Calcio Fiorentino
O Calcio fiorentino é uma forma primitiva de futebol surgido na Itália durante o século XVI. Florença, a capital da Toscânia, é o berço do jogo, que ficou conhecido na Itália como «gioco del calcio fiorentino», que em português significa «jogo do pontapé florentino», e calcio, a palavra italiana para pontapé, tornar-se-ia séculos mais tarde na palavra italiana que significa futebol.
O jogo florentino tem como palco privilegiado a Piazza de Santa Croce, que pela sua dimensão quadrangular e tamanho ganhou o estatuto de "casa" do calcio fiorentino. Encimada pela histórica Basílica de Santa Croce (ao centro na fotografia), onde se podem encontrar os restos mortais de alguns dos mais celebrados homens de Itália como Galileo Galilei, Maquiavel, Michelangelo ou Rossini.
No século XVI a Itália estava dividida em pequenos micro-estados. No coração da Toscânia, Florença era a capital de uma pequena república independente. Lutando para sobreviver no jogo geopolítico da época, uma vez ao lado do Papa, outras do Imperador, durante séculos Florença foi um peão nas mãos de um dos lados do conflito, contudo com a ascensão da família Medici ao poder, em meados do século XV, Florença tornou-se rapidamente num polo de arte e cultura; Petrarca, Dante Alighieri e Maquiavel na literatura; Leonardo da Vinci, Sandro Botticelli e Michelangelo nas belas artes, fizeram da cidade da Flor-de-Lis o centro da renascença italiana, um movimento mais conhecido como o Renascimento.
Foi num mundo de grandes criações artísticas e conflitos permanentes, numa sociedade que entrava na Idade Moderna, deixando lentamente para trás o velho obscurantismo da Idade Média, que nasceria o jogo que ainda hoje em dia encanta praticantes e adeptos, não só em Florença, mas um pouco por toda a Itália. Filho do seu tempo, era um jogo que exigia dos seus praticantes a coragem e a capacidade de verter sangue em prol da equipa. Alguns perderam mesmo a vida em campo, ou em consequência das maleitas sofridas em campo.
Os donos das equipas, geralmente patrocinadas por grandes famílias, não olhavam a meios para vencer os jogos, recorrendo naturalmente a mercenários estrangeiros e até a criminosos e assassinos, para levar de vencida o adversário. Quanto mais feroz a equipa, mais provável a possibilidade de vitória.
Primeiras regras
O desporto foi jogado com regularidade até ao século XVIII, altura que caiu em desuso, deixando de ser disputado até ao século XX.
Não se sabe quando o homem terá pontapeado pela primeira vez uma pedra, um fruto ou um bocado de madeira que encontrou no caminho. Basta olhar à nossa volta entre os animais que nos são próximos, para perceber que o gesto de manusear, chutar ou empurrar um objecto arredondado é uma brincadeira muito popular no mundo animal, em particular entre as crias.
Desde o paleolítico que muito provavelmente os nossos antepassados já chutavam objectos que encontravam pelo caminho e talvez se divertissem em descampados tentando chutar um fruto, um cránio ou outro objecto que encontrassem. O primeiro homem nasceu em África e ao longo de milhares de anos, geração após geração foi-se espalhando pelos restantes continentes. Quantas pedras terá o homem chutado ao longo das suas incontáveis migrações?
Mas seria só no neolítico que as primeiras bolas terão sido fabricas e utilizadas em brincadeiras. As primeiras civilizações nasceram expontaneamente por volta de 7000 anos antes da era coum (a.e.c.) em locais tão distintos como as margens do Nilo, a Mesopetâmia, o Peru, o vale do Indus e o vale do Yang Tze na China. Há aproximadamente 2500 anos surgiu na China o primeiro jogo de futebol de que há registo, o Cuju.
Chutar uma bola
O nome provém da junção de duas palavras: «cu» (chutar) e «ju» (tipo de bola de couro cheia de penas) e começou a tornar-se popular num período da história chinesa entre 476 e 221 a.e.c., que ficou conhecido como o Período dos Reinos Combatentes, época conturbada em que os diversos reinos localizados na China se digladiaram até à unificação sob a espada de Qin Shi Huang em 221 a.C..
A primeira menção histórica ao cuju pode ser encontrada no Zhan Guo Ce, literalmente «Estratégias dos Reinos Combatentes», um conjunto de textos compilados na época. O Cuju é referenciado como uma prática de treino no estado de Qi. Há também referências ao jogo no famoso «Registo do Historiador» de Sima Qian, escrito durante a Dinastia Han, período em que a popularidade do jogo, até então circunscrito ao exército, alastrou-se à corte e à nobreza.
