Repartição da riqueza em Portugal: nunca os salários receberam uma fatia tão pequena
O jornalista Rui Peres Jorge assina hoje no Negócios uma peça sobre a repartição da riqueza em Portugal,
“Queda histórica do peso dos salários puxa pela desigualdade” tendo por base investigação de João Leão (ISCTE) e Francesco Franco (Universidade Nova).
Segundo estes investigadores, Portugal terá registado a maior queda na Zona Euro em termos de percentagem de riqueza distribuída como salário, em benefício dos rendimentos sob a forma de juros, lucros e rendas.
Os dados para Portugal revelam assim um mínimo histórico e uma posição abaixo da média da Zona Euro. Esta evolução conjugada com outras tendências comuns ao período é potenciadora do aumento da desigualdade de distribuição de rendimentos existente no país e poderá contribuir para aspetos como a contração do mercado interno e o desequilíbrio estrutural das finanças familiares entre outros.
A tendência registada é contudo global no mundo ocidental e pode estar a centrar-se em vários aspetos como sejam: a gobalização que, associada ao desenvolvimento tecnológico, em alguns setores, potencia grandes retornos com baixo investimento em capital humano (menos empregados mas mais lucro) e que, em outros, permite explorar o recurso a mão de obra mais barata, via deslocalização geográfica de centros de produção. Esta tendência também pode estar a ser alimentada, a nível global, pela crescente financeirização da economia promovendo-se setores que conseguem gerar lucros elevados sem que haja, no geral, uma folha salarial muito elevada. As justificações para a repartição da riqueza em Portugal podem contudo ser diferentes um pouco diferentes.
Eis um dos gráficos que ilustra a peça do Negócios:
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