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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Que a UE se foda", disse Victoria Nuland. "Inaceitável", reagiu Merkel Washington acusa Moscovo de ter gravado e divulgado a conversa, tal como fez durante anos, segundo os documentos obtidos por Snowden Numa altura em que as revelações de que a Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA) andou a espiar líderes estrangeiros ainda estão frescas, uma funcionária de topo do governo dos Estados Unidos foi apanhada a dizer que queria que a "União Europeia se foda".

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"Que a UE se foda", disse Victoria Nuland. "Inaceitável", reagiu Merkel


Washington acusa Moscovo de ter gravado e divulgado a conversa, tal como fez durante anos, segundo os documentos obtidos por Snowden
Numa altura em que as revelações de que a Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA) andou a espiar líderes estrangeiros ainda estão frescas, uma funcionária de topo do governo dos Estados Unidos foi apanhada a dizer que queria que a "União Europeia se foda".
No vídeo colocado em anonimato no YouTube e visto já por quase 500 mil pessoas, ouve-se uma conversa privada entre Victoria Nuland, assistente do Departamento de Estado norte-americano, e Geoffrey Pyatt, embaixador na Ucrânia, durante a qual ambos discutem um plano para mediar um acordo entre o governo do país, liderado por Viktor Yanukovich, e a oposição, encabeçada parcialmente pelo antigo pugilista Vitali Klitschko.
A chanceler alemã, Angela Merkel, reagiu ontem à gravação e criticou duramente as declarações de Nuland. Segundo a sua porta-voz, Christiane Wirtz, a líder aprecia o trabalho de Catherine Ashton, responsável pela Política Externa europeia, que tentou mediar o conflito entre o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, e os manifestantes que invadiram as ruas. "A chanceler considera estes comentários totalmente inaceitáveis e quer deixar claro que a sra. Ashton está a fazer um trabalho fora de série", afirmou Wirtz.
Em Kiev, depois de um encontro com Yanukovych, Nuland, que já pediu desculpas pela deixa, recusou-se ontem a falar sobre a questão. "Não vou fazer comentários sobre uma conversa diplomática privada", afirmou, sugerindo que tinha sido vítima de uma operação de espionagem sofisticada levada a cabo por agências dos serviços secretos russos.
Antes da reunião e segundo o "Guardian", Washington apontou o dedo ao Kremlin, após ter reparado num tweet de Dmitry Loskutov, assessor do vice-primeiro-ministro russo, Dmitry Rogozin, que afirmava: "Um julgamento controverso da assistente do Departamento de Estado Victoria Nuland a falar da UE." No entanto, Loskutov negou ontem à Associated Press que ele ou o governo russo tenham sido responsáveis pela divulgação da gravação e explicou que a tinha encontrado numa rede social.
Por seu turno, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que não ia discutir o conteúdo de conversa, embora tenha também feito referência ao tweet de Loskutov. "Uma vez que foi o governo russo quem reparou naquele vídeo pela primeira vez e o tweettou, diria que isso diz qualquer coisa sobre o seu papel", afirmou. Porém, culparem Moscovo por divulgarem conversas que foram provavelmente obtidas através dos serviços secretos não jogará muito a favor dos EUA, que, segundo os documentos divulgados por Edward Snowden, andaram durante anos a espiar aliados e inimigos.
Regressando à gravação, Nuland começa por dizer a Pyatt que discutiu o plano com o subsecretário das Nações Unidas (ONU) para os Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, um antigo funcionário do governo dos EUA, e que o mesmo iria nomear um representante da ONU para que a iniciativa avançasse. Segundo a assistente do Departamento de Estado, o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, também seria incluído na questão na altura certa. "Isto seria óptimo para fazer com que esta coisa pegue e temos a ONU para nos ajudar", disse a funcionária. "E, sabe que mais, que a UE se foda".
Carregado por um utilizador com o nome "Maidan Puppets", numa referência à Praça Maidan, em Kiev, onde manifestantes se revoltaram contra o governo e contra a acusação russa de que os mesmos não passavam de fantoches de Washington e do Ocidente, o vídeo foi inicialmente divulgado pelo pelo "Kyiv Post".
"Penso que estamos no jogo", diz a dada altura Pyatt a Nuland, comentando o plano de juntar a oposição e governo, algo que, segundo a imprensa norte-americana, estava então a ser forjado pelo governo dos EUA nos bastidores. Embora não se saiba a data em que a conversa foi gravada, o conteúdo sugere que a mesma tenha ocorrido no fim de Janeiro, quando um acordo de partilha de poderes estava a ser apresentado - algo que foi rejeitado pelos líderes da oposição. Enquanto Pyatt se mostra preocupado com os "problemas no casamento" dentro da oposição ucraniana, Nuland alerta-o para a ideia de nomear Klitschko para o cargo de vice-primeiro-ministro e afirma que o antigo pugilista devia ficar à margem de qualquer governo no país.
"Penso que o Klitschko não devia ir para o governo. Não é necessário. Penso que não será boa ideia", diz a assistente do Departamento de Estado. Na sua opinião, o problema é que, se o líder da oposição, Arseniy Yatsenyuk, ficar à frente do executivo, Klitschko não se vai dar bem com ele. "Simplesmente não vai funcionar."
"Exactamente, temos de fazer qualquer coisa para que isto funcione, porque se eles começarem a ganhar dimensão, os russos vão tentar fazer alguma coisa nos bastidores para tentar torpedear isto", respondeu Pyatt. Segundo especialistas, se a intenção de Moscovo era de facto esta, gravar e divulgar esta conversa seria uma boa forma de o fazer.
Já para Toby Gati, antiga directora sénior da Casa Branca para questões russas, Nuland apenas reconheceu que a UE se estava a tornar um obstáculo para se chegar a um acordo com a Ucrânia. Na sua opinião, a assistente do Departamento de Estado "exprimiu de forma abreviada a sua frustração com a incapacidade" de Bruxelas em resolver a situação. "O que ela estava a dizer é: 'Temos uma crise aqui, temos de actuar, não podemos ir pela forma como União Europeia lida com as seus problemas'."
"Isto deveria servir de alerta para a forma como lidamos com as questões e talvez exija alguns equipamentos de comunicação novos", disse Gati. Porém, na sua opinião, as notícias nem são más de todo, porque a gravação mostra que Washington está a trabalhar activamente para pôr fim à crise. "Finalmente os EUA estão a usar a sua posição e a envolver-se. Estão realmente a tentar fazer política, essa é a parte boa."

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