Seria durante o reinado do Imperador Wu Di (141 a.e.c. - 87 a.e.c.), um suposto apaixonado do desporto, que se estabeleceram as regras do cuju. A popularidade do jogo cresceu com o interesse imperial e foi se espalhando pela alta sociedade.
Devemos ao poeta Li Yu um registo apaixonado - e poético - dos jogos de Cuju do primeiro século da nossa era: «Redonda é a bola, quadrado é o campo / Igual à imagem da terra e do Céu (1) / A bola passa sobre nós como a Lua / Quando duas equipas se encontram. / Foram nomeados os capitães, que dirigem o jogo / Segundo o imortal regulamento. / Nenhuma vantagem para os parentes / Não há lugar para o partidarismo; em troca / Reina a decisão e o sangue-frio / Sem erro nem omissão, / E se tudo é necessário para o Cuju / Quanto mais o será para a vida!» (2)
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(1) Tal e qual outras cosmogonias como as do Médio Oriente ou Europa, os chineses achavam que o céu era uma esfera redonda e a terra plana e quadrada.
(2) Poema na sua versão modernizada pode ser encontrado na «História do Futebol» de Manuel de Sousa, SporPress, 1997.
O jogo florentino tem como palco privilegiado a Piazza de Santa Croce, que pela sua dimensão quadrangular e tamanho ganhou o estatuto de "casa" do calcio fiorentino. Encimada pela histórica Basílica de Santa Croce (ao centro na fotografia), onde se podem encontrar os restos mortais de alguns dos mais celebrados homens de Itália como Galileo Galilei, Maquiavel, Michelangelo ou Rossini.
No século XVI a Itália estava dividida em pequenos micro-estados. No coração da Toscânia, Florença era a capital de uma pequena república independente. Lutando para sobreviver no jogo geopolítico da época, uma vez ao lado do Papa, outras do Imperador, durante séculos Florença foi um peão nas mãos de um dos lados do conflito, contudo com a ascensão da família Medici ao poder, em meados do século XV, Florença tornou-se rapidamente num polo de arte e cultura; Petrarca, Dante Alighieri e Maquiavel na literatura; Leonardo da Vinci, Sandro Botticelli e Michelangelo nas belas artes, fizeram da cidade da Flor-de-Lis o centro da renascença italiana, um movimento mais conhecido como o Renascimento.
Foi num mundo de grandes criações artísticas e conflitos permanentes, numa sociedade que entrava na Idade Moderna, deixando lentamente para trás o velho obscurantismo da Idade Média, que nasceria o jogo que ainda hoje em dia encanta praticantes e adeptos, não só em Florença, mas um pouco por toda a Itália. Filho do seu tempo, era um jogo que exigia dos seus praticantes a coragem e a capacidade de verter sangue em prol da equipa. Alguns perderam mesmo a vida em campo, ou em consequência das maleitas sofridas em campo.

Ilustração representando a Piazza Santa Croce, durante uma partida de Calcio Fiorentino em 1688.
Primeiras regras
O primeiro conjunto de regras que se conhecem da modalidade e foi publicado pela primeira vez por Giovanni de Bardi, um nobre florentino, amante e praticante do jogo. No seu conjunto de regras podia ler-se que o jogo era disputado por equipas de 27 jogadores, que podiam utilizar tanto as mãos como os pés. Os «cacce», ou golos, eram apontados fazendo a bola entrar numa determinada área no fim de cada parte do campo.
O terreno do jogo é um campo quadrangular, coberto de areia, com duas «balizas» a toda a largura das linhas de fundo. O vencedor é aquele que tiver efetuado mais «cacce» durante a partida. O jogo dura 50 minutos, e é de uma dureza que chega a roçar a brutalidade, apesar da existência de um árbitro, seis árbitros de linha e um mestre de campo.
Era jogado ao fim do dia, algumas vezes até mesmo de noite, com as praças iluminadas por archotes. Os jogos disputavam-se normalmente por alturas da Quaresma, ou na festa da Epifania do Senhor.
Jogo histórico
Começou por ser jogado por nobres e filhos das melhores famílias da cidade, a fina flor da República de Florença participava nos jogos, e entre os amantes do jogo, contam-se várias gerações da ilustre família Medici, que governou a cidade do Arno durante séculos. Futuros papas como Clemente VII, Leão XI ou Urbano VIII, foram jogadores dedicados, tal como Lorenzo de Medici, «o Magnífico», famoso «Príncipe» da obra de Nicolau Maquiavel.
