AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "Pó do tempo"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Palmira, o coração da história que é de todos. E que o Estado Islâmico quer destruir

Palmira, o coração da história que é de todos. E que o Estado Islâmico quer destruir

A cidade histórica de Palmira, na Síria, é o novo alvo do Estado Islâmico e é um "tesouro insubstituível". O que tem a cidade que já foi classificada como Património da Humanidade pela UNESCO?
Palmira foi uma das cidades mais importantes na rota da Seda
É um “oásis no deserto sírio”. A cidade histórica de Palmira está sob ameaça do Estado Islâmico, que no sábado conseguiu controlar grande parte do norte da cidade. De acordo com a agência France Press, este domingo, o grupo terrorista matou cinco civis – dois eram crianças –  num ataque com rockets a um bairro residencial de Palmira. Dois caíram sobre o jardim do museu da cidade, onde estão expostas estátuas, sarcófagos e outros artefactos. Contudo, um oficial sírio já veio dizer que a situação “está completamente sob controlo”.
Palmira é conhecida pelas ruínas históricas, que a Organização das Nacões Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou “Património da Humanidade” em 1980. Fundada no segundo milénio antes de Cristo, a cidade (cujo nome árabe é Tadmur) tem vestígios de semitas, gregos e romanos e é considerado um dos marcos arquitetónicos mais relevantes da história romana, em pleno deserto de Damasco.
Irina Bokova, diretora geral da UNESCO, disse à CNN que Palmira é um “tesouro insubstituível”. “É um sítio que já sofreu quatro anos de conflito, de ataques e que representa um tesouro insubstituível para o povo sírio e para o mundo”, referiu. Um tesouro arqueológico, mas também uma cidade central para o regime de Bashar al-Assad, presidente da Síria, onde estão vários depósitos de armas, um aeroporto e uma prisão militar.
Maria da Conceição Lopes, arqueóloga e professora na Universidade de Coimbra, explicou ao Observador que ao atacar Palmira, o Estado Islâmico sabe que está a destruir não só o património sírio, mas um património universal. “Está a atacar um coração que é de todos”, diz. A professora, que esteve pela última vez na Síria em 2010, conta que quando se atravessa uma parte do deserto sírio – “que é uma coisa muito agreste” – e se avista a cidade de Palmira, se percebe logo que é uma “região para a construção de um aglomerado urbano”.
Considerada a “noiva do deserto”, Palmira foi uma das cidades mais importantes na rota da Seda, ligando a Pérsia, Índia e China ao império romano. “Palmira tem uma grande colonata, com 1.100 metros de comprimento, com colunas de mármore brancas altíssimas dos lados, onde chegavam caravanas cheias de mercadoria, vindas do deserto”, explica Maria da Conceição Lopes.
A professora conta que a cidade síria é um símbolo do “encontro harmonioso de muitas culturas” e que é a antítese de tudo aquilo que o Estado Islâmico defende. “É beleza, é história, é turismo”, diz, acrescentando que com esta ameaça, o grupo terrorista está a tentar dizer às pessoas que não voltam “a pôr os pés” em Palmira. “Estão a dizer ‘estamos a destruir aquilo que vos é caro’”, adianta, acrescentando que a lógica do Estado Islâmico é a do “exibicionismo, a do poder pelo poder”.
“Palmira não é só a cidade em si, é a paisagem que a circunda. À volta de Palmira, há uma paisagem lindíssima, com sepulturas que são torres. Só quem lá esteve consegue perceber a qualidade paisagística, a inscrição daquela cidade num contexto paisagístico”, diz.
A equipa da Universidade de Coimbra que estava em escavações na Síria não voltou ao país desde 2010, por causa dos conflitos. O escritor inglês Tom Holland, para quem a destruição da cidade seria uma tragédia não só para a Síria como para o mundo inteiro, descreveu a cidade como sendo “uma extraordinária fusão de influências clássicas e iranianas, misturadas com outras influências árabes”.
O Estado Islâmico tem vindo a perseguir vários monumentos históricos. Em fevereiro, destruiu cerca de oito mil livros da biblioteca pública da cidade iraquiana de Mosul – alguns faziam parte da lista de raridades da UNESCO – e entrou no museu da cidade, destruindo várias estátuas milenares, segundo a agêcia Lusa. Nos meses seguintes, novos alvos: ruínas de Assíria, Hatra e cidade de Jorsabad.

Sem comentários: