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terça-feira, 19 de maio de 2015

História de Olhão - Os achados arqueológicos comprovam a presença humana na área do Concelho de Olhão desde o Neolítico. - As fortalezas da Ria Formosa

História de Olhão
Os achados arqueológicos comprovam a presença humana na área do Concelho de Olhão desde o Neolítico.
A ocupação romana deixou vestígios importantes em Olhão (tanques de salga de peixe descobertos em 1950, durante a construção do Porto de Pesca) e em Marim, junto à Ria, onde existia uma importante villa agrícola e pesqueira no séc. II ao IV. Aqui os romanos construíram salinas e implementaram a indústria de pesca e salga de peixe, cujos produtos eram depois exportados para todo o Império (alguns antigos tanques de salga de peixe estão actualmente expostos no Parque Natural da Reserva da Ria Formosa).
Com a queda do Império Romano e a chegada dos Visigodos, Marim continuou a ser um local importante, no qual foi encontrado uma lápide cristã datada do séc. VI.
A ocupação árabe iniciou-se no séc. VIII e apenas terminou no séc. XIII, tendo deixado memórias e um legado importantíssimo em todo o Algarve mas, no caso específico de Olhão, embora seja considerada uma terra de características acentuadamente mouriscas, não se conhece qualquer construção importante deixada pelos árabes! Esta é uma das singularidades históricas de Olhão: é a única terra com características mouriscas construída por europeus, sem qualquer herança histórica mourisca! As razões que explicam uma tal singularidade são expostas no final deste documento. 
Após a expulsão dos árabes do Algarve no séc. XIII, Marim continua a ser o povoamento mais importante da região que, aliás, poderá estar associada à origem de Olhão, tanto por ter sido o primeiro ponto de fixação humana na região, como por ter um grande olho de água doce e que poderia ter dado origem ao topónimo de Olhão (no entanto, segundo a maioria dos historiadores, o grande olho de água que deu origem ao topónimo não se encontrava em Marim, mas sim perto do actual Jardim João Serra - o "Poço Velho"). Efectivamente, no reinado de D. Diniz, em 1282, iniciou-se a construção da Torre de Marim, cujos restos ainda existem na actual Quinta de Marim, para vigiar a Barra Velha (na época a única entrada do mar para a Ria Formosa na região entre a Fuseta e Faro) e proteger os habitantes dos ataques dos piratas mouros. Esta Quinta foi desde logo uma rica empresa agrícola, atendendo à fartura de água da sua nascente, o que aliás está relacionado com a bonita Lenda da Moura de Marim.
Em data incerta (provavelmente séc. XVI e até 1840) instalou-se aqui uma armação do atum que atraía algumas dezenas de pescadores de Faro, acompanhados pelas famílias, nos meses de Março, Abril e Maio. 

Certamente alguns destes pescadores, ao verificarem a abundância de peixe da Ria Formosa, decidiram permanecer nas humildes cabanas construídas de madeira, canas e palha, onde hoje se ergue a zona antiga da cidade.
O primeiro documento que se refere a um "logo que chamam olham" é datado de 1378 e, em 1614, os registos da Paróquia de Quelfes já se referiam aos moradores da Praia de Olhão, que na época integravam esta paróquia.

A população foi crescendo e, em 1652, a sua importância justificava a construção daFortaleza de São Lourenço, primeiro para defesa contra os espanhóis, e depois, para defesa contra os ataques dos piratas argelinos.


Fotografia editada na década de 1940 e tirada provavelmente na Culatra, onde se vêem cabanas muito semelhantes às utilizadas pelos primeiros olhanenses (Fonte: Passos, José Manuel Silva - O Bilhete Postal Ilustrado e a História Urbana do Algarve - Caminho, 1995)
Só em 1695 o Lugar de Olhão se constitui como nova freguesia autónoma de Quelfes. O primeiro edifício de pedra foi a Igreja da Nossa Senhora da Soledade, construída em data incerta, e o segundo edifício de pedra foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, começada em 1698 e terminada em 1715.
Também só neste ano de 1715 é autorizada a primeira habitação em alvenaria, dada expressamente pela Rainha ao mareante João Pereira. Efectivamente, o poder político em Faro sempre recusou construções de alvenaria em Olhão até esta data.
Curiosamente, o Marquês de Pombal, em inquérito efectuado no então Reino do Algarve perguntava pela identificação dos notáveis de cada localidade. Olhão não tinha quaisquer notáveis! Era uma pequena localidade sem aristocracia, apenas constituída por homens do mar, a quem recusavam tanto a autonomia administrativa como o direito à construção de uma simples casa de alvenaria!
No entanto, Olhão foi-se construindo de uma forma igualitária, livre, e frequentemente à revelia e em rebelião com o Poder político instituído, representado sobretudo pelas duas importantes cidades vizinhas - Faro e Tavira.
Em 1765, e sempre com a firme oposição de Faro, El-Rei D. José concede finalmente aos mareantes do Lugar de Olhão (então com 850 fogos) a autorização de se separarem da Confraria do Corpo Santo de Faro, constituindo eles  mesmos uma confraria sua, que suportariam às suas custas - o Compromisso Marítimo. A construção do edifício do Compromisso Marítimo, onde actualmente se situa o Museu da Cidade, finalizou em 1771.
Foi durante o cerco de Gibraltar, de 1779 a 1783 (imposto pelas armadas francesa e espanhola), e mais tarde o de Cadiz, que os marítimos deste Lugar de Olhão tiveram oportunidade de progredir economicamente, comercializando com grandes lucros os produtos da terra - peixes e derivados - quer com sitiantes quer com sitiados.