Nenhuma partida ficou tão famosa, como aquela disputada a 17 de fevereiro de 1530. Nesse dia, vendo a sua cidade cercada pelo exército imperial de Carlos V, os florentinos resolveram organizar uma partida na Piazza Santa Croce, demonstrando que não temiam a superioridade da força que os cercava, dando-se ao desdém de organizar um jogo, mesmo num cenário extremo.
Apesar do campo de jogo ser visível do acampamento adversário, os florentinos começaram a montar o campo, colocando balizas, bandeiras, e para não haver dúvidas de que seriam vistos pelo inimigo, colocaram músicos a tocar em cima da Igreja. Um tiro de canhão soou, e uma bala caiu sobre o telhado da Igreja, sem ninguém ficar ferido. As trompetas soaram bem alto e o jogou continuou.
Apesar do campo de jogo ser visível do acampamento adversário, os florentinos começaram a montar o campo, colocando balizas, bandeiras, e para não haver dúvidas de que seriam vistos pelo inimigo, colocaram músicos a tocar em cima da Igreja. Um tiro de canhão soou, e uma bala caiu sobre o telhado da Igreja, sem ninguém ficar ferido. As trompetas soaram bem alto e o jogou continuou.
Não há contudo memória de quem ganhou, ou de que equipas jogaram. Para a história ficou a coragem dos florentinos, que no verão seguinte acabariam por ceder à fome e à peste, abrindo as portas da cidade ao exército sitiante.
Os nossos dias

Desde 1930 que o jogo voltou a ser disputado regularmente. A final é disputada sempre a 24 de junho, dia de São João, padroeiro da cidade.
Em 1902, um grupo encenou uma partida, disputada na Piazza de Santa Maria Novellaa 23 de maio, que foi o primeiro encontro a ser filmado, para ser exibido em cinema, uma tecnologia que começava a dar os primeiros passos na Itália, e no resto do mundo...
Já nos anos 30, durante o período fascista, o regime tentava recuperar velhas tradições romanas e italianas. O calcio fiorentino foi uma dessas tradições recuperadas pelo regime de Benito Mussolini, e o jogo passou a disputar-se anualmente, na Piazza de Santa Croce.
Atualmente disputam-se três partidas anuais, num torneio com duas meias-finais e uma final disputada a 24 de junho, dia de São João, o santo padroeiro de Florença. A versão moderna do jogo não deixa nada a dever à violência de outros tempos. São permitidos os socos, cotoveladas e apertões ao pescoço do adversário, mas estão terminantemente proibidos os pontapés na cabeça e partes-baixas, assim como agressões pelas costas.
Cuju, o pontapé de saída
Imagine o cenário: uma arena rectangular, com piso de areia, rodeada de arcadas com bandeiras de seda a decorar, onde se encontravam as pessoas, umas sentadas, outras de pé.
No centro do terreno duas equipas de dez jogadores, cada uma equipa com a sua cor, um uniforme igual para todos os jogadores. Na frente de cada equipa um décimo primeiro jogador, o líder da equipa. Atrás mais bandeiras, grupos de música e percursionistas, tudo acompanhado pelo rufar dos tambores. Um oficial carregava uma bola de couro e todos se prostravam perante o Imperador.
Esta era uma imagem recorrente na China Imperial durante séculos. Podia variar o número e até o género dos jogadores, pois tanto homens como mulheres participavam. Podia mudar o numero de metas ou balizas, a audiência podia ser grande ou pequena, o Imperador podia estar presente ou não, mas a emoção de um jogo de Cuju seria sempre intensa.
Das pedras à bola
Das pedras à bola
Não se sabe quando o homem terá pontapeado pela primeira vez uma pedra, um fruto ou um bocado de madeira que encontrou no caminho. Basta olhar à nossa volta entre os animais que nos são próximos, para perceber que o gesto de manusear, chutar ou empurrar um objecto arredondado é uma brincadeira muito popular no mundo animal, em particular entre as crias.

Jovens jogadoras chinesas da Dinastia Ming (ilustração de Du Jin) ©Domínio Público
Mas seria só no neolítico que as primeiras bolas terão sido fabricas e utilizadas em brincadeiras. As primeiras civilizações nasceram expontaneamente por volta de 7000 anos antes da era coum (a.e.c.) em locais tão distintos como as margens do Nilo, a Mesopetâmia, o Peru, o vale do Indus e o vale do Yang Tze na China. Há aproximadamente 2500 anos surgiu na China o primeiro jogo de futebol de que há registo, o Cuju.
