A nossa vida faz-se muito de pessoas e lugares. Algumas dessas pessoas confundem-se tanto com os lugares que ficam, para sempre, a fazer parte das nossas paisagens pessoais, dos cenários recordados das nossas memórias de infância, quando a felicidade era mais do que mera possibilidade. O Casimiro era uma dessas pessoas. A sua felicidade fazia (fará) sempre parte daquele lugar de aprendizagem e brincadeiras que era o Largo da Fonte Nova, centro do bairro de Tróino, em Setúbal, onde todos se cruzavam para ir ao vinho à Taberna do Nau, comprar bolos ao Caquinhas ou procurar um parafuso na drogaria. O Largo de outros tempos, shopping de bairro em que se ia à mercearia do senhor César inscrever no rol uma quarta de banha ou ao café Miami matraquear nos flippers a cinco escudos. Lá andava o Casimiro, entre o restaurante da Cilinha, a Farmácia Leão Soromenho ou o restaurante do Horácio, com paragem sempre certa no quiosque dos gelados do Calhotas. Diferente, sempre, mas ainda assim igual a nós.
Para onde foi, levou consigo o sorriso que quase sempre nos oferecia. Deixa-nos a sua memória. O que é muito para um homem deixar.

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