Mas foram as invasões francesas que deram a oportunidade a Olhão de se afirmar politicamente.
Provavelmente devido ao seu espírito igualitário, sem compromissos com quaisquer poderes instituídos, os olhanenses protagonizaram no séc. XIX a primeira sublevação bem sucedida contra a ocupação francesa (em 16 de Junho de 1808, actualmente o dia da Cidade), que se tornou um rastilho decisivo para a expulsão dos franceses do Algarve.

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Este momento histórico foi determinante para a emancipação de Olhão, porque o rei D. João VI (1767-1826), então refugiado no Brasil, recebeu a boa nova da expulsão dos franceses através de um punhado de olhanenses que se meteram ao mar a bordo do   caíque "Bom Sucesso" no dia 6 de Julho de 1808, numa viagem heróica, apenas orientados pelas estrelas, as correntes marítimas e um mapa rudimentar! O rei, reconhecido pela iniciativa da sublevação e pelo heroísmo da viagem marítima, elevou o pequeno e desconhecido Lugar de Olhão a vila, em 1808, com o epíteto de Vila da Restauração (ver alvará régio).
De 1826 a 1834 os olhanenses lutam encarniçadamente por D. Pedro contra D. Miguel, transformando-se a vila num dos  mais fortes baluartes do Liberalismo no sul do País, resistindo a apertados cercos e violentos ataques dos Miguelistas.


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éplica do Caíque Bom Sucesso (embarcação com 18 metros e tripulada por cerca de 15 homens) lançada à água em 2002.
Em 1842 é criada na vila uma Alfândega que, em cerca de 20 anos, se torna o mais importante posto aduaneiro do Algarve devido à pesca e outros produtos algarvios. Por esta razão em 1864 é criada uma Capitania do Porto e, em 1875, o Tribunal Judicial de Olhão.
Na última metade do séc. XIX, a actividade comercial desenvolvida pelos marítimos olhanenses, cresceu imenso, estendendo-se até ao Mediterrâneo Oriental. São conhecidos nesta época contactos com o Mar Negro (em 1871, um caíque capitaneado por António da Silva Guerreiro, foi até Odessa, na Rússia, para comprar cereais) e outras paragens como Oram, Nemours, Philippoville, Sardenha. Nesta época, os olhanenses têm também um enorme impacto na colonização do litoral desértico do sul de Angola (saiba mais aqui).
São os contactos comerciais e a emigração para Marrocos que leva muitos olhanenses a construir as suas habitações de modo semelhante, cúbicas e caiadas de branco, o que valeu a Olhão a alcunha de "vila cubista". Isto explica porque Olhão é o único exemplo de povoamento moderno e ocidental (nunca foi um povoamento árabe) com características vincadamente mouriscas.
Na primeira metade do séc. XX, a instalação da indústria de conservas de peixe, fez de Olhão uma vila rica e extremamente produtiva. A primeira fábrica de conservas surgiu em 1881, fundada pela empresa francesa Delory, e em 1919 já existiam cerca de 80 fábricas. Talvez expressão desse desenvolvimento foi o facto de o Sporting Clube Olhanense ter-se consagrado Campeão Nacional de Futebol em 1924.
Infelizmente, na última metade do séc. XX, a decadência da indústria conserveira e da própria pesca empobreceu a vila que, no entanto, foi elevada a cidade em 1985.
Actualmente, Olhão renasce com o mesmo espírito igualitário e de liberdade que a define. Continua a ter na pesca um dos esteios da sua economia, mas começa a lançar-se de forma decidida no turismo de qualidade, com a recente construção do porto de recreio.
Em 16 de Junho de 2002, a autarquia lançou à água uma réplica do caíque "Bom Sucesso", que actualmente promove visitas e passeios guiados ao longo da Ria Formosa. Esta embarcação está ancorada entre os Mercados Municipais.