Chutar uma bola
O nome provém da junção de duas palavras: «cu» (chutar) e «ju» (tipo de bola de couro cheia de penas) e começou a tornar-se popular num período da história chinesa entre 476 e 221 a.e.c., que ficou conhecido como o Período dos Reinos Combatentes, época conturbada em que os diversos reinos localizados na China se digladiaram até à unificação sob a espada de Qin Shi Huang em 221 a.C..
A primeira menção histórica ao cuju pode ser encontrada no Zhan Guo Ce, literalmente «Estratégias dos Reinos Combatentes», um conjunto de textos compilados na época. O Cuju é referenciado como uma prática de treino no estado de Qi. Há também referências ao jogo no famoso «Registo do Historiador» de Sima Qian, escrito durante a Dinastia Han, período em que a popularidade do jogo, até então circunscrito ao exército, alastrou-se à corte e à nobreza.
Seria durante o reinado do Imperador Wu Di (141 a.e.c. - 87 a.e.c.), um suposto apaixonado do desporto, que se estabeleceram as regras do cuju. A popularidade do jogo cresceu com o interesse imperial e foi se espalhando pela alta sociedade.

Imperador da Dinastia Ming assiste a um jogo entre eunucos ©Domínio Público
O jogo disputava-se numa quadra conhecida como Ju Chang e em cada lado do campo havia seis balizas - ou metas - em forma de crescente.
Durante a dinastia Tang (618-907) o desporto cada vez mais popular sofreu diversas atualizações. Primeiro a bola, até então cheia de penas, passou, à imagem das bolas atuais, a ser enchida de ar. Entretanto dois tipos de baliza surgiram no jogo. Uma colocada a meio do campo, e noutra versão, as duas balizas, cada uma na sua ponta, tinham rede entre os dois postes.
Os campos de cuju espalharam-se pelo país e todas as grandes famílias tinham o seu campo de cuju no jardim ou nas traseiras das suas mansões. O jogo era disputado com igual paixão por homens e mulheres.
Apogeu e declínio
O cuju era disputado em duas variantes. Uma onde os jogadores eram um misto de acrobatas e ginastas, atuando perante grandes audiências e em particular a corte e outro, jogado por civis que disputavam campeonatos locais, com a maioria dos jogadores a serem profissionais.
Durante a dinastia Tang (618-907) o desporto cada vez mais popular sofreu diversas atualizações. Primeiro a bola, até então cheia de penas, passou, à imagem das bolas atuais, a ser enchida de ar. Entretanto dois tipos de baliza surgiram no jogo. Uma colocada a meio do campo, e noutra versão, as duas balizas, cada uma na sua ponta, tinham rede entre os dois postes.
Os campos de cuju espalharam-se pelo país e todas as grandes famílias tinham o seu campo de cuju no jardim ou nas traseiras das suas mansões. O jogo era disputado com igual paixão por homens e mulheres.
Apogeu e declínio
Durante a dinastia Song (960-1279) o jogo continuou a ser uma das mais importantes distrações do país. A sua popularidade ia desde o Imperador aos mais pobres, que já há algum tempo tinham descoberto o encanto do jogo do pontapé na bola.

Cem crianças na Primavera de Long, quadro do artista chinês Su Hanchen (1130-1160 e.c.) Dinastia Song ©Domínio Público
Equipas como o Qi Yun She ou o Yuan She contam-se como os primeiros clubes desportivos profissionais do Mundo. Os membros destas equipas - e outras -eram atletas profissionais e eram pagos por jovens que para se tornarem jogadores profissionais eram obrigados a recorrer a um professor.
Este sistema de professores e aprendizes tornou possível a profissionalização de centenas de jogadores.
Seria já durante a dinastia Ming (1368-1644) que o jogo começou a perder popularidade, acabando por desaparecer. Para o futuro ficaram os desenhos, as porcelanas ilustradas, os textos e poemas que nos permitem recordar o jogo e as suas regras.
Regras e formas de jogar
Zhu Qiu e Bai Da eram as duas formas de jogar cuju. O primeiro era disputado em dias festivos, com o o aniversário do Imperador. Os jogos de exibição eram sempre acompanhados com grande interesse na corte pelos mais altos dignitários do país. Normalmente o jogo era disputado por equipas de 12 a 16 jogadores de cada lado, com o objetivo de marcas "golos" nas balizas adversárias.
Já o Bai Da era um desporto de técnica e de demonstração. Os jogadores recreavam-se com a bola, pasmando os espetadores com a sua técnica e acrobacias. Os golos deixaram de fazer sentido, sendo o objetivo da bola passar a bola entre colegas e amealhar pontos cumprindo determinados tipo de passes e atingindo determinadas alturas e distâncias com o pontapé na bola. Perder o controlo da mesma ou mandar a bola para fora do campo custava uma penalização. O jogo era disputado por equipas de 2 a 10 jogadores.
