Na sentença decretada no último dia 20, o mesmo Tribunal ordena que o estádio seja devolvido ao USCP. Esta decisão vai contra a que tinha sido proferida pelos juízes do Tribunal de Paredes e ainda pode ser alvo de recurso.
Terreno não poderia ter sido penhorado
"Determina-se a restituição do prédio ao réu União Sport Clube de Paredes e o cancelamento dos registos inerentes à mencionada penhora e alienações posteriores abrangidas por esta declaração de nulidade", lê-se no final acórdão do Tribunal da Relação do Porto.
Nesse documento, os três juízes que analisaram o recurso feito pelos herdeiros da mulher que, em 1926, doou o terreno ao clube paredense, consideram que Maria Augusta Ferreira Menezes "doou os terrenos para estes fins [desportivos e recreativos] e não para quaisquer outros fins" e que quis "que o bem doado passasse para o seu património caso o clube réu se extinguisse enquanto fosse viva ou, não podendo passar para si, por nessa altura ter já falecido, para os seus herdeiros".
Deste modo, concluem os magistrados, o terreno do Estádio das Laranjeiras "não podia ter sido penhorado nem alienado numa execução do Tribunal do Trabalho de Barcelos" e que esteve na origem de sucessivas vendas daquele espaço. "Deve-se concluir que a penhora e a alienação do bem doado no processo executivo do Tribunal do Trabalho de Barcelos constituíram actos jurídicos proibidos por aquelas disposições legais, pelo que os actos de penhora e alienação em sede executiva enfermam de nulidade", acrescentam os juízes.
Sendo a penhora nula, defende o Tribunal da Relação do Porto, também todas as vendas que se realizaram em seguida foram nulas, o que faz com o terreno volte a ser propriedade do União Sport Clube de Paredes. "O réu clube ainda não se extinguiu, nem foi extinto, pelo que o bem [terreno do estádio] apenas pode regressar ao património deste clube", referem os juízes.
Câmara vendeu espaço para a construção de um centro comercial
Esta decisão é o último episódio de um processo que começou em 1926. Nesse ano, Maria Augusta Ferreira Menezes doou o terreno onde estava construído o Estádio das Laranjeiras ao USCP, definindo no contrato que o espaço só podia ser utilizado para fins desportivos e recreativos. Tudo correu sem sobressaltos até 1997, altura em que um ex-jogador do União de Penhoras penhorou o estádio para receber dinheiro em dívida.
As "Laranjeiras" acabaram por ser vendidas em hasta pública à Fundação Nortecoope por cerca de 75 mil euros. Já em 1999, a Câmara Municipal de Paredes, então presidida por Granja da Fonseca, decidiu comprar o estádio e chegou à acordo com a Nortecoope.
Apesar destes negócios, o União de Paredes jogou e treinou no Estádio das Laranjeiras até 2008, ano que a autarquia, já liderada por Celso Ferreira, decidiu vender os terrenos da zona desportiva. A Guedol ofereceu, então, 8,5 milhões de euros para construir um centro comercial.
No entanto, quando tiveram conhecimento deste negócio, os herdeiros da mulher que doou o terreno em 1926 avançaram com um processo judicial para anular a venda. Uma pretensão que o Tribunal de Paredes lhes negou, mas que o Tribunal da Relação do Porto acabou de considerar legítima.
Ao mesmo tempo que iam decorrendo estes processos judiciais, a Guedol faliu sem nunca construir o ambicionado centro comercial. O Estádio das Laranjeiras, que se encontra abandonado, também foi hipotecado ao BCP, que emprestou oito milhões de euros à empresa de construção com sede em Lisboa.
(em O VERDADEIRO OLHAR)
cris-sheandbobbymcgee.blogspot.pt
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