Viva Olhão! Cidade cubista, da liberdade, igualdade e fraternidade!


Fortalezas
Foram construídas várias Fortalezas para defesa da Ria Formosa. No concelho de Olhão as mais importantes foram as duas Fortalezas para a defesa da antiga Barra de Olhão, actual Barra Velha, entre a ilha da Culatra-Farol e ilha da Armona:

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A Fortaleza de S. Lourenço foi projectada em 1644, ainda em plena Guerra Peninsular entre portugueses e espanhóis, sobre ruínas de outra fortaleza do tempo de El-Rei D. João III. A sua construção foi iniciada logo em 1652 e um ano depois já estava apta a defender a Barra contra eventuais incursões marítimas quer dos espanhóis quer dos piratas muçulmanos. No entanto, parece ter sido concluída apenas em 1679. A sua guarnição inicial foi 1 oficial subalterno, 1 sargento, 1 cabo e 10 soldados. Esta fortaleza foi muito destruída pelo terramoto de 1755, pelo que o seu comandante a partir de 1758 já residia habitualmente em Olhão. Em 1772 o mar arruinou-a quase por completo, obrigando a que a sua reduzida guarnição fosse rendida de oito em oito dias.

Foto orientada de SE-NW: vê-se Olhão à esquerda e a ilha da Armona à direita; a barra velha fica no extremo direito (dia 11-10-2006)

Em 1798 foi mandada restaurar e em 1808, quando os olhanenses se revoltaram contra o exército francês, a guarnição desta Fortaleza recusou qualquer ajuda aos marítimos que para lá rumaram procurando armas. Em 1821 já não haveria guarnição alguma e em 1840 só existiam fragmentos da muralha e ermida. O nome da Fortaleza veio do facto de ter sido o Conde de S. Lourenço, a exercer o cargo de Governador do Algarve entre 1642 e 1646, a decidir-se pela sua construção.
A planta desta Fortaleza foi elaborada pelo Eng. Pedro de Sta. Comba, era quadrilátera com 4 baluartes e ainda uma plataforma para peças de artilharia.

Foto orientada de W-E: vemos um canhão (apontado para nós) e à frente uma lage de pedra redonda. No horizonte está a ilha da Culatra (dia 11-10-2006)

 Para o embasamento da estrutura foram utilizadas 2000 traves de pinho! Tinha ainda uma ermida. Situava-se numa zona actualmente submersa na maré alta, perto da actual ponta sueste da ilha do Coco (ou ilha de S. Lourenço). Ainda hoje se pode ver no local, com a maré vazia, três canhões de ferro submersos e uma grande pedra redonda, cujo significado desconheço. No princípio da década de 1980 ainda existiam muitas pedras nas imediações que foram sendo aproveitadas pelos viveiristas ao longo dos anos.

Foto orientada de N-S: dois canhões apontando para a Barra velha, limitada à esquerda pela ilha da Armona e à direita pela ilha da Culatra (dia 11-10-2006)
Desde 2006, esta Fortaleza tem sido alvo de investigação arqueológica pelo Centro de Estudos do Património da Universidade do Algarve (Dr. Mário Rodrigues Ferreira). Neste âmbito, maquete seguinte foi construída pelos arqueólogos Hugo Oliveira e Magda Gonzaga:

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A Fortaleza da Armona foi edificada em 1747, na ponta oriental da Barra, mas com o terramoto de 1755 e a deslocação da barra para levante, devido às correntes costeiras predominantes, rapidamente ficou inactiva. Em 1808, durante a sublevação dos olhanenses contra os franceses, alguns marítimos olhanenses vieram aqui roubar armas para o levantamento. Ao que parece existiria ainda uma segunda fortaleza na Armona no enfiamento do actual Restaurante dos Belgas, que teria sido construído na Guerra da Restauração  (1640-1668) e cujas ruínas ainda eram perceptíveis na década de 1960.