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(1) Tal e qual outras cosmogonias como as do Médio Oriente ou Europa, os chineses achavam que o céu era uma esfera redonda e a terra plana e quadrada.
(2) Poema na sua versão modernizada pode ser encontrado na «História do Futebol» de Manuel de Sousa, SporPress, 1997.
Football has found its way to the most remote corners of the globe, becoming one of the hottest topics of the day. About 2,500 years ago in China there was a similar game called "Cuju", which, according to the International Football Association, was the origin of football as a sport.
Development of Cuju
"Cu" ("to kick") and "ju" (a type of leather ball filled with feathers) became popular during the Warring States Period (476-221BC). Back then, cuju was used to train military cavaliers due to the fierce nature of the sport.
During the Han Dynasty (206BC-AD220), the popularity of cuju gradually spread from the army to the royal courts and upper classes. It is said that the Han emperor Wu Di enjoyed the sport. At the same time, cuju games were standardized as rules were established. Football matches were often held inside the imperial palace. A type of court called "ju" cheng was built especially for cuju matches, with six crescent-shaped goal posts at each end.
Unearthed bowl with images of cuju playing
The sport was improved during the Tang Dynasty (618-907). First of all, the feather-stuffed ball was replaced by an air-filled ball with a two-layered hull. Also, two different types of goal posts emerged: One was made by setting up posts with a net between them and the other consisted of just one goal post in the middle of the field. The level of female cuju teams also improved. Records indicate that once a 17-year-old girl beat a team of army soldiers.
Cuju flourished during the Song Dynasty (960-1279) due to social and economic development, extending its popularity to every class in society -- from the emperor to ordinary civilians. At that time, professional cuju players were quite popular, and the sport began to take on a commercial edge. Professional cuju players fell into two groups: One was trained by and performed for the royal court (unearthed copper mirrors and brush pots from the Song often depict professional performances) and the other consisted of civilians who made a living as cuju players.
In the Song Dynasty cuju organizations were set up in large cities called Qi Yun She or Yuan She -- now known as the earliest professional cuju club -- whose members were either cuju lovers or professional performers. Non-professional players had to formally appoint a professional as his or her teacher and pay a fee before becoming a member. This process ensured an income for the professionals.
Unlike cuju of the Tang Dynasty, only one goal post was set up in the middle of the field during the Song.
Ways to Play Cuju
There are mainly two ways to play cuju: "Zhu Qiu" and "Bai Da"
Zhu Qiu was commonly performed at court feasts celebrating the emperor's birthday or during diplomatic events. This competitive match between two teams consisted of 12-16 players on each side.
Bai Da was the dominant cuju style of the Song Dynasty, attaching much importance to developing personal skills. The goal became obsolete in this method and the playing field was enclosed with thread, with players taking turns to kick the ball within. The number of fouls made by the players decided the winner. For example, if the ball was not passed far enough to reach the other players, points were deducted. If the ball was kicked too far out, a big deduction was made. Kicking the ball too low or turning at the wrong moment all led to fewer points. Players could touch the ball with any part of the body except their hands and the number of players ranged anywhere from two to 10. In the end, the player with the highest score would win.
Cuju began its decline during the Ming Dynasty (1368-1644) due to neglect, and the 2,000-year-old sport finally faded away.
Football has found its way to the most remote corners of the globe, becoming one of the hottest topics of the day. About 2,500 years ago in China there was a similar game called "Cuju", which, according to the International Football Association, was the origin of football as a sport.
Development of Cuju
"Cu" ("to kick") and "ju" (a type of leather ball filled with feathers) became popular during the Warring States Period (476-221BC). Back then, cuju was used to train military cavaliers due to the fierce nature of the sport.
During the Han Dynasty (206BC-AD220), the popularity of cuju gradually spread from the army to the royal courts and upper classes. It is said that the Han emperor Wu Di enjoyed the sport. At the same time, cuju games were standardized as rules were established. Football matches were often held inside the imperial palace. A type of court called "ju" cheng was built especially for cuju matches, with six crescent-shaped goal posts at each end.
Unearthed bowl with images of cuju playing
The sport was improved during the Tang Dynasty (618-907). First of all, the feather-stuffed ball was replaced by an air-filled ball with a two-layered hull. Also, two different types of goal posts emerged: One was made by setting up posts with a net between them and the other consisted of just one goal post in the middle of the field. The level of female cuju teams also improved. Records indicate that once a 17-year-old girl beat a team of army soldiers.
