Philippe Dallier, presidente da Câmara da localidade e senador, disse esta manhã ao Expresso que "essa é a hipótese mais provável" e informa já estar em curso uma investigação judicial sobre as condições dos seus alojamento e trabalho. "Poderiam mesmo estar a trabalhar em França em situação ilegal, o inquérito vai esclarecer isso", acrescenta o maire.
No acidente morreu um emigrante de origem moldava que foi identificado através de uma carta de condução portuguesa e que teria nascido em Portugal em 1989. Ficaram feridos, igualmente devido à intoxicação com monóxido de carbono, ainda três operários portugueses e mais três originários de países do leste europeu.
Todos viviam em condições miseráveis numa dependência de uma casa que lhes fora alugada por um patrão da construção civil radicado em França. Parte da casa estava em obras e a vitima mortal dormia na cave, sem as mínimas condições de segurança e de higiene, ao lado da caldeira de aquecimento defeituosa.
"Não sabemos em que condições ele alugava os alojamentos aos trabalhadores, se existia algum contrato, mas tudo aponta para uma situação de completa ilegalidade, porque os vizinhos dizem que havia sempre muita gente a chegar e a sair dessa casa e que por vezes aí habitavam pelo menos dez pessoas", acrescentou Philippe Dallier.
Segundo informações fornecidas ao Expresso por fonte oficial, os feridos foram hospitalizados, alguns tiveram já alta esta manhã e nenhum estará em risco de vida.
Os casos de exploração, em França, de novos emigrantes e de trabalhadores europeus "destacados" têm sido denunciados nos últimos meses com muita frequência. Muitos dos portugueses nestas situações são vítimas de compatriotas patrões de empresas, que os exploram por vezes em condições de ilegalidade flagrante e de "autêntica escravatura", segundo alguns sindicalistas franceses.
Muitas vezes, os patrões nem sequer os declaram oficialmente como empregados, não efetuando os descontos legais e obrigatórios para a segurança social. Nem a Câmara nem as autoridades portuguesas sabem se os operários envolvidos neste drama tinham cartão da segurança social.

2 comentários:
Lá diz o velho rifão popular:-Não sirvas a quem serviu,nem peças a quem pediu.E um outro velho rifão popular diz:-Se queres conhecer o vilão,põe-lhe uma vara na mão.
sabedoria popular José ! um grande abraço até aí !
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