, Poitou-Charentes, França. |
A França do século IX era um país em plena formação.
Seus habitantes descendiam das tribos bárbaras convertidas no século IV por São Remígio, e que com o suceder das gerações tinham ido se civilizando sob a influência benéfica da Igreja.
O gênio poderoso de Carlos Magno havia unificado o país e lhe dera uma organização definida que, apoiando-se sobre os valores locais, ia formando uma sociedade orgânica, com um crescimento espontâneo, forte, vital.
Sobre esta civilização incipiente abate-se um cataclismo.
São invasões maciças de sarracenos pelo sul, de húngaros ferocíssimos pelo leste, e, piores que todos, de normandos vindos do norte em navios, com os quais não só pilhavam as costas como entravam pelos rios adentro.
Por toda parte vêem-se cidades arrasadas, e nas ruínas só habitam animais selvagens.
Os soldados, incapazes de resistir, aliam-se aos invasores e pilham com eles.
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| Castelo de Fenis, Val d'Aosta, Itália. |
Então, os mais fortes se entregam a violências; não há mais comércio, indústria, agricultura; todos os costumes, leis e instituições desmoronam; não há mais laços que unam os habitantes do país.
O Estado desaparece nessa imensa catástrofe.
Fugindo ao terror e à desordem, os homens buscam abrigo no fundo das florestas, no alto das montanhas, no meio dos pantanais — em lugares inacessíveis, onde a cupidez e a crueldade dos invasores não os atinja.
Cada qual, ou melhor, cada família. Pois a família é, neste caos, a única célula social que permanece intacta.
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| Castelo de Karlstejn. República Checa. |
Dela partirá o trabalho de reconstrução social.
No seu refúgio a família resiste, se fortalece, torna-se mais coesa.
Animada pelo espírito católico que a vivifica, ela não se deixa esmagar pela adversidade, mas reage.
Obrigada a bastar-se a si mesma, cria os meios para se sustentar e se defender.
Malbork (Marienburg), capital do Estado cruzado e religioso da Ordem Teutônica
Em 1280, os cruzados da Ordem Teutônica começaram a construir o maior castelo do mundo numa colina sobre o rio Nogat.
A região que fica no norte da Polônia atual.
Trata-se do castelo de Malbork.
Seu nome original em alemão é muito bonito: Marienburg, quer dizer a Cidade de Nossa Senhora.
Ele se tornou o centro de um Estado poderoso bastante singular.
Porque era um Estado monástico-cruzado que expandiu o Evangelho naquelas terras vencendo a agressividade bélica dos pagãos.
Além de converter os perigosos pagãos, os cruzados teutônicos tiraram vastas florestas medievais do caos e as transformaram em terras agricultáveis capazes de acolher e alimentar uma crescente população e desenvolver uma civilização original.As tribos prussianas do sudeste do mar Báltico eram uma ameaça para o cristianismo e um empecilho para o desenvolvimento da civilização.
A Ordem Teutônica fez uma série de cruzadas para garantir a liberdade dos fiéis.
O Estado Monástico dos Cavaleiros Teutônicos foi formado em 1224 em território que hoje pertence à Alemanha e à Polônia.
Como resultado, por volta do século XIV, o Estado teutônico contava com uma população de mais de 220.000 almas.Nesse número estavam incluídos os novos colonos que se instalaram nas cidades fortificadas e castelos dos cavaleiros.
Alex Brown e Aleks Pluskowski da Universidade de Reading, no Reino Unido, relataram noJournal of Archeological Science a formidável obra civilizatória empreendida por esses cavaleiros desde a capital de seu Estado: Malbork.
Brown e Pluskowski analisaram os grãos de pólen presos nas camadas de lama da região.
Estudando as mudanças no pólen, puderam formar uma idéia de como foi o clima no passado.
O pólen foi retirado do muro exterior do castelo de Malbork e de depósitos de turfa no sul do castelo.
A análise mostra que a partir de meados do século XI o pólen das árvores diminui acentuadamente sendo substituído pelo pólen de plantas herbáceas e cereais.
“Desde os séculos XII e XIII até XV houve uma mudança fundamental na vegetação e no uso da terra de Malbork”, escrevem eles.
“De uma floresta com mínima influência humana se passou a uma paisagem aberta com cultivo intensivo de cereais, especialmente o centeio, pastagens e campos agrícolas”.
castelosmedievais.blogspot.pt
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