Cuju flourished during the Song Dynasty (960-1279) due to social and economic development, extending its popularity to every class in society -- from the emperor to ordinary civilians. At that time, professional cuju players were quite popular, and the sport began to take on a commercial edge. Professional cuju players fell into two groups: One was trained by and performed for the royal court (unearthed copper mirrors and brush pots from the Song often depict professional performances) and the other consisted of civilians who made a living as cuju players.
In the Song Dynasty cuju organizations were set up in large cities called Qi Yun She or Yuan She -- now known as the earliest professional cuju club -- whose members were either cuju lovers or professional performers. Non-professional players had to formally appoint a professional as his or her teacher and pay a fee before becoming a member. This process ensured an income for the professionals.
Unlike cuju of the Tang Dynasty, only one goal post was set up in the middle of the field during the Song.
Ways to Play Cuju
There are mainly two ways to play cuju: "Zhu Qiu" and "Bai Da"
Zhu Qiu was commonly performed at court feasts celebrating the emperor's birthday or during diplomatic events. This competitive match between two teams consisted of 12-16 players on each side.
Bai Da was the dominant cuju style of the Song Dynasty, attaching much importance to developing personal skills. The goal became obsolete in this method and the playing field was enclosed with thread, with players taking turns to kick the ball within. The number of fouls made by the players decided the winner. For example, if the ball was not passed far enough to reach the other players, points were deducted. If the ball was kicked too far out, a big deduction was made. Kicking the ball too low or turning at the wrong moment all led to fewer points. Players could touch the ball with any part of the body except their hands and the number of players ranged anywhere from two to 10. In the end, the player with the highest score would win.
Cuju began its decline during the Ming Dynasty (1368-1644) due to neglect, and the 2,000-year-old sport finally faded away.
Freemason´s Tavern: o nascimento do futebol
Era mais um dia como tantos outros na Londres vitoriana que Charles Dickens tão bem retratou. Bandos de crianças corriam pelas ruas à procura de uma moeda, charretes passavam a grande velocidade pisando poças de águas e ignorando os pobres que se acumulavam nas ruas. A cidade estava «infestada de ratos, pedintes e prostitutas» nas palavras de um cronista da época.
Um grupo de homens, representando 13 clubes de Londres e outras cidades da Inglaterra, encontraram-se na Fremason´s Tavern, na Long Acre, a dois passos de Covent Garden, no fim da tarde de uma fria segunda-feira. Corria o dia 26 de outubro de 1863, o futebol moderno nascia e o mundo nunca mais voltaria a ser igual... Contudo, a nossa história começara mais cedo...
No seu auge, o Império Britânico ocupava um quarto do planeta, e Londres era a metrópole imensa onde todos acediam, dos confins do Império, às mais remotas zonas da Inglaterra rural, Londres a todos chamava, crescendo de ano para ano de forma desmesurada e descontrolada...
Para maioria dos ingleses, os poucos tempos livres eram dedicados ao descanso, mas as elites há muito que praticavam desportos, como forma de combater um certo ócio instalado nas classes mais altas. Vários desportos nasceram então na Grã-Bretanha, e um deles, o futebol, uma reminiscência do velho jogo medieval que se jogava um pouco por toda a Inglaterra, passou a ser jogado por muitos jovens em alguns dos melhores colégios e universidades do país.
Um conjunto de folhas brancas e lápis, aguardavam cada um dos representantes das diversas tendências. Pediu-se a cada um que trouxesse consigo um exemplar das regras do futebol que se disputava na sua escola.
Como exemplo, na sua casa de Barnes, redigiu um esboço das leis do jogo, baseado nas leis de Cambridge, que seriam aprovadas nas reuniões da Freemason's Tavern. Seriam estas as famosas 13 leis da The Football Association, um conjunto de regras, que com poucas alterações, ainda hoje regem o jogo mais amado do mundo.
Todavia, a maioria defendia que as leis de 1848 deviam ser preservadas, com a exceção da permissão de se jogar a bola com as mãos e a possibilidade de efetuar tackles sobre os adversários, para deceção do representante de Blackheath, que acabou por abandonar a reunião em absoluto desagrado com o decidido, sem não antes dizer que a eliminação do jogo físico «iria acabar com toda a coragem e bravura do jogo», adiantando que seria «obrigado a trazer um monte de franceses» que iriam ser capazes de bater os representantes dos restantes clubes só com uma semana de treino.