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Além destas fortalezas na Barra Velha de Olhão, foram ainda construídas fortalezas na Barreta, Barra Nova e a Fortaleza da Barra da Fuzeta. Esta última, segundo testemunho do padre de Moncarapacho, datado de 1758,  ficava defronte à barra e tinha um canhão e uma guarnição de um artilheiro e quatro soldados vindos de Tavira. Desconhecemos quando foi construída e abandonada. Parece ter havida uma outra fortaleza na praia da Fuzeta, construída na Guerra da Restauração  (1640-1668), cujas ruínas ainda podiam ser vistas em 1945, de acordo com um relatório do General João de Almeida.
António Paula Brito


Bibliografia:
bulletD’Athaide Oliveira, Francisco Xavier - Monografia do Concelho de Olhão da Restauração - 1906
bulletGomes, João Honrado - As Fortificações do Concelho de Olhão - Jornal "O Olhanense", 1-9-2006
bulletNobre, Antero - História Breve da Vila de Olhão da Restauração, Olhão, Ed. O Sporting Olhanense, 1984
bulletPassos, José Manuel Silva - O Bilhete Postal Ilustrado e a História Urbana do Algarve - Caminho, 1995
bulletTeodomiro Neto - Quem "descobriu" a Fortaleza  de S. Lourenço? -  Jornal "O Olhanense", 1-5-2006



Torres de Vigia ou Atalaias em Olhão
Estas torres são uma linha de estruturas modestas (a maior parte desaparecida, ou em vias de desaparecer), cuja maior concentração se encontra, actualmente, no território de Olhão. Algumas poderão ter tido origem islâmica, a maioria terá sido construída após a reconquista cristã para vigiarem a costa contra os ataques de piratas provavelmente até ao séc. XVIII. No século XIX, em 1841, João Baptista Silva Lopes refere na sua "Corografia ou memória económica, estatística e topográfica do Reino do Algarve" que todas estas torres encontravam-se já em ruínas.
Confrontadas as regiões ribeirinhas com os constantes ataques muçulmanos, a necessidade de se efectivar a segurança das populações determinou a erecção destas estruturas, cujo carácter essencialmente de vigia está bem espelhado na relativa modéstia dos seus programas construtivos.
Em todo o caso, o recurso a este modelo foi uma solução de certo sucesso, pois são ainda visíveis, um pouco por toda a costa meridional, de Tavira a Lagos, torres circulares e quadrangulares, de sistema construtivo e aspecto geral muito parecidos.


Torre de Marim



Pormenor da lápide fundacional e das armas régias
 

Torre de Marim
Após a expulsão dos árabes do Algarve, no séc. XIII, Marim era o povoamento mais importante da região que, aliás, poderá estar associada à origem de Olhão, tanto por ter sido o primeiro ponto de fixação humana na região, como por ter um grande olho de água doce e que poderia ter dado origem ao topónimo de Olhão.
Aqui apareceu uma quinta que foi morgadio desde o reinado de D. Diniz, tendo-se iniciado a construção duma torre em 1282. Sabe-se que a quinta e a torre nela incluída pertenceram à família Arrais de Mendonça, entroncada mais tarde com a família dos Côrte-Reais. Actualmente pertence aos herdeiros do Dr. João Lúcio Pousão Pereira. Foi desde sempre uma rica empresa agrícola, atendendo à fartura de água da sua nascente, o que aliás está relacionado com a bonitaLenda da Moura de Marim.
A Torre foi muito danificada pelo terramoto de 1755 e, por isso, foi mandada demolir e reconstruída menos elevada pelo então administrador.
Presentemente é difícil identificar os restos da torre, porque esta foi posteriormente rodeada por outros edifícios (na fachada Sul e Oeste). Esta torre é actualmente a única que serve de habitação particular, pelo que tem de se pedir autorização para ser visitada.
O imóvel tem planta quadrangular com 10 metros de lado e de altura, apresenta dois pisos e um terraço, sendo o térreo maciço. É uma construção de alvenaria cujas paredes têm uma espessura de 1,2 metros, com grossos silhares de pedra nos cunhais. No alçado orientado a nascente, lápide fundacional regista “Era de 1320” (1282), anexa uma segunda lápide com as armas régias. Estas armas régias são das mais antigas do Algarve e tem grande valor arqueológico «quer pela sua raridade, quer muito especialmente por ser o único brasão das armas portuguesas (...) que nos apresenta os escudetes com um número de besantes quase igual ao do sinal de D. Afonso Henriques» (transcrito de Antero Nobre).

Há ainda um fuste romano incrustado.


