Jacques-Louis David, pintor da Revolução Francesa
Jacques-Louis David, pintor francês e maior representante do neoclassicismo, morre em Bruxelas em 29 de dezembro de 1825. Durante anos, ele controlou a atividade artística francesa, sendo o pintor oficial da corte local e de Napoleão Bonaparte.
Quando a monarquia Bourbon foi restaurada, David foi um dos proscritos. Contudo Luis XVIII concedeu-lhe anistia, oferecendo-lhe uma posição na corte, que David recusou, preferindo o exílio em Bruxelas. Lá pintou Cupido e Psiquê, e dedicando-se a composições em pequena escala e a retratos. Sua última grande criação foi “Marte desarmado por Vênus e as Três Graças”, terminada um ano antes de sua morte. Desejava que a obra fosse o seu testamento artístico. Exposta em Paris, reuniu uma multidão de admiradores.
Faleceu depois de ter sido golpeado por uma carruagem na saída do teatro. Por suas atividades revolucionárias seu corpo foi impedido de retornar à pátria, sendo sepultado no cemitério Evere, em Bruxelas. O coração, porém, repousa no cemitério Père Lachaise, em Paris.
Trajetória
Jacques Louis David nasceu em Paris em 30 de agosto de 1748 numa rica família da burguesia. Estudou na Academia Real, conquistando, em sua quarta tentativa, o Prêmio de Roma em 1774. Partiu então para a Cidade Eterna, onde permaneceu por cinco anos. No curso dessa estada foi influenciado pela arte clássica e pela obra do pintor do século XVII, Nicolas Poussin.
De volta a Paris em 1780, adota de pronto seu próprio estilo neo-clássico, tirando os temas de seus quadros da Antiguidade e se inspirando nas formas e nos gestuais na escultura romana.
A primeira encomenda, “O Juramento dos Horácios” (1784, Museu do Louvre) foi cuidadosamente premeditada para ser o manifesto do novo estilo neo-clássico, destinado a alimentar o sentido cívico do público. Exibindo um tema fortemente moral, ou melhor, patriótico, esta tela tornou-se a principal referência da pintura histórica, nobre e heróica, das duas décadas seguintes.
A partir de 1789, a fim de testemunhar os episódios da Revolução Francesa e amigo de Robespierre, põe sua arte a serviço da nação e adota um estilo mais realista que neo-clássico como atesta “A Morte de Marat” (1793, Museu Real de Belas Artes, Bruxelas). Em 1794, encarcerado por duas vezes no Palácio de Luxemburgo, continuou, não obstante, a pintar e concebe “As Sabinas” (Museu do Louvre, retrato abaixo) que concluiu em 1799.
A Coroação de Napoleão, feita entre 1805 e 1807
De 1799 a 1815, foi o pintor oficial de Napoleão Bonaparte, cujo reinado expressou em três grandes telas como Coroação de Napoleão I em 2 de dezembro de 1804 (1806-1807, Museu do Louvre). Em seguida à queda do imperador, se exila em Bruxelas – a Itália se recusou a acolhê-lo – onde permaneceu até a morte. Abre um ateliê e retoma os temas da mitologia grega e romana, adotando um estilo mais teatral.
Ao longo de toda a carreira foi igualmente um fecundo retratista. Mais intimistas que suas grandes telas, os retratos como Madame Recamier (1800, Museu do Louvre), mostram sua enorme maestria técnica e a psicologia dos personagens. Numerosos críticos modernos consideram que os retratos de David, destituídos do discurso moral e submetidos a uma técnica mais simples, constituem sua maior realização artística.
A carreira de David simboliza de qualquer modo a passagem do estilo rococó do século XVIII ao realismo do século XIX. Seu estilo de poderoso impacto aliado à grande maestria no desenho influencia fortemente Antoine Gros e Jean Auguste Ingres, um dos últimos representantes do neo-classicismo. Os temas patrióticos e heróicos preparam o caminho para o romantismo.
David apoiou a Revolução Francesa desde o início, era amigo de Robespierre e membro do Clube dos Jacobinos. Enquanto outros deixavam o país, David permaneceu para auxiliar na queda do antigo regime, votando pela morte do rei. De fato, na primeira Convenção Nacional ele foi alcunhado de "terrorista feroz".
As Sabinas (1799)

Logo, porém, voltou sua crítica contra a Academia, possivelmente por causa da hipocrisia que sentia nos bastidores e da oposição que suas obras haviam sofrido no início da carreira. Os ataques lhe trouxeram ainda maiores inimizades, uma vez que a instituição era refúgio dos realistas. Todavia, com o aval da Assembleia Nacional planejou reformas na antiga escola segundo a nova constituição, passando a desempenhar um papel de propagandista da República tanto por sua atuação pública como através das pinturas.
Napoleão e David admiravam-se mutuamente. David desde o primeiro encontro ficara impressionado com o então general. Quando este subiu ao trono, David solicitou fazer o seu retrato. Depois o pintou na cena da coroação, nas bodas com Josefina, outra grande composição, e de novo na da Passagem dos Alpes, montado num fogoso cavalo.
operamundi.uol.com.br
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Marat assassinado (Marat assassiné) ou A morte de Marat é uma tela de Jacques-Louis David pintada em 1793. Ela está exposta no Musées royaux des Beaux-Arts de Belgique em Bruxelas.
A pintura retrata Jean-Paul Marat, revolucionário francês, assassinado em casa em 13 de julho por Charlotte Corday. A inscrição À Marat, David que aparece na caixa de madeira, cuja forma sugere uma pedra tumular, indica que se trata de uma homenagem a Marat, que o pintor conhecia pessoalmente e que teria visto na véspera de sua morte tal como a representado.
NAPOLEÃO
OBRAS DE ARTE DA REVOLUÇÃO FRANCESA
"Liberté, egalité, fraternité!". Foi assim que Jean-Jacques Rousseau marcou aquela que seria considerada a maior revolução burguesa da história. A partir dos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, a Revolução Francesa mostrou ao mundo uma nova forma de pensar a organização da sociedade e deixou um legado importantíssimo para as belas artes: as pinturas realizadas no período e posteriormente a ele representam bem o que foi o movimento.
O acontecimento que deu início à Idade Contemporânea e aboliu a servidão e os direitos feudais iniciou-se em 1789, com a tomada da Bastilha, prisão política do Antigo Regime. Os fatos marcantes e mesmo os traços mais incomuns podem ser observados nas pinturas de artistas como Eugène Delacroix, Jacques-Louis David e Jean-Pierre Louis Laurent Houel.
Saiba quais são as obras mais representativas da Revolução Francesa:
Sans-culotte, de Louis-Leopold Boilly
Este quadro apresenta de forma clara a vestimenta de uma parte importante da sociedade francesa pré-revolução. Segundo Carlos Farias Júnior, professor de História da Universidade Castelo Branco, os sans-culottes eram artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários que viviam nos arredores de Paris. "Eles não usavam os elegantes calções que a nobreza vestia, os culottes, mas uma calça de algodão grosseira", explica. O traje de um típico sans-culotte era composto pelo pantalon (calças compridas), o carmagnole (casaco curto) e sabots (sapatos de madeira), além do barrete frígio de cor vermelha, uma espécie de touca utilizada primeiramente pelos antigos habitantes da Frígia, hoje Turquia.
Este quadro apresenta de forma clara a vestimenta de uma parte importante da sociedade francesa pré-revolução. Segundo Carlos Farias Júnior, professor de História da Universidade Castelo Branco, os sans-culottes eram artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários que viviam nos arredores de Paris. "Eles não usavam os elegantes calções que a nobreza vestia, os culottes, mas uma calça de algodão grosseira", explica. O traje de um típico sans-culotte era composto pelo pantalon (calças compridas), o carmagnole (casaco curto) e sabots (sapatos de madeira), além do barrete frígio de cor vermelha, uma espécie de touca utilizada primeiramente pelos antigos habitantes da Frígia, hoje Turquia.
Tomada da Bastilha, de Jean-Pierre Louis Laurent Houel
A Tomada da Bastilha, ou Queda da Bastilha, é um importante marco da Revolução Francesa que foi reproduzido por Jean-Pierre Louis Laurent Houel. A população francesa invadiu a prisão política do Antigo Regime em 14 de julho de 1789, feriado nacional no país. A fortaleza medieval contava, à época, com apenas sete presos, mas foi o suficiente para mostrar aos monarcas a força que teria a insurreição.
Napoleão Entronizado, de Jean-Auguste Dominique Ingres
Discípulo de David, pintor de Marat Assassinado, Jean-Auguste Dominique Ingres retrata uma das fases finais da Revolução Francesa: o período dominado por Napoleão Bonaparte. A composição da pintura é baseada na estátua colossal de Zeus do templo antigo de Olímpia. O resultado é Napoleão sendo representado como um Imperador-Deus, num efeito grandioso e apropriado aos feitos do reinado do retratado. Napoleão foi imperador da França de 18 de maio de 1804 a 6 de abril de 1814, após assumir o poder com o golpe de 18 de Brumário.
A liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix
A Revolução Francesa não foi a derrota total do Antigo Regime. O triunfo da burguesia e a derrota definitiva da aristocracia absolutista aconteceu com a Revolução de 1830, retratada por Eugène Delacroix em A liberdade guiando o povo. A figura central da tela representa a liberdade vitoriosa, segurando a bandeira do país. Os corpos em que ela pisa remetem à derrota do governo absolutista e as demais figuras são as camadas que, a partir de então, passaram a ter voz na sociedade francesa: os intelectuais e os estratos populares.































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