Ana é o nome da mãe e, também, da sogra de Arnaldo Rodrigues, um artista plástico, com 59 anos, de Viana do Castelo que acaba de reinventar o pião tradicional em madeira. Inspirado no traje à vianense e nas danças típicas da região, criou uma peça "dançante", que batizou de "Ana de Viana".
Brinquedo simboliza a mulher vianense na forma de um
pião feito e pintado à mão
A escolha da designação, que por coincidência serve de homenagem a duas mulheres próximas de si, não podia ter sido mais óbvia. "Viana encerra o nome Ana. Não entendo por que é que até hoje ninguém tinha pegado naquilo que é óbvio. Fala-se da lenda "Eu vi a Ana no Castelo" e depois ninguém se lembra de usar Ana de Viana? É a coisa mais simples do Mundo", explica.
O brinquedo, no mercado com as cores vermelho, azul e verde, está a fazer grande sucesso, tanto nas redes sociais como nas lojas de artesanato. Está a ser comercializado desde agosto e já vendeu mais de meio milhar. "Estou a receber muitas encomendas. Muitas mesmo. Como nunca esperei. Esperava que isto ia ser um sucesso, agora tanto não. Fiquei doido quando percebi que, em dois dias, a página do Facebook teve 10 mil visualizações", comenta Arnaldo, nome simples pelo qual o artista gosta de ser chamado.
O pião é feito de madeira, construído em peças talhadas por um carpinteiro e pintado à mão pelo autor. A ideia é, segundo o próprio, "a união de dois prazeres": o fascínio pelos piões e o facto de ser "adepto fervoroso das festas d"Agonia". O brinquedo representa uma lavradeira trajada de braços no ar, em pose de quem dança o vira. Arnaldo avisa, contudo, que "a "Ana de Viana" não é uma representação fiel do traje à vianense".
Nos anos 80 do século passado, o artista plástico, bancário na reforma, fez o curso superior de Desenho e o seu trabalho final da disciplina de projeto foi sobre o pião. A vontade de criar uma peça sua, diz, já vem desde essa altura, em que começou colecionar piões. "Não compro. As pessoas que sabem já me oferecem. Tenho algumas dezenas deles. Os piões são um objeto interessantíssimo", conclui
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