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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Conto da D. Fartura e do padre Tadeu “Brincadeira poética – crítica a uma visão providencialista da vida que de novo está de volta” Mini auto... vicentino

Conto da D. Fartura e do padre Tadeu
“Brincadeira poética – crítica a uma visão providencialista da vida que de novo está de volta”
Mini auto... vicentino

Andava a D. Fartura
a tentar ganhar o céu…
vai daí, foi à procura
do Senhor Padre Tadeu.
D. Fartura: Ouça cá, ò Senhor Cura…
Eu quero fazer o bem.
PadreTadeu: Fazer o bem assegura
um bom lugar no Além…
D. Fartura: Então devo começar
já no domingo que vem
a distribuir esmola aos pobres…
Padre Tadeu: E, eu, irei anunciar,
sem que me falte ninguém,
exceto ricos ou nobres
que, aqui, não podem contar,
venha pronta p’ra rezar
e traga a bolsa dos cobres.
E não terá que gastar
muita da sua riqueza…
que, mesmo sem se alargar,
os pobres não vão faltar
que o que não falta é pobreza…
Por isso, com uns tostões
por cabeça, o povo inteiro
vem creditar orações…
Não gasta muito dinheiro…
que, eu, ofereço-lhe os sermões.
D. Fartura: Eu quero, enquanto cá ande,
a vida eterna ganhar
com bom lugar no Além…
Cá, em baixo, vivo à grande,
e, não quero abdicar,
faço tudo o que me mande…
e quero fazer o bem,
para isso não olho a quem.
PadreTadeu: Vamos cá a ver então
qual a melhor decisão
que garanta, a cem por cento
uma boa solução?...

D. Fartura: Ponha o povo em oração
que eu garanto o orçamento
e não quero ser injusta,
ganhar o céu à sua custa
e com pouco investimento…
tem o meu consentimento.
PadreTadeu: Eu faço seja o que for
p’ra tratar dos seus assuntos.
Entregue-se ao criador,
não vá desta para melhor
sem me arranjar dois presuntos,
que, eu, garanto-lhe, à prior,
um lugar acolhedor
junto aos sagrados defuntos.

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