Torre de Bias I37º2'58.99''N
7º45'37.19''O


Torre de Bias I
É a única torre que no concelho está em vias de classificação patrimonial. Parece ter surgido num momento já tardio. Uma inscrição identificada no local, mas infelizmente desaparecida, (a que se associava uma representação das armas reais) continha a data de 1549 e uma alusão ao rei "JOANNES III", indicação clara quanto à existência de uma campanha de obras nesta altura, responsável pela edificação (ou substancial transformação) da torre. A torre possuía a entrada principal a Norte. Infelizmente, o estado de grande degradação a que chegou, impossibilita a correcta identificação de pisos. Embora existam ainda linhas de cornijamento pelas paredes, a verdade é que é impossível perceber a organização vertical da estrutura, bem como a configuração dos pavimentos e, logicamente, a forma da cobertura. A parte Sul é a melhor conservada, com uma secção de parede que se eleva a mais de 7 metros de altura, mas o interior, por exemplo, encontra-se totalmente entulhado, a uma altura de praticamente 5 metros. Os últimos dois séculos foram particularmente gravosos para esta torre. Sem qualquer plano de intervenção ao longo dos anos, chegou até hoje em estado de quase ruína. Todavia, permanece como um dos mais importantes testemunhos de vigia-defesa da costa. Está também associada à lenda da moura de Bias.


Torre de Bias II
37º2'56.14''N
7º46'13.62''O

Torre de Bias II
Completamente arruinada e bastante escondida entre os arbustos, destaca-se por se encontrar num local alto de grande beleza paisagística, sobranceira ao Canal da Regueira dos Barcos.
Encontra-se a cerca de 1 Km para Ocidente da Torre de Bias I, e a sua construção pode mesmo recuar à época islâmica, uma vez que a prospecção aqui efectuada identificou algum material deste período.





Torre de Quatrim
37º03'01´´N
07º47'55''O

 


Torre de Quatrim
Planta quadrangular simples, com três pisos e um terraço.
Fachada principal a Sul, parte superior destacada por um friso com duas gárgulas, várias seteiras e dois pequenos orifícios. O nível da cobertura é marcado por um friso que envolve todo o edifício. Sobre o mesmo existe um murete que seria ameado. São visíveis quatro goteiras e quatro seteiras.
Fachada Norte em ruína apresentando apenas pequeno muro junto ao solo.
Fachada Este com friso e vestígios do paramento que a constituía.
Fachada Oeste cega com pequeno friso superior.
No interior são visíveis pequenos orifícios correspondentes aos apoios da estrutura dos pavimentos correspondentes a pelo menos três pisos, embasamento saliente.
O imóvel terá, possivelmente, desempenhado funções de habitação de um dos primeiros senhores cristãos encarregues do senhorio e povoamento da zona (segunda metade do século XIII, inícios do século XIV)
1328 é a data provável da construção, por D. Dinis, segundo lápide outrora existente na face Sul, referida por José Almeida (1947).

É uma torre de alvenaria com reboco, distinta das outras pela sua planta quadrada e por isso também merecia obras de conservação, apesar de ser presentemente propriedade particular.


Torre da Amoreira37º 03' 07,00" N
7º 46' 56,42" O



Torre da Amoreira
Torre de vigia, muito perto de Belo Romão, pertencente a um grupo maior que faria toda a vigia da costa a sul. De planta rectílinea, composta por muro único com espessura de 0,60 m. Serve actualmente de muro separador entre uma propriedade e um caminho.




 

Torre de Aires
 



Torre de Aires
Já no Concelho de Tavira, embora ainda perto do Concelho de Olhão, é uma construção redonda, em alvenaria, talvez de origem medieval, de 5 metros de altura por 3 metros de diâmetro. Foi objecto de restauro mas não lhe terão dado a altura que antigamente tinha.
Vemos à esquerda a forma como os vigilantes subiriam para cima (através de um cabo ou escada que depois recolhiam). À direita temos um aspecto do interior da torre com o cabo enlaçado.
Trata-se de um bom exemplo de valorização do património efectuado em 1996 pelo Ministério do Ambiente e o ICN/Parque Natural da Ria Formosa. Em Julho de 2000 foi também alvo de arranjo paisagístico da zona envolvente.

O acesso é fácil porque está sinalizado  por uma placa na EN 125, entre a Fuseta e Tavira, à direita, na Ria Formosa.
Outras torres como a de Alfanxia, Quelfes, e Cumeada, todas elas no actual concelho de Olhão, não as conseguimos ainda identificar.
Bibliografia:

bulletJosé da Marta - Da Torre de Marim a Olhão – Olhão, 2004.
bulletPalestra de José da Marta (Expomar – 2007)
bulletValdemar Coutinho - Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve - Faro, 1997
bullethttp://www.e-patrimonio.com
bullethttp://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=339880
bullet http://www.olhao.web.pt

www.olhao.web.pt

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