À margem dos telejornais
Nesta declaração, que não vemos nos telejornais, representantes do Partido Comunista Francês, da Izquierda Unida e do Partido Comunista de Espanha, do Die Linke alemão, da Syriza (Grécia) e do Bloco de Esquerda (Portugal) defendem que “só uma refundação da União permitirá sair da crise”, apelam à mobilização contra a ratificação do Tratado Orçamental e apresentam as alternativas que, porque assistimos a um boicote concertado à sua divulgação por parte dos meios de comunicação social europeus, alegadamente não existem. Como podemos constatar abaixo, existem mesmo.
«Os Chefes de Estado e de governo regressaram da cimeira europeia declarando que tinham arrancado vitórias para os seus povos e inflexões por parte de Merkel, Draghi e Juncker. Pela 19ª vez desde o início da crise, teriam "salvo a Europa". Hollande declarou mesmo que a Europa está "reorientada" no bom sentido. Tudo isso é publicidade enganosa.
O projecto de Tratado Orçamental sai intacto da cimeira e o que devia ser uma "renegociação" com as propostas para o crescimento, de Hollande, não tem qualquer valor jurídico. Sejam directas ou indirectas, financiadas pelo fundo europeu ou não, todas as ditas "ajudas financeiras" serão mais uma vez pagas pelos cidadãos europeus através de cortes orçamentais e ataques aos direitos dos trabalhadores. As disposições adoptadas em nome da solidariedade com a Itália e a Espanha são somente medidas de socialização massiva dos prejuízos Que acrescem à perda de soberania e ao recuo da democracia parlamentar.
A verdade é a seguinte: as negociações da União liberal fazem-se a 27 mas são sempre os bancos que ganham. Apelamos às mulheres e homens de esquerda, aos eleitos, para que se mobilizem nos nossos países para impedirem a ratificação deste pacto funesto.
Só uma refundação da União permitirá sair da crise. Repeti-lo-emos tanto quanto necessário: a austeridade leva à recessão. Não haverá crescimento neste quadro. Propomos, por isso, uma alternativa:
- uma solução europeia para as insustentáveis dívidas públicas, que preveja uma redução importante do seu volume;
- mudar o papel e as missões do BCE, para encorajar a criação de emprego e a formação, e não os especuladores;
- criar um banco público europeu, financiado pelo BCE e pela taxa sobre as transacções financeiras, cujos fundos sirvam exclusivamente para favorecer o investimento público nos serviços públicos e o desenvolvimento industrial duradouro;
- harmonizar por cima os direitos dos trabalhadores e os direitos sociais.»
Assinam: Pierre Laurent, Secretário Nacional do PCF, Presidente do Partido da Esquerda Europeia (França), Alexis Tsipras, Presidente do Syriza (Grécia), Francisco Louçã, Comissão Política do Bloco de Esquerda (Portugal), Cayo Lara, Porta-voz da Izquierda Unida (Espanha), Jose-Luis Centella, Secretário Geral do PCE (Espanha), Katja Kipping e Bernd Riexinger, Copresidentes do Die-Linke (Alemanha). Fonte: esquerda.net.
O país do burro
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