Um grupo de homens, representando 13 clubes de Londres e outras cidades da Inglaterra, encontraram-se na Fremason´s Tavern, na Long Acre, a dois passos de Covent Garden, no fim da tarde de uma fria segunda-feira. Corria o dia 26 de outubro de 1863, o futebol moderno nascia e o mundo nunca mais voltaria a ser igual... Contudo, a nossa história começara mais cedo...
Rule Britannia!
A capital inglesa era então o centro nevrálgico de um sistema comercial que se espalhara com as suas raízes pelos cinco continentes e pelos sete mares. A Union Jack flutuava dos confins gelados do Canadá à Nova Zelândia, o Império Britânico era o maior império da história, e a Rainha Vitória o monarca com mais poder desde a aurora da humanidade.

Rainha Vitória de Inglaterra, soberana dos ingleses entre 1837 e 1901.
Um novo modo de vida
A Revolução Industrial avançava pela ilha e pelo mundo. Comboios atravessam a Inglaterra em todas as direções, barcos a vapor chegavam aos portos britânicos transportando matérias-primas dos quatros cantos da terra. Chaminés de tijolos cobriam as paisagens urbanas inglesas, soltando nuvens negras, e as cidades eram cobertas por uma nuvem constante de fumo.
As cidades ficavam cobertas de fuligem, as doenças grassavam e a esperança média de vida decaía para números que remontavam quase às trevas da Idade Média. A pobreza extrema, as precárias condições de saneamento e a falta de higiene provocavam constantes razias entre as crianças, os mais velhos e os mais fracos.
As slums inundavam a paisagem inglesa, a criminalidade atingia níveis nunca antes vistos. Esta era a Londres das prostitutas de Jack The Ripper, da violência criminosa das histórias de Sherlock Holmes, ou da pobreza humilhante, da avareza extrema e da exploração dos trabalhadores dos romances de Dickens, como o intemporal «Oliver Twist».
Nas fábricas, homens, mulheres, crianças, todos trabalhavam em média entre doze a dezasseis horas por dia, seis dias por semana. A Revolução Industrial mudara hábitos de séculos, e em poucos anos, um modo de vida e tradições de gerações incontáveis caía em desuso, abrindo espaço para um mundo novo. Os antigos verdes pastos de Inglaterra, que tinham sido cantados por Chaucer, Shakespeare e Blake, davam lugar a triste paisagem cinzenta da era industrial.

Com a sua pobreza e insalubridade, as slums eram a imagem de marca da Inglaterra vitoriana
Um jogo com tradição
Desde a Idade Média que há registos de jogos de futebol populares um pouco por toda a Inglaterra, disputados por multidões, ao ponto de em alguns dos jogos participar quase toda a população da aldeia, ou até o jogo ser disputado por entre duas localidades. A popularidade do jogo era tal, que se tornou uma praga para as autoridades, que alarmados com os movimentos das multidões, e os abusos, e até mortes provocadas pelo jogo, resolveram banir o futebol.
Em 1314, o Mayor de Londres proíbiu o jogo na cidade, e ainda durante o mesmo ano, o Rei Eduardo III proclamou a proíbição total do jogo na capital inglesa. Seguiram-se novas proíbições nas décadas e reinados seguintes e até 1667, mais de trinta decretos municipais ou reais, decretaram a proíbição do jogo na Grã-Bretanha.
Durante o século XVI, com o intuito de canalizar a energia e agressividade dos alunos, alguns colégios e universidades começaram a incluir os jogos de futebol na formação física e desportiva dos alunos.
Um jogo, tantas regras
Até ao século XIX, o número de universidades, escolas públicas e privadas que jogavam futebol foi crescendo, mas cada uma com o seu próprio conjunto de regras, algumas bem diferentes das outras. Por exemplo, enquanto Shrewsbury e Winchester jogavam um jogo à base do pontapé na bola e da finta, por sua vez, Rugby, Marlborough e Cheltenham davam predominância às mãos. Por sua vez em Westminster disputava-se um jogo mais rude, com a permissão de tackles.
Por esses anos, Eton e Harrow começaram a disputar jogos ao ar livre, enquanto os outros ainda os disputavam em claustros. A passagem para campos de grande dimensão, permitia uma maior utilização de pontapés para se efetuarem passes longos.
Esta diversidade das regras de escola para escola dificultava de sobremaneira a evolução do jogo, impedindo que os jogadores quando regressavam a casa pudessem disputar jogos com os amigos provenientes de outras escolas e universidades, pois cada um trazia consigo o seu próprio conjunto de regras, gerando amiúde as mais acaloradas discussões.
Uma noite em Cambridge
Para pôr fim a esse estado de coisas, em 1848, em Cambridge, representantes de diversos colégios e universidades, reuniram-se no Trinity College por intermédio de H.C. Malden, com o intuito de criarem as primeiras regras comuns.

Ilustração que representa diversos momentos de um jogo de futebol segundo as regras de Cambridge.
Esse fim de tarde/noite que durou até altas horas da madrugada, ficou marcado na história do futebol como seu acto fundador, o documento original não chegou aos nossos dias, assim como não existe nenhuma cópia do mesmo, mas é ponto assente que pela primeira vez as leis do futebol ficaram definidas. O futebol dava o seu primeiro grande passo.
As regras de Sheffield
Contudo, o futebol tinha deixado de ser um exclusivo dos jovens elitistas dos colégios e universidades, extravasara os muros das Universidades e passara a ser praticado por muitos jovens operários, que foram criando os seus clubes, e adaptando as regras, sendo talvez as mais famosas de todas, as que ficaram conhecidas como Regras de Sheffield.
Em Sheffield e por todo o Yorkshire, em Lancanshire, nas Midlands, ao redor das grandes cidades industriais como Birmingham, Manchester ou Liverpool, surgiam os mais diversos clubes, formados maioritariamente por esses mesmos jovens trabalhadores da indústria ou dos caminhos-de-ferro, que nunca tinham passado pelas Public Schools , muito menos pelas escolas privadas e, ou as Universidades, de onde provinham os principais defensores das regras de Cambridge.
Este massa operária e a pequena burguesia, amante do jogo de Domingo, sentia mais facilidade em praticar as regras de Sheffield, simplificadas, abdicando quase sempre da lei do fora-de-jogo. Seriam estes jovens que em 1857, fundaram o Sheffield Football Club, aquele que é reconhecido pela FIFA como o mais velho clube do mundo.
Freemason's Tavern
Apesar de ser complicado estabelecer uma data exata e consensual, o 26 de outubro de 1863, é geralmente reconhecido como o dia do nascimento do futebol, pois foi o dia em que nasceu a The Football Association.
Algum tempo antes, Ebenezer Cobb Morley, um advogado de Hull, que anos antes fundara o Barnes FC, escreveu uma carta ao jornal Bells Life, pugnando pela necessidade de se criar um organismo que pudesse regular o jogo e redigisse um conjunto uniformizado de regras.

Freemason´s Tavern, o berço da The Football Association.
Ebenezer foi incansável no seu propósito, convidando as diversas escolas e clubes de Londres, para a tão necessária reunião, com vista à regulamentação de um novo código de futebol.
Barnes, Blackheath, Blackheath Proprietary School, Bucks FC, Charterhouse, Civil Services, Crystal Palace (não confundir com o Crystal Palace actual), Forest of Leytonstone (futuro Wanderers FC), Kesington, NN Football Club, Perceval House, Surbiton e The Crusaders, foram os clubes que responderam à chamada.
The Football Association
Entre 26 de outubro e 8 de dezembro de 1863, realizaram-se seis reuniões na Freemason's Tavern, e logo na primeira reunião fundou-se a The Football Association. Durante as duras negociações, os apoiantes do jogo com as mãos e de um jogo mais duro com tackles não aceitavam as alterações propostas pela maioria, que consideravam uma traição ao tão amado jogo das suas infâncias e dos seus colégios natais.

Ebenezer Cobb Morley, o principal responsável pela fundação da The Football Association e o seu segundo presidente.
Os franceses nunca chegaram para demonstrar a veracidade da sua teoria, mas Blackheath abandonou a The Football Association e preservou as antigas regras, num ato de ruptura que ajudou a separar definitivamente o futebol do seu primo que ainda hoje é jogado com a bola oval.
O futebol moderno
Com a fundação da Federação Inglesa, Arthur Pember tornava-se o seu primeiro presidente, enquanto Ebenezer Cobb Morley se tornava o primeiro secretário.
Porém, e apesar das novas leis, durante alguns anos, continuaram as divergências sobre as leis, e até ao final dos anos 1870, os seguidores das regras de Sheffield rejeitavam abertamente as regras londrinas.
Seria somente em 1878, que se deu a fusão definitiva entre os códigos de Sheffield e Londres. A criação do International Football Associaton Board em 1886, pôs termo a todas as divisões, e a partir desse dia, o futebol era regido por um único conjunto de leis, o que a somar à criação de competições regulares como a FA Cup (1872) e a Football League (1888), marcou definitivamente a emergência do futebol moderno.
Para a história fica a reunião de 26 de outubro, o dia em que o desporto do povo deu um passo sem retorno em direção ao